segunda-feira, 21 de abril de 2014

«DUGONGUES», poema de Mia Couto

Imagem encontrada em http://tempodadelicadeza.com.br/

Por mais que à terra
nos condenemos,
não se apaga em nós
a lembrança da água
de que somos feitos.

Sobre a pele a flor de sal
em nada nos acrescenta
ao oceano que já fomos.

Promessa
de eterno retorno,
viagem feita só para ganhar saudade,
apenas em nós o mar é infinito.

Para os demais seres marinhos,
o inteiro oceano
não é mais que um pátio de infância.

«tradutor de chuvas» (poesia), de Mia Couto, Editorial Caminho (grupo Leya), Alfragide, Julho de 2013 (2.ª edição).

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