terça-feira, 13 de setembro de 2016

PORTA, poema de Carlos de Oliveira

Pintura de Magritte

A porta que se fecha
inesperadamente na distância
e assusta o romancista
que descreve o seu quarto de criança
(é difícil dizer
se os velhos arquitectos
que punham tanto amor
na construção do quarto
teriam ponderado com rigor
a escala deste som
e o espaço coagulado
ao fundo do corredor)
a porta que se fecha no passado
sobressaltando a escrita e o escritor.

In «Trabalho Poético», de Carlos de Oliveira, Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa, 1998 (3.ª edição).

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