segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ajustamento materno e paterno: experiências vivenciadas pelos pais no pós-parto


À semelhança do Homem, a família está em constante mudança. Assim, em conformidade, nasce, cresce e morre. Quando nasce uma nova família, esta é apenas constituída por dois subsistemas (cada um com uma dinâmica própria) que interagem: o subsistema ‘conjugal’ (formado pelo casal) e o ‘individual’ constituído por cada uma das pessoas que formaram a família. Estas pessoas trazem consigo legado cultural e social que resultou da sua socialização, e que pode ser diferente do que o cônjuge tem.
Devido à existência de um passado próprio a cada um dos elementos que compõem o subsistema conjugal e à sua própria personalidade, é necessário que se procure um ajustamento (sem que qualquer deles se anule), na intenção de criar uma plataforma de entendimento e de estratégias comuns, as quais têm como objectivos uma boa harmonia e uma boa comunicação na família. Daqui resultará o percurso que a família irá percorrer. Esta fase do ciclo vital da família (fase de formação) é essencial para o novo ajuste que nela se terá de operar quando nasce um filho, que, por algum tempo, estará totalmente dependente do subsistema paternal.
Com as mudanças estruturais operadas nas famílias portuguesas, é frequente observar-se grávidas sem qualquer experiência no cuidar de um recém-nascido.
Nesse sentido, como profissional de saúde, dedicada à área da saúde materno-infantil, a autora sentiu necessidade de, sob uma forma científica, saber como era o ajustamento materno e paterno a um novo ser que nascia. As questões que deram origem à sua investigação resultaram também da sua maturidade profissional. Espírito cientificamente irrequieto, procurou sempre aprofundar conhecimentos – não só teóricos mas também empíricos – que respondessem a questões formuladas na sua mente e às resultantes do quotidiano da sua prática profissional.Foi assim que surgiu esta obra. O presente livro reúne uma base científica importante não só para quem trabalha nas áreas da saúde materno-infantil e da família, ou mesmo da sexualidade, mas também para quem deseje fazer investigação qualitativa. Efectivamente, a autora procura aprofundar, de forma exaustiva, a investigação fenomenológica, antes de avançar para a prática que foi a sua própria experiência enquanto investigadora.Como investigadora, abordou de um modo muito interessante o ajustamento materno e paterno a um novo ser, procurando compreender o fenómeno em si, não esquecendo o passado nem o futuro. A ‘viagem’ que percorremos através da leitura que a Doutora Isabel Margarida Mendes em boa hora nos soube proporcionar, descrevendo o fenómeno de uma forma clara, objectiva e acessível, tornou-se, a meu ver, indispensável para os profissionais de diversas áreas/disciplinas.
As conclusões que apresenta são de grande relevância não só para os profissionais da saúde, mas igualmente para outros profissionais e para a sociedade, que se pretende melhor.
Foi, para mim, uma honra aceitar o desafio que a Doutora Isabel Margarida Mendes me lançou, ao solicitar-me que escrevesse um prefácio para o seu livro, pois, desta maneira, posso-lhe exprimir a minha gratidão pelo muito que nos ensinou.

Zaida Azeredo
(Professora Auxiliar Convidada do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar)

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A obra “Ajustamento materno e paterno: experiências vivenciadas pelos pais no pós-parto” resulta de um estudo desenvolvido no âmbito das Ciências de Enfermagem, que tem como objecto de análise a vivência e os significados da maternidade e da paternidade, aquando do ajustamento materno e paterno no período de pós-parto. Na exploração destas vivências e significados, Isabel Mendes tem em linha de conta a dimensão gratificante e de crise associada ao nascimento da criança; a construção dos papéis sociais de género, bem como a importância da parentalidade para o processo de construção de novos estatutos e identidades sociais. De forma meticulosa, envereda por uma metodologia qualitativa, aplicada com saber e rigor. Através de um conjunto de entrevistas a casais, a autora identifica tipos de estruturas diferenciadas relativas às experiências do ajustamento à maternidade/paternidade; e discursos que revelam a força da ideologia romântica sobre a parentalidade e o lugar da criança na família moderna.Para além da pertinência dos resultados alcançados, este livro apresenta-se como um excelente exemplo de uma pesquisa qualitativa. Tem importantes implicações no domínio da intervenção e na melhoria das práticas dos serviços de saúde, ao nível do processo de ajustamento materno e paterno, no período pós-parto. A riqueza da investigação e dos dados empíricos fazem dele uma referência para melhor compreendermos as dimensões profundas e complexas da parentalidade. É um livro que inspirará, certamente, a acção dos profissionais de saúde e de outras áreas afins...

Isabel Dias
(Professora Auxiliar do Departamento de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto)

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A AUTORA:
Isabel Margarida Marques Monteiro Dias Mendes - Professora-coordenadora na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. É licenciada em Enfermagem, com especialização em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica, e mestre em Saúde Pública, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. É doutorada em Ciências de Enfermagem, pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto.
No âmbito da investigação científica, a sua área de interesse inscreve-se no domínio da maternidade/paternidade, no sentido de compreender os processos de ajustamento por que passam ambos os pais para uma prática do cuidar integradora e eficaz, no contexto do ciclo vital da família, desde o período concepcional até ao pós-parto.
É autora do livro “Ligação Materno-Fetal”, publicado em 2002.

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