sábado, 16 de março de 2013

«S.O.S.», poema de Miguel Torga

Imagem retirada de momentusmomentus.blogspot.com 


















Vai ao fundo o navio,
Mas eu sou o homem da telegrafia,
O que lança nas asas do vazio
O adeus da agonia…

Sei que ninguém acode à íntima certeza
De que tudo acabou quando naufraga
O veleiro do sonho.
Mas honrado poeta sinaleiro
Do destino de quantos aqui vão,
Ponho
A correr mundo o grito derradeiro
Da nossa desgraçada perdição.

In «Cântico do Homem» (poesia), de Miguel Torga, edição do autor, Coimbra, Janeiro de 1974 (4.ª edição).

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