sábado, 29 de março de 2014

«Rio», poema de Lina Céu

Fotografia encontrada em http://aminhaconfusao.blogspot.pt/

A água do Mondego corre calma
Límpida não, apenas só serena
Sem lágrima de Inês, sem dó, sem pena
Que o rio não tem mais sonhos, não tem alma

Nasceu, cresceu e corre lentamente
E nele se junta o Dão, o Alva, o Ceira
É genuíno, autêntico, é da Beira
E a Estrela é serra e mãe, fonte e nascente!

Tantos poemas se escreveram, tantos,
Tantos amores ao pé de ti amaram
Quantas mãos criminosas te estragaram

Agora já não há sonhos nem prantos
Apenas água fria, como em nós,
Um rio que nasce e corre para a foz…

In «A raiz e o fruto – Sessenta sonetos em dois andamentos com pausa», de Lina Céu, Papiro Editora, Porto, Fevereiro de 2012 (1.ª edição).

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