sexta-feira, 18 de setembro de 2015

[Por que se dirige a uma árvore?], excerto de «O Despertar dos Mágicos»

Imagem encontrada em http://anabailune.blogspot.pt/
No seu discurso de recepção na Universidade de Oxford, em 1946, Jean Cocteau conta a seguinte anedota:
«O meu amigo Pobers, professor de uma cadeira de parapsicologia em Utreque, foi enviado em missão para as Antilhas, a fim de estudar o papel da telepatia, correntemente usada entre os selvagens. Se desejam corresponder-se com o marido ou o filho, na cidade, as mulheres dirigem-se a uma árvore e pai ou filho respondem ao que lhes é perguntado. Um dia em que Pobers assistia a este fenómeno e perguntava à camponesa por que motivo se servia de uma árvore, a sua resposta foi surpreendente e apta a resolver todo o problema moderno dos nossos instintos atrofiados pelas máquinas, nas quais o homem delega todo o esforço. Eis a pergunta: «Por que se dirige a uma árvore?» E eis a resposta: «Porque sou pobre. Se fosse rica, teria o telefone».
Certos electroencefalogramas de Yogis em êxtase apresentam curvas que não correspondem a nenhuma das actividades cerebrais conhecidas em estado de vigília ou de sono. Há muitos brancos com bonecos de fantasia sobre o mapa do espírito civilizado: precognições, intuição, telepatia, génio, etc. No dia em que a exploração destas regiões estiver realmente desenvolvida e se tiverem aberto pistas através de diversos estados de consciência ignorados pela nossa psicologia clássica, o estudo das civilizações antigas e dos povos considerados primitivos revelará talvez verdadeiras tecnologias e aspectos essenciais do conhecimento. A um centralismo cultural sucederá um relativismo que nos apresentará a história da humanidade sob uma luz nova e fantástica. O progresso não está em reforçar os parêntesis, mas em multiplicar os traços de união.

In «O Despertar dos Mágicos – Introdução ao Realismo Fantástico», de Louis Pauwels e Jacques Bergier, tradução de Gina de Freitas, Livraria Bertrand, Lisboa, Março de 1980 (11.ª edição).

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