segunda-feira, 8 de abril de 2013

IDÍLIO, poema de Antero de Quental (1842-1891)

Antero de Quental – Foto: Shutterstock (retirado de http://noticias.universia.pt/)














Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
Colher nos vales lírios e boninas,
E galgamos de um fôlego as colinas
Do rocio da noite inda orvalhadas;

Ou vendo o mar, das ermas cumeadas,
Contemplamos as nuvens vespertinas,
Que parecem fantásticas ruínas
Ao longe no horizonte amontoadas;

Quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
Sinto tremer-te a mão, e empalideces…

O vento e o mar murmuram orações
E a poesia das cousas se insinua
Lenta e amorosa em nossos corações.

In «Poemas de Amor – Antologia de Poesia Portuguesa», organização e prefácio de Inês Pedrosa, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Abril de 2001 (2.ª edição)

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