sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

«Barcos à beira-rio», poema de João José Cochofel

Foto retirada de vivercomlight.blogspot.com
Barcos à beira-rio
e o bulício do porto.
Eu, com a filha pela mão,
olhando absorto.

O vaivém das coisas e dos braços,
o ar, a cor e o som,
levam-lhe os olhos; a mim os pensamentos.
Da mão dela vem um calor bom,
e estes homens, curvados e baços,
entram pelo meu sonho de todos os momentos.

Bate-me de rijo o sol de Setembro,
alacre e matinal.
Esta mão na minha
é o que a vida vale.

É o penhor humano
de um mundo mais belo;
de quanto fizemos
por ganhá-lo e tê-lo.

In «Obra Poética» [«Os Dias Íntimos», 1944-1958], de João José Cochofel, colecção «Obras Completas», Editorial Caminho, Lisboa, Dezembro de 1988 (1.ª edição)

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