Mostrar mensagens com a etiqueta Colecção "Qualidade de Vida". Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Colecção "Qualidade de Vida". Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"A criança e o hospital - Estudo dos cuidados hospitalares na Região Norte", de Sílvia Álvares, Pedro Lopes Ferreira e Octávio Cunha

Como evoluiu a saúde da criança ao longo dos tempos? E, particularmente, em Portugal? De que modo são prestados os cuidados de saúde à criança no hospital e como é feita a articulação de cuidados e a intersectorial? Qual o envolvimento da comunidade, da criança e da família na concepção dos serviços de saúde? Este livro pretende responder a estas questões e contribuir para um melhor conhecimento da realidade da assistência hospitalar pediátrica na região Norte do País.
Quer também transmitir a mensagem de que os serviços pediátricos devem estar centrados na criança e na família e adaptados de modo a prestarem os melhores cuidados ao longo do percurso do doente, considerando a idade, o desenvolvimento da criança e as suas necessidades específicas.
..............................

APRECIAÇÃO CRÍTICA:

"A minha bebé era a mais bonita da UCIN… Não eram apenas as campainhas e alarmes, as luzes sempre acesas, a falta de ar puro, os cheiros, a visão de todos os outros corpos muito pequenos e indefesos, que me faziam sentir perdida, tão sem controlo, receosa… Era pedirem-me para ser lúcida, tomar decisões sérias e com consequências, baseadas nas novas informações que os médicos obtinham e nos transmitiam. Ouvi, como numa má ligação telefónica ou numa televisão sem imagem nítida, algumas palavras, mas compreendi só parte do que ouvi…" (Marianne Rogoff, em "Silvie´s life")

