sábado, 22 de fevereiro de 2014

«ESCREVER», soneto de Lina Céu

Lina Céu no Palácio Galveias, em Lisboa
(Foto encontrada em http://mariaivonevairinho_na_app.blogs.sapo.pt/)



















É preciso plantar, gerar, escrever
Uma árvore, um filho, uma edição
De quê, de autor? Anónima e sozinha,
Como uma flor humilde, pobrezinha

E que ninguém vai querer cheirar, colher,
Por não ter a chancela ou o brasão?
Um livro, para quê? Se a forma pura
E mais genuína de arte e de loucura

É o acto de escrever e de criar
Em si, por si, sem vício de outra gente
A procurar sentir o que não sente,

A adulterar o caule e a semente
A pôr e a dispor ritmo diferente
A corromper a obra em vez de a amar…

In «Terra Rasgada», de Lina Céu (com prefácio da autora), Papiro Editora, Porto, Abril de 2008 (1.ª edição).

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