terça-feira, 26 de janeiro de 2016

HÁ TRÊS DIAS NÃO MANJARA, poema de Arquimedes da Silva Santos

Imagem encontrada em http://clubearlivre.org/
















Ao Manuel da Fonseca

Há três dias não manjara
Mais que laranjas roubadas
Em laranjeiras de estradas.

Sozinho pelo caminho
E desfiando lembranças
Que é da mãe que é da mulher
Que é dos filhos que sonhara.

Ó senhor cá destes sítios
Com celeiros com herdades
Um pobre maltês sem ninho
Pedindo pão e pousada.
Nem cama para dormires
Nem ceia para ceares
Isto aqui não é asilo
De vagabundos de estradas.

E para a fome calar
Lá pela noite calada
Larápio fora furtar
Laranjas dum laranjal
À beira estrada.

In «Cantos cativos – Poemas coligidos: 1938-58», de Arquimedes da Silva Santos, Colecção Campo da Poesia (n.º 51), Campo das Letras, Porto, Maio de 2003 (1.ª edição).

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