quinta-feira, 11 de agosto de 2016

[Uma pedra, o barro seco, a cal], poema de Júlio Pomar

Fotografia encontrada em http://permanentereencontro.blogspot.pt/

Uma pedra, o barro seco, a cal.
A pedra, usada. Um gume de ternura, a unha rente.

As coisas, fora das palavras.
As palavras, roídas por dentro.

(Parar o riso, eco sem poço.)

O negro, o áspero, a estria.
A consistência do plano, a mão pesada, o passo enleado
no que solta.

Contra a parede, a língua.

O chão gretado, a pele.

In «Alguns eventos», poesia de Júlio Pomar (com um desenho do autor), Publicações Dom Quixote, Lisboa, Novembro de 1992 (1.ª edição).

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