terça-feira, 10 de março de 2015

«O rompimento à beira-lágrima», poema de Alexandre O’Neill

Alexandre O’Neill – Foto encontrada em http://8e-vpv.blogspot.pt/

Enquanto a vela respirava,
ela suspirava elanguescida.

Que esvaziava ela com a vela?
Que enchia eu com ela e com a vela?

Tão efluvial, meu deus, a despedida!

No empranchado dessa fragata,
numa panela (ou numa lata?)
a caldeirada
(ao lado, o vergas com o vinho)
que um ganga acocorado, enquanto assobiava,
mexia com um pauzinho.

In «366 Poemas que Falam de Amor», antologia organizada por Vasco Graça Moura, Quetzal Editores, Lisboa, Fevereiro de 2009 (3.ª edição).

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