domingo, 11 de novembro de 2012

PERENIDADE, poema de Miguel Torga

http://espacoonze.blogspot.pt – «Ofélia IV», 
acrílica sobre papelão Paraná,  Marisa Bastos



















Nada no mundo se repete.
Nenhuma hora é igual à que passou.
Cada fruto que vem cria e promete
Uma doçura que ninguém provou.

Mas a vida deseja
Em cada recomeço o mesmo fim.
E a borboleta, mal desperta, adeja
Pelas ruas floridas do jardim.

Homem novo que vens, olha a beleza!
Olha a graça que o teu instinto pede.
Tira da natureza
O luxo eterno que ela te concede.

(in «Libertação», de Miguel Torga, edição de autor, Coimbra, 1978 – 4.ª edição)

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