Falar de "A criança e o hospital" significa, como no testemunho desta mãe, muito mais do que a caracterização de um serviço de pediatria. Envolve espaços e recursos mas também comunicação e cumplicidade com a criança, o adolescente e a família.
Ler o "Estudo dos cuidados hospitalares pediátricos na Região Norte" foi, para mim, uma (re)aprendizagem. Tem uma dimensão que ultrapassa a regional, pois junta o rigor estatístico à percepção humana, que deve ter quem cuida de crianças e de adolescentes, e uma reflexão final que integra propostas possíveis, as quais permitirão melhorar a prestação de cuidados hospitalares.
A evolução da saúde materna e infantil, em Portugal, é uma história de sucesso. É o resultado de factores múltiplos, sociais e económicos, mas também da vontade política de intervir nesta área. A nomeação da primeira Comissão Nacional de Saúde Materno-Infantil e o desenvolvimento do programa nacional de assistência partilhada à grávida, ao recém-nascido, à criança e ao adolescente condicionaram ganhos inequívocos e uma queda progressiva das taxas de mortalidade materna, perinatal e infantil, mais acentuada do que na maioria dos países da União Europeia. No entanto, nada seria mais grave do que a convicção de que, ao ultrapassar as metas traçadas, se pode manter o que se conseguiu sem grandes sobressaltos.
Se, por um lado, a sustentabilidade exige um esforço continuado, por outro, surgem novos desafios em saúde infantil, sob o ponto de vista social, como os inerentes às famílias em situação de exclusão social ou as situações de maus tratos, como novas patologias emergentes, como a obesidade, a depressão infantil, a doença crónica... Em suma, crianças e adolescentes com necessidades especiais.A saúde infantil faz-se nos centros de saúde pelo médico de família e pela enfermeira de saúde infantil e nos serviços hospitalares de pediatria. São estes o objecto do presente trabalho, no qual se faz uma ampla revisão das instalações, do equipamento, dos recursos humanos e de outros aspectos do atendimento, além das patologias mais frequentes.Por definição, um serviço de pediatria é um espaço amigo da criança, onde se privilegia o atendimento em ambulatório e se prestam cuidados hospitalares eficientes, seguros e apropriados à criança, ao adolescente e à família, por profissionais qualificados com conhecimentos e desempenho em saúde infantil.
É o espírito deste estudo, mas vale a pena realçar alguns aspectos aqui considerados. A admissão de uma criança no hospital só deve realizar-se quando os cuidados necessários à sua doença não possam ser prestados em casa, em consulta externa ou em hospital de dia. O internamento para a criança é um castigo. Deixa a sua casa, os seus brinquedos e o ambiente que conhece, indo para o desconhecido, muitas vezes hostil. Poucos serviços de pediatria da Região Norte têm hospitais de dia que permitam, por exemplo, a administração terapêutica de antibiótico endovenoso sem a criança pernoitar no hospital. Este aspecto tem de ser melhorado.
Quanto à idade limite de atendimento, é referida uma média de 13 anos no serviço de urgência, o que é inaceitável. Essa média é de 16 anos nas consultas, o que pode ser consequência do seguimento mais prolongado de crianças com doença crónica. Os adolescentes devem ser tratados e internados em pediatria, pelo que é inadiável avançar com o atendimento até aos 18 anos. A este respeito, a ARS Norte é exemplar, pois foram publicadas normas recentes que exigem o alargamento da idade de atendimento, de forma gradual, nos próximos anos.
Também é essencial a discussão da política de recursos humanos, sabendo que há um envelhecimento dos médicos e que a feminização global é ainda mais acentuada nesta especialidade, e que os novos modelos de gestão propõem contenção quanto à colocação de enfermeiros.
Numa reunião de medicina perinatal em Glasgow, ouvi classificar os cuidados médicos como espasmódicos e os cuidados de enfermagem como continuados, e achei que era a imagem real do médico, sempre apressado e interessado em diagnosticar e prescrever, e a da(o) enfermeira(o) com uma presença real junto do doente. Por isso, a "ratio" de enfermagem deve ter em consideração não só o número de crianças e adolescentes internados mas também o tipo de patologia e a população, assim como a especialização em saúde infantil.
Outros aspectos são igualmente assinalados como passíveis de evoluir e de melhorar: poucos serviços com educadora(e)s e psicólogos, e menor investimento na articulação com os cuidados primários, com perda de vitalidade das unidades coordenadoras funcionais, que devem manter o seu papel fundamental.
A reflexão local é indispensável já que há diferenças de região para região, assim como entre as populações e nos cuidados prestados. Este trabalho, desenvolvido na Região Norte, é essencial para quem tem funções de decisão e para os diversos profissionais, e também para as crianças e respectivas famílias.
O que existe? Como funciona e como se pode melhorar, para que – se a situação clínica obrigar ao internamento – as crianças se sintam bem no hospital? "(...) És tu que mandas aqui? Pedi ao meu pai e ele já disse que sim... Posso ficar cá até Setembro..." (6 anos, internado no HFF, Junho de 1997)
Maria do Céu Soares Machado (pediatra, Alta Comissária da Saúde)
..............................


FICHA TÉCNICA:
Livro: A criança e o hospital – Estudo dos cuidados hospitalares pediátricos na Região Norte
Autor: Sílvia Álvares, Pedro Lopes Ferreira e Octávio Cunha (com prefácio de Maria do Céu Soares Machado)
Capa: Ilustração de Miguel Eufrásia
Editora:
 Mar da Palavra - Edições, Lda.
Colecção: Qualidade de Vida (N.º 3)
PVP:
 17,67 €
N.º de páginas:
 142
Formato:
 14,5 x 21,0 cm
ISBN:
 972-8910-28-0 (EAN: 978-972-8910-28-0)
..............................  
Registo de notícias e outras referências: 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

"Do ordenamento jurídico do tabaco e dos seus produtos na União Europeia - Reflexos em Portugal", obra de Mário Frota


