terça-feira, 13 de setembro de 2016

MAPA, poema de Carlos de Oliveira

Carlos de Oliveira 
(foto encontrada em http://www.andotherstories.org)





















I
O poeta
[o cartógrafo?]
observa
as suas
ilhas caligráficas
cercadas
por um mar
sem marés,
arquipélago
a que falta
vento,
fauna, flora,
e o hálito húmido
da espuma,

II
pensando
que
talvez alguma
ave errante
traga
à solidão
do mapa,
aos recifes desertos,
um frémito,
um voo,
se for possível
voar
sobre tanta
aridez.

In «Trabalho Poético», de Carlos de Oliveira, Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa, 1998 (3.ª edição).

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