quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

«Andam meus olhos naufragados», escrevia Joaquim Namorado

Foto encontrada em http://arepublicano.blogspot.pt
«[…] Namorado era jovem e poeta. O tempo ia decorrendo e em 1941 estava no quartel dos Caçadores nº 12, na cidade da Guarda, onde pintou a aguarelas o seu conhecido autorretrato e, entre 1937 e 1942, escreveu cerca de quinhentas “Cartas de Amor”, enviadas à “Menuche”, Guilhermina, a mulher da sua vida que, numa época reprimida e difícil, havia de lhe dar duas filhas – a Irene e a Teresa. Eram “Anos de Chumbo” e a Segunda Guerra Mundial começara […]. O poeta escrevia:

Andam meus olhos naufragados
nesta vida minha
a mim próprio estranha,
tudo o que é meu morre além
a dois passos
só esta secura me fica
– tamanha

Gela minha ternura
a indiferença que a rodeia…
fermenta em meus braços
o abraço
que não encontra os teus braços!

Aí veio a chuva, amor,
– está tanto frio!
Ao lume arrefeço sem o teu carinho.
Estou triste e ninguém
me pergunta o que tenho…
Toda  vida é perdida
distante de ti.

Seja o sal dos teus beijos
que me acorde amanhã…

In «Joaquim Namorado – O herói no “Neo-realismo mágico” (No centenário do seu nascimento)», de Jaime Alberto do Couto Ferreira (com a colaboração especial de José Vitória, Natália Bebiano e Maria da Guia), Lápis de Memórias, Coimbra, Julho de 2014 (1.ª edição).

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