O estudo “Do Ordenamento Jurídico do Tabaco e dos seus Produtos na União Europeia – Reflexos em Portugal”, uma área que não tem merecido os favores dos cultores do direito, representa um passo importante para a compreensão de um fenómeno social a que os sistemas jurídicos – internacional, europeu e nacional – tendem a conferir dignidade própria pela relevância de que se reveste.
Trata-se, pois, do primeiro trabalho – a que se espera outros se sigam – que reflecte as preocupações da Organização Mundial de Saúde, coroadas na Convenção-Quadro para o Controlo do Tabaco em 21 de Maio de 2003, aprovada em Portugal em 8 de Novembro de 2005 e em vias de ratificação e da transposição para o direito interno de várias Directivas do Parlamento Europeu e do Conselho.
Os reflexos de tais iniciativas na ordem jurídica portuguesa detecta-os o Autor nas inicialmente tímidas medidas legislativas, a que se seguiu o marco histórico do DL 226/83, de 27 de Maio, que ora chega ao seu termo pela aprovação de uma proposta de lei, em 1 de Março de 2007, que o Governo se apresta a submeter ao Parlamento.
Esta proposta de lei não é contemplada no trabalho do Autor por ser muito recente. Não constitui ainda, de resto, direito vigente. Mas absorve princípios e regras que decorrem tanto da Convenção-Quadro quanto da obra legislativa, regulamentar e administrativa da União Europeia. Neste contexto, surge a proibição de fumar nos locais de trabalho e em estabelecimentos de hotelaria, restauração e cafetaria, com excepções que atenuam a rigidez das medidas decretadas ao conferirem-se alternativas aos fumadores que não prejudiquem, aliás, como se tem por curial, os não-fumadores.
De resto, aspectos há – que a proposta de lei parece contemplar – que são ainda objecto de debate do Livro Verde “Por uma Europa sem fumo: opções estratégicas a nível comunitário”, cuja apresentação o Comissário Europeu, Markos Kyprianou, efectuou em Bruxelas em 31 de Janeiro de 2007 e cuja discussão decorrerá até 1 de Maio deste ano. Com o desenvolvimento normativo, o tema não se encerra. Antes se abre à apreciação dos que se votam ao estudo do Direito da Saúde e de áreas afins.
O propósito do Presidente do Conselho de Prevenção do Tabagismo – e dos que o acompanham na estrutura consultiva em que têm assento – é que se desenvolvam estudos análogos, se aprofundem as leis, se avalie o seu impacto, como o faz a Comissão Europeia em relação à generalidade dos instrumentos normativos que edita, e se apure a incidência da divulgação de tais estudos nos índices de saúde pública, v.g., na exposição ao fumo do tabaco e seus produtos ou no processo de cessação tabágica em curso, através de múltiplas iniciativas que apoia, estimula ou promove.
De resto, seria interessante, para além de estudos da natureza deste, dispor de um registo acerca da história da prevenção do tabagismo em Portugal desde os primórdios – quando preocupações ambientais se exprimiram liminarmente e as primeiras medidas se decretaram – até ao momento actual. Sem se descurarem outros de natureza sociológica, que poderiam principiar pelas escolas superiores onde, a despeito do decréscimo registado noutros escalões da sociedade, há ainda, sobretudo no elemento feminino, índices algo preocupantes, em clara oposição ao quadro geral que a sociedade portuguesa regista confortavelmente.
Realce-se, pois, o contributo do estudo a que o Autor procedeu e é, nos seus limites, um importante passo para a abertura ao universo jurídico de relevantes segmentos da saúde pública e individual.
As conferências que, a instâncias de distintas entidades, tem proferido e se centram, particularmente, na incidência das restrições e/ou proibições à publicidade, promoção e patrocínio do tabaco, vão também nesse sentido.
Para além das modificações que a nova lei vier a consagrar e que poderão merecer acurado estudo, auguramos-lhe que continue a dedicar-se a temas com forte carga social, como os que na saúde pública e na defesa do consumidor se inscrevem, muito contribuindo com a sua reflexão e a sua inteligência. A comunidade nacional beneficiará indubitavelmente do esforço que este trabalho representa.

Manuel Pais Clemente
(presidente do extinto Conselho de Prevenção do Tabagismo)
........................

