quinta-feira, 9 de maio de 2013

A política da água

Imagem retirada de noseaquimica.blogspot.com
Sem sairmos das questões relacionadas com a obtenção de recursos naturais, verificamos que a rivalidade para obtenção de petróleo não é caso único. Em algumas regiões do mundo, as preocupações quanto ao abastecimento de água são igualmente prementes. É de prever que a escassez de água possa vir a ser usada como «instrumento» em conflitos internacionais que tenham começado por qualquer outra razão. Estas questões mostrarão tendência a piorar devido aos efeitos das alterações do clima, que não deixarão certamente de reduzir a quantidade de água disponível em diversas zonas do mundo onde este bem já é escasso.
A «política da água» já tem o seu papel nos conflitos que afectam algumas regiões do mundo, especialmente no Médio Oriente (onde Israel, por exemplo, tomou medidas contra a Síria e o Líbano para assegurar os fornecimentos do rio Jordão). Se os níveis actuais de consumo de água doce estão bem acima do sustentável, a situação tende a piorar. O aumento da população exigirá níveis de abastecimento muito superiores aos actuais, pelo que as tensões deverão acumular-se sempre que mais de um país dependa da mesma água.
A título de exemplo, o Nilo corre através de dez países, onde metade da população vive abaixo da linha de pobreza. Espera-se que a população a viver na bacia do Nilo duplique nos próximos vinte e cinco anos, o que criará novas tensões. O Egipto e o Sudão detêm amplos direitos sobre as águas do rio e têm manifestado relutância em renegociar tratados com outros Estados ribeirinhos.
Outro exemplo do mesmo tipo de tensões é a situação entre Israel e a Palestina, onde ambas as populações dependem do acesso a várias das mesmas fontes de água, especialmente das águas das chuvas que caem sobre os montes da Margem Ocidental.
A água é uma fonte de segurança e prosperidade, mas é um líquido com tendência a escassear, um problema que poderá vir a afectar a produção de bens alimentares em certas zonas, criando tensões capazes de desencadear conflitos armados, a menos que haja uma estrita observância das leis que regulam o seu uso e sejam conseguidos acordos multilaterais para a  gestão dos recursos hídricos.

In «As ameaças do mundo actual», de Chris Abbott, Paul Rogers e John Sloboda (traduzido do original «Beyond Terror», por Saul Barata), Editorial Presença, Lisboa, 2007.

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