segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A TRANÇA, poema de Manuel Alegre

Manuel Alegre – Foto retirada de mundopessoa.blogs.sapo.pt  


















Em tua trança eu me enredava mas não era
o trigo e o sol: era uma cor de Renascença
o oiro de Botticelli e a Primavera
em Coimbra que de súbito era Florença.

Ou se calhar era Paris de França
Simone Signoret em risco de ser presa
a Resistência a boina a tua trança
alguém cantava em Casablanca a Marselhesa.

Por tua trança tudo se transfigurava
eu via-te chegar e não te via
via Varsóvia a arder e perguntava
por que razão Coimbra não ardia.

In «Coimbra nunca vista» (poesia), de Manuel Alegre, Publicações Dom Quixote, L.da, Lisboa, 1995 (1.ª edição).

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