CAPA: Desenho de Berthold, in "Icones - Florae Germanicae et Helveticae" (Volume XX), de H. G. Reichenbach (Filio), 1862
........................

FICHA TÉCNICA:
Livro: Do ordenamento jurídico do tabaco e dos seus produtos na União Europeia – Reflexos em Portugal
Autor: Mário Frota
Capa: Desenho de Berthold, in “Icones – Florae Germanicae et Helveticae” (Volume XX), de H. G. Reichenbach (Filio), 1862
Editora:
 Mar da Palavra - Edições, Lda.
Colecção: Qualidade de Vida (N.º 2)
PVP:
 15,90 €
N.º de páginas:
 96
Formato:
 14,5 x 21,0 cm
ISBN:
 972-8910-23-5 (EAN: 978-972-8910-23-5)
........................

Registo de notícias e outras referências:
http://www.netconsumo.com/2007/05/no-dia-mundial-sem-tabaco-mrio-frota.html
http://www.netconsumo.com/2011/01/investigador-defende-novas-alteracoes.html
http://www.netconsumo.com/2011/06/diario-do-dia-22-6-2011.html

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

"Avaliação multidimensional em idosos", de Pedro Lopes Ferreira, Rogério Rodrigues e Dália Nogueira (com prefácio de Cipriano Justo)


"Avaliação multidimensional em idosos", da autoria de Pedro Lopes Ferreira, Rogério Rodrigues e Dália Nogueira, é o livro que abre a colecção “Qualidade de Vida” da editora Mar da Palavra. Trata-se de uma obra patrocinada pelo Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra (CEISUC), com o apoio da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia).

APRECIAÇÃO CRÍTICA:
A estratégia de obtenção de mais saúde centrada no ciclo vital é particularmente complexa quando se trata dos idosos. Mais do que em qualquer outra idade, é neste grupo etário que o resultado do cruzamento das decisões de ordem social, económica e ética adquire maior correlação e relevância, mas em que o efeito dessas decisões é também mais incerto porque é mais tensa a relação de agência que se estabelece entre esta população e os prestadores de cuidados de saúde. Essa tensão manifesta-se no reconhecimento da necessidade de delegar nos prestadores a tomada de decisões particularmente críticas e na reivindicação de seleccionar aquelas que, no plano da análise subjectiva, estão mais bem colocadas para responder às necessidades sentidas.
(...) Este trabalho utiliza o Old American Resources and Services (OARS), um questionário desenvolvido pelo Center for the Study of Aging and Human Development da Universidade Duke (EUA) e destinado a avaliar a capacidade funcional dos idosos em cinco dimensões da sua qualidade de vida: (i) bem-estar físico e saúde percebida, (ii) bem-estar psíquico, (iii) disponibilidade de ajuda informal sociofamiliar e disponibilidade de ajuda institucional, (iv) disponibilidade económica para satisfação de necessidades básicas e não básicas, (v) actividades da vida diária, medindo ainda a utilização e a necessidade sentida de vários tipos de serviços.
(...) A robustez demonstrada por esta ferramenta vem aconselhar a sua aplicação de uma forma mais sistemática sempre que estiver em causa a alocação de recursos para se obterem ganhos em saúde neste grupo etário.

Cipriano Justo 
(médico e professor universitário)
...........................

CAPA:
Reprodução do quadro El Perro Semihundido ou El Perro en Arena, de Francisco Jose de Goya
...........................

Registo de notícias e outras referências:
http://www.tempomedicina.com/Arquiv.aspx?Search=mar+da+palavra 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Avaliação comunitária de uma população de idosos - Da funcionalidade à utilização de serviços


