segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

«Cavalo e cavaleiro», poema de Harry Martinson

Foto de Harry Martinson retirada de http://sverigesradio.se














Centenas de gerações
tornaram nobre o cavalo árabe
ao serviço de muitos príncipes
                                                [degenerescentes.
Por vezes também as caudas que se agitaram
                                              [por esses déspotas
acabaram por lançá-los no precipício,
enquanto o árabe que carregava o tirano
retesava os cascos no solo e estacava
à borda do abismo.

Assim são os cavalos e outros animais nobres.
Por isso Goya e outros grandes artistas
nos seus retratos de cavaleiros, maior atenção
consagraram ao cavalo
que ao pouco importante ocasional
                                                         [cavalgador,

fosse ele um grosseirão, ou um refinado,
um principiante da sela
ou um veterano dela.

O sonho de reunir com segurança cavaleiro
                                                               [e cavalo
acabou por tornar-se centauro,
cavaleiro que é sua própria montada.

Esse do cavaleiro o desejo sonhado
de não ser nunca derrubado.
                                                                       (Passad, 1945)
                                                                                                             
In «Comboio camuflado», de Harry Martinson (com prefácio, selecção e tradução do sueco por Silva Duarte), 
Colecção Poesia Século XX (n.º4), Publicações Dom Quixote, Lisboa, Dezembro de 1974 (1.ª edição).

Retirado de http://www.arabiantreasuregroup.com.br

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