quinta-feira, 18 de julho de 2013

A CASA / MANUEL ALEGRE, poema de Eugénio de Andrade

Imagem retirada de http://www.arqal.com
















Paredes brancas pátios interiores
as mesas largas as cadeiras quase toscas
despojamento de convento e de deserto
a planície prolonga-se na casa
com seu rigor e sua estética
do necessário
do liso
do elementar.

Aristocracia do pobre
com sua manta e com seu cobre.

Há um cheiro a pão recém-cortado.

A casa alentejana está escrita na planície
como o poema no branco descampado.

In «Alentejo não tem sombra», de Eugénio de Andrade (antologia da Poesia Moderna sobre o Alentejo, com um desenho de Armando Alves), colecção «Pequeno Formato» (n.º 3), Edições ASA, Porto, Outubro de 2001 (4.ª edição).

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