Embora a longevidade tenha existido desde há muitos séculos, o envelhecimento da população, com uma proporção de idosos de cerca de 15%, e uma esperança de vida, ao nascer, tão elevada são fenómenos novos na humanidade que caracterizam o final do século XX e o início deste século.
Uma longevidade tão grande, bem como uma proporção elevada de idosos e de grandes idosos, obriga a repensar políticas de saúde e sociais que têm de assentar numa investigação de base populacional. Para uma melhor rendibilização de recursos e uma melhor aceitação, por parte da população, de estratégias a estabelecer num futuro a médio prazo, é preciso investigar não só as necessidades sentidas pela população, mas também saber de que forma são os recursos actuais utilizados.
Com o aumento dos idosos e dos grandes idosos, o padrão das doenças mais prevalentes modificou-se, e a percentagem de idosos com incapacidades também aumentou, obrigando a que as políticas de saúde e sociais sejam repensadas. Para colmatar dificuldades sentidas pelas famílias no cuidar dos seus idosos no domicílio, é importante criar novos postos de trabalho, assim como formar novos profissionais em áreas anteriormente inexistentes.
Numa primeira parte, o Autor descreve-nos, com grande rigor científico, determinantes no processo de envelhecimento. Apresenta-nos, em termos práticos, a versão portuguesa do OARS (instrumento multidimensional de avaliação de qualidade de vida, desenvolvido especificamente para idosos) tendo sido responsável pela sua tradução e validação.
Como afirma o Autor, “a utilização na íntegra deste modelo conceptual permite avaliar a capacidade funcional e medir a utilização de serviços, estabelecendo a relação entre funcionalidade e disponibilidade de apoio”. E exemplifica a aplicabilidade deste instrumento ao estudar uma amostra sistemática estratificada, representativa dos idosos inscritos num centro de saúde de Coimbra.
O Doutor Rogério Rodrigues chega a conclusões muito interessantes, motivando, quem se dedique a áreas relacionadas com a saúde de idosos ou com a gestão de serviços, a continuar com investigações afins.
Esta é uma obra atractiva e importante, escrita com o rigor científico que caracteriza o Autor. Tem conclusões muito pertinentes e dignas de serem apercebidas por pessoas que fazem planeamento de saúde ou que trabalham com idosos.
Em suma, é um livro digno de ser lido cuidadosamente.

Zaida Azeredo
(Professora Auxiliar Convidada do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar)
.................................


Foi com grande satisfação que acedi ao convite do Doutor Rogério Rodrigues para escrever estas linhas de prefácio do seu livro. Tenho o prazer de o conhecer e de testemunhar o rigor que coloca nos seus trabalhos desde 1999, quando orientei a sua dissertação na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra que teve como objectivo a criação e validação da versão portuguesa do OARS (Older Americans Ressources and Services). Iniciou-se, nesse momento, uma fase importante do seu percurso académico e profissional que, poucos anos depois, teria como marco relevante a aprovação, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, da sua dissertação de doutoramento em Ciências de Enfermagem.
Em termos académicos e de interesses de investigação, o Doutor Rogério Rodrigues tem mostrado uma louvável coerência. A sua área de eleição tem sido a medição do estado de saúde dos idosos e das suas necessidades em saúde. O seu trabalho, bem descrito no presente livro, testemunha a capacidade de passar do conhecimento teórico e académico para a realidade, normalmente muito mais incerta e complexa, das pessoas que sentem, que sofrem, que têm alegrias e que têm todo o direito de viver os seus últimos anos de vida com dignidade e tratadas com respeito pelas suas legítimas necessidades e expectativas.
O trabalho que agora é divulgado, por iniciativa da editora Mar da Palavra, vai permitir a estudantes, a investigadores e a profissionais de saúde compreenderem ainda melhor a percepção deste grupo cada vez mais relevante na nossa sociedade.
Quero, por fim, ainda, chamar a atenção dos leitores para a utilidade do conteúdo deste livro na distribuição de recursos e na definição de prioridades e de políticas de saúde orientadas para esta franja frágil da população. Ao centrar a medição na percepção dos idosos, na dos seus acompanhantes e na dos próprios entrevistadores, é possível um diagnóstico muito preciso do estado de saúde funcional dos idosos e de quais os recursos de que mais necessitam.
Uma sociedade evoluída é uma sociedade que se preocupa com a qualidade de vida dos seus cidadãos e com a diminuição das desigualdades entre eles. Medir deste modo é contribuir para darmos, todos nós, um salto cultural enquanto sociedade.
Por tudo isto, mais uma vez, aconselho vivamente a leitura deste livro.

