terça-feira, 7 de janeiro de 2014

«As árvores nuas», poesia de Lina Céu


Continuando o seu percurso literário, com a publicação de mais uma obra poética, Lina Céu confronta-nos com o seu amadurecimento como sonetista.
Com este livro – «As árvores nuas» – ela confirma a sua previsível intuição, já expressa em «A raiz e o fruto», para adaptar a sua poesia às vicissitudes da vida dos nossos dias, às novíssimas necessidades de exteriorização da arte poética nos tempos actuais.
Diversificando-se entre a poesia de cariz social e humanista e a outra mais intimista – porque nascida de experiências mais pessoais –, Lina Céu dilui as suas vivências e as suas emoções numa amálgama de interrogações e dúvidas que prende o leitor a cada cicatriz purificada, a cada chama de apego à vida, a cada contínua redenção do passado, renovando-a no presente e no futuro.
A intemporalidade que nos oferece em alguns sonetos transfigura-se em metáforas de fácil descodificação. E a sua leitura torna-se harmoniosa pela simplicidade da palavra em instantes de mais difícil encadeamento do realismo sofrido de um momento com o êxtase  aprofundado de uma emoção vivida em plenitude e liberdade.
Com aparente descontinuidade entre as intenções de cada soneto, respira-se em todos eles a fluidez da vida e da morte, como colorida interpretação ao dispor de qualquer leitor mais atento às subtilezas das tonalidades oferecidas. As suas tentativas de fazer compreender que nada se esgota no final de cada ciclo, como um rio não se esgota na sua foz, impõem-se nos horizontes da poesia de Lina Céu.
A segunda parte da obra, dedicada à poesia liberta dos limites conceptuais do soneto, é talvez uma necessidade de evasão, porventura uma saída de uma contida imposição, soltando-se a palavra em ritmos diferentes, musicalidades dispersas pela sua própria imaginação, talvez memória.
De qualquer modo, a poesia de Lina Céu impõe-se como um todo. A fluidez, a intencionalidade, a entrega às diversidades do amor, às interrogações perante a morte, estão sempre presentes.
As mensagens que nos oferece, em cada momento poético, levam-nos a uma comunhão entre quem ousa publicar poesia e quem se entrega ainda à sua leitura, nestes tempos de difíceis acessos à cultura, á arte e ás emoções mais belas que vivemos.
Quando a descrença já nos invade e nos esmorece, Lina Céu, com esta sua obra, mostra-nos que a poesia é urgente e imprescindível para todos nós. Aqui e agora.

Joaquim Manuel Pinto Serra
(médico psiquiatra e escritor)   
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AUTORA:
Lina Céu Brito Canhão Martins de Carvalho viveu a infância e a juventude em Algés e reside em Coimbra. Licenciada em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, fez carreira como professora do ensino secundário no Porto e em Coimbra. Frequentou cursos em universidades do Reino Unido e da Alemanha, como bolseira do Instituto Alemão da Fundação Calouste Gulbenkian, onde trabalhou como revisora de traduções.
Publicou poemas na Antologia Revelações, dirigida pelo crítico literário João Gaspar Simões. Obteve prémios literários e publicou sonetos em vários periódicos.
É membro da Associação Portuguesa de Poetas (APP) e da Sociedade de Língua Portuguesa (SLP).
Depois das obras Terra Rasgada (poesia, em 2008), Histórias de Cá e de Lá (contos, em 2010) e A raiz e o fruto – Sessenta sonetos em dois andamentos com pausa (poesia, em 2012), As árvores nuas é o quarto livro da autora, agora publicado sob a chancela da editora Mar da Palavra.

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FICHA TÉCNICA
Autor: Lina Céu (com prefácio de Joaquim Manuel Pinto Serra)
Capa:Reprodução de pintura de Lina Céu
Editora: Mar da Palavra - Edições, Lda.
PVP: 15,00 €
N.º de páginas: 96
Formato: 14,5 x 21,0 cm
ISBN: 972-8910-66-2 (EAN: 978-972-8910-66-2)
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Registo de notícias e outras referências:
 
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=662698817107173&set=a.401126863264371.88598.149325878444472&type=1&theater
http://mardapalavra.blogspot.pt/2013/12/lancamento-do-livro-de-poesia-as.html
http://www.bibliofeira.com/livro/663947242/as-arvores-nuas-poesia/
http://www.bertrand.pt/ficha/as-arvores-nuas?id=15418317

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