sexta-feira, 15 de novembro de 2013

[OHISHIDA], por Matsuo Bashô

Imagem retirada de www.zazzle.pt
Tínhamos planeado fazer de barco a travessia do rio Mogami e, num lugar chamado Ohishida, parámos à espera que o tempo melhorasse. As sementes da velha escola de haikai caíram há muito nesta terra; os dias do seu florescimento ainda não foram esquecidos e ainda comove as solitárias vidas dos poetas de Ohishida o som das flautas mongólicas. Confiaram-me: «Queremos caminhar juntos pelo caminho da poesia e vacilamos entre o novo e o velho estilo, pois não temos ninguém que nos guie: quer ajudar-nos?» Não pude recusar-me e juntei-me a eles, para compor uma série de poemas. De todas as reuniões poéticas da minha viagem, foi esta a que deu melhores frutos.

In «O caminho estreito para o longínquo Norte» (Oku no Hosomichi), de Matsuo Bashô (numa versão de Jorge de Sousa Braga – que a dedica à memória de Venceslau de Morais; com capa de João Bicker), Fenda Edições, Lisboa, Julho de 1995 (2.ª edição).

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