Pedro Lopes Ferreira
(Professor Associado com Agregação - Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra)
...............................


O AUTOR:
Rogério Manuel Clemente Rodrigues – Professor na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. É licenciado em Enfermagem, com especialização em Enfermagem de Saúde Pública, e mestre em Saúde Pública, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. É doutorado em Ciências de Enfermagem, pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto.
No âmbito da investigação científica tem-se dedicado, desde 1997, ao estudo do processo de envelhecimento, centrando-se na avaliação multidimensional de idosos, conjugando a avaliação da capacidade funcional com a utilização e a necessidade sentida de serviços de saúde e de apoio social.
É co-autor do livro “Avaliação multidimensional em idosos”, publicado em 2006, com a chancela da editora Mar da Palavra.
...............................


FICHA TÉCNICA:
Livro: Avaliação comunitária de uma população de idosos – Da funcionalidade à utilização de serviços
Autor: Rogério Rodrigues (com prefácio de Zaida Azeredo e Pedro Lopes Ferreira)
Capa: Pormenor da pintura “A Ceia em Emaús”, de Caravaggio
Editora: Mar da Palavra - Edições, Lda.
Colecção: Qualidade de Vida (N.º 4)
PVP: 25,24 €
N.º de páginas: 402
Formato: 14,5 x 21,0 cm
ISBN: 972-8910-40-2 (EAN: 978-972-8910-40-2)
...............................

Registo de notícias e outras referências:
http://webcache.googleusercontent.com/search?hl=pt-PT&q=cache:sSEM7aPUE3YJ:http://www.ensino.eu/2010/mar2010/politecnico1.html+%22editado+pela+Mar+da+Palavra%22&ct=clnk
http://www.wook.pt/ficha/avaliacao-comunitaria-de-uma-populacao-de-idosos/a/id/2694847
http://flashrede.blogspot.com/2010/04/avaliacao-comunitaria-de-uma-populacao.html
http://www.armazeml.com/product_info.php?products_id=56515
http://projectotio.net/archives/tag/publicacao
http://www.esenfc.pt/ui/docentes/index.php?target=cv&action=ver-cv&id_website=2&id_linha_investigacao=2&id_docente=267&id_pai=
http://www.esenfc.pt/ui/projectos/index.php?target=showContent&tipo=UI&id_projecto=60&id_linha_investigacao=3&dado_pedido=63&tab=oi63

Ajustamento materno e paterno: experiências vivenciadas pelos pais no pós-parto


À semelhança do Homem, a família está em constante mudança. Assim, em conformidade, nasce, cresce e morre. Quando nasce uma nova família, esta é apenas constituída por dois subsistemas (cada um com uma dinâmica própria) que interagem: o subsistema ‘conjugal’ (formado pelo casal) e o ‘individual’ constituído por cada uma das pessoas que formaram a família. Estas pessoas trazem consigo legado cultural e social que resultou da sua socialização, e que pode ser diferente do que o cônjuge tem.
Devido à existência de um passado próprio a cada um dos elementos que compõem o subsistema conjugal e à sua própria personalidade, é necessário que se procure um ajustamento (sem que qualquer deles se anule), na intenção de criar uma plataforma de entendimento e de estratégias comuns, as quais têm como objectivos uma boa harmonia e uma boa comunicação na família. Daqui resultará o percurso que a família irá percorrer. Esta fase do ciclo vital da família (fase de formação) é essencial para o novo ajuste que nela se terá de operar quando nasce um filho, que, por algum tempo, estará totalmente dependente do subsistema paternal.
Com as mudanças estruturais operadas nas famílias portuguesas, é frequente observar-se grávidas sem qualquer experiência no cuidar de um recém-nascido.
Nesse sentido, como profissional de saúde, dedicada à área da saúde materno-infantil, a autora sentiu necessidade de, sob uma forma científica, saber como era o ajustamento materno e paterno a um novo ser que nascia. As questões que deram origem à sua investigação resultaram também da sua maturidade profissional. Espírito cientificamente irrequieto, procurou sempre aprofundar conhecimentos – não só teóricos mas também empíricos – que respondessem a questões formuladas na sua mente e às resultantes do quotidiano da sua prática profissional.Foi assim que surgiu esta obra. O presente livro reúne uma base científica importante não só para quem trabalha nas áreas da saúde materno-infantil e da família, ou mesmo da sexualidade, mas também para quem deseje fazer investigação qualitativa. Efectivamente, a autora procura aprofundar, de forma exaustiva, a investigação fenomenológica, antes de avançar para a prática que foi a sua própria experiência enquanto investigadora.Como investigadora, abordou de um modo muito interessante o ajustamento materno e paterno a um novo ser, procurando compreender o fenómeno em si, não esquecendo o passado nem o futuro. A ‘viagem’ que percorremos através da leitura que a Doutora Isabel Margarida Mendes em boa hora nos soube proporcionar, descrevendo o fenómeno de uma forma clara, objectiva e acessível, tornou-se, a meu ver, indispensável para os profissionais de diversas áreas/disciplinas.
As conclusões que apresenta são de grande relevância não só para os profissionais da saúde, mas igualmente para outros profissionais e para a sociedade, que se pretende melhor.
Foi, para mim, uma honra aceitar o desafio que a Doutora Isabel Margarida Mendes me lançou, ao solicitar-me que escrevesse um prefácio para o seu livro, pois, desta maneira, posso-lhe exprimir a minha gratidão pelo muito que nos ensinou.

Zaida Azeredo
(Professora Auxiliar Convidada do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar)

……………………………


A obra “Ajustamento materno e paterno: experiências vivenciadas pelos pais no pós-parto” resulta de um estudo desenvolvido no âmbito das Ciências de Enfermagem, que tem como objecto de análise a vivência e os significados da maternidade e da paternidade, aquando do ajustamento materno e paterno no período de pós-parto. Na exploração destas vivências e significados, Isabel Mendes tem em linha de conta a dimensão gratificante e de crise associada ao nascimento da criança; a construção dos papéis sociais de género, bem como a importância da parentalidade para o processo de construção de novos estatutos e identidades sociais. De forma meticulosa, envereda por uma metodologia qualitativa, aplicada com saber e rigor. Através de um conjunto de entrevistas a casais, a autora identifica tipos de estruturas diferenciadas relativas às experiências do ajustamento à maternidade/paternidade; e discursos que revelam a força da ideologia romântica sobre a parentalidade e o lugar da criança na família moderna.Para além da pertinência dos resultados alcançados, este livro apresenta-se como um excelente exemplo de uma pesquisa qualitativa. Tem importantes implicações no domínio da intervenção e na melhoria das práticas dos serviços de saúde, ao nível do processo de ajustamento materno e paterno, no período pós-parto. A riqueza da investigação e dos dados empíricos fazem dele uma referência para melhor compreendermos as dimensões profundas e complexas da parentalidade. É um livro que inspirará, certamente, a acção dos profissionais de saúde e de outras áreas afins...

Isabel Dias
(Professora Auxiliar do Departamento de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto)

............................................


A AUTORA:
Isabel Margarida Marques Monteiro Dias Mendes - Professora-coordenadora na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. É licenciada em Enfermagem, com especialização em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica, e mestre em Saúde Pública, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. É doutorada em Ciências de Enfermagem, pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto.
No âmbito da investigação científica, a sua área de interesse inscreve-se no domínio da maternidade/paternidade, no sentido de compreender os processos de ajustamento por que passam ambos os pais para uma prática do cuidar integradora e eficaz, no contexto do ciclo vital da família, desde o período concepcional até ao pós-parto.
É autora do livro “Ligação Materno-Fetal”, publicado em 2002.