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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

"O outro mundo em nós", colectânea de contos de Joaquim Manuel Pinto Serra

“O outro mundo em nós”, da autoria de Joaquim Manuel Pinto Serra, é a nona obra do autor e completa a trilogia ficcional, na modalidade de conto, de que fazem parte os livros “Estas aparências que nos doem” e “Os novíssimos afectos”, com a chancela da editora Mar da Palavra. A presente obra surge dez meses após a publicação do romance “As palavras sensuais da nossa ausência” (em Fevereiro de 2007).








(…) Desde nova que a morte a atemorizava, sobretudo pelas incertezas de que ela se rodeava: o Inferno de que lhe falavam, o Céu que não entendia, o Purgatório desconhecido que não era carne nem peixe. Tudo isso a intrigara quando andara na catequese. Era agora o imaginário a pressioná-la na solidão dos seus pensamentos finais... Sozinha, casada apenas durante alguns meses, procurara na religião o significado da morte, mas ninguém a convencera do que viria depois. Por isso, não queria morrer... Mas a dúvida persistia em tudo o que ela fazia e em tudo o que ela pensava: estaria mesmo viva ou já teria morrido?
Esse limiar absurdo, tão nítido para toda a gente, mas para ela imperceptível, porventura inexistente, deixava-a tão indecisa que a passagem imaginária se transformara em pesadelo nos seus próprios pensamentos. Com aquela cara de múmia, observada ao espelho, poderia já estar morta e ter ultrapassado o patamar sem se ter apercebido; teria mudado de margem, sem sentir a travessia, entrando num outro mundo com a naturalidade própria de quem vive por viver...
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O AUTOR:
Algarvio, Joaquim Manuel Pinto Serra nasceu em Loulé, onde fez a instrução primária (na antiga Escola Conde de Ferreira) e os dois primeiros ciclos do ensino liceal (no extinto Colégio Infante D. Henrique). Concluiu os estudos secundários em Faro, no então liceu dessa cidade. Em Coimbra, licenciou-se em Medicina e especializou-se em Psiquiatria. Como médico, fez o internato geral nos Hospitais da Universidade de Coimbra e trabalhou no Centro de Saúde de Santa Clara (Coimbra).
Na qualidade de psiquiatra, foi assistente hospitalar no Hospital Psiquiátrico de Sobral Cid (Serviço de Inimputáveis Perigosos do Ministério da Justiça) e chefe de serviço no Centro Psiquiátrico de Recuperação de Arnes, de que foi director (de 1984 a 1996).Exerceu a sua especialidade em Tomar (Centro de Saúde e consultório particular), durante quinze anos. Actualmente, é aposentado da carreira hospitalar e, como profissional liberal, continua a trabalhar em psiquiatria.
É membro de várias associações artísticas e literárias e integra o Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos (SOPEAM).
Publicou cinco livros de poesia e três de ficção. A nona obra do autor – “O outro mundo em nós” – complementa a trilogia, na modalidade de conto, de que fazem parte “Estas aparências que nos doem” e “Os novíssimos afectos”.
Escreveu as obras poéticas “As mãos e o silêncio” (Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres – 1998), “Mágoas de solidão e desassossego” (1.ª Menção Honrosa do Prémio António Patrício da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos – 1998), “Cinco canções de amor para violino e orquestra” (Prémio António Patrício da SOPEAM – 2000), “De passagem para o outro lado da ternura” (Menção Honrosa do Concurso Arte na Medicina da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos – 2003) e “Pelas margens da serenidade” (Prémio António Patrício da SOPEAM, em 2004), editado em Novembro de 2005, com a chancela da Mar da Palavra. É autor das colectâneas “Estas aparências que nos doem” (1.ª Menção Honrosa do Concurso Nacional de Conto Manuel da Fonseca – 2004) e “Os novíssimos afectos” (Menção Honrosa do Prémio Literário Paul Harris – 2005), também editados pela Mar da Palavra (Dezembro de 2004 e Maio de 2006). A presente obra – “O outro mundo em nós” – completa a trilogia ficcional na modalidade de conto, dez meses após a publicação do romance “As palavras sensuais da nossa ausência” (em Fevereiro de 2007).Está representado na obra “Louvor a Cascais – Antologia em prosa e poética do passado ao presente” (2003).
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FICHA TÉCNICA:
Livro: O outro mundo em nós
Autor: Joaquim Manuel Pinto Serra
Capa: Pintura a óleo “Bailado”, de Maria Luísa Reimbau
Editora:
 Mar da Palavra - Edições, Lda.
Colecção: Cais da Ficção (N.º 5)
PVP:
 17,67 €
N.º de páginas:
 200
Formato:
 13,0 x 19,0 cm
ISBN:
 972-8910-31-0 (EAN: 978-972-8910-31-0)

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Registo de notícias e outras referências:

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

AO SABOR DAS PEQUENAS COISAS, romance de Joaquim Manuel Pinto Serra

PRÉMIO LITERÁRIO FIALHO DE ALMEIDA 2012, pela Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos (SOPEAM)


Os ponteiros dos relógios imprimiam à reunião, nesses enfadonhos instantes, um ritmo muito mais lento, tão lento como os bocejos que, por vezes, aconteciam. No próximo ano, se fossem vivos, lá estariam, de novo, para uma hora de recordações e outra de muita saudade. E cinco minutos, no fim, para se encorajarem uns aos outros, sobretudo aos que a vida tinha oferecido um qualquer infortúnio. Depois, muitos sorrisos generosamente cedidos com acalorados abraços e votos de felicidades. Para o ano, tudo continuaria na mesma... E isso era um sinal inequívoco de que muitos marcariam, mais uma vez, as suas presenças para lembrar as aulas em que todos eram felizes. E as miúdas que engatavam, os castigos que sofriam, as malandrices inventadas em noites que se prolongavam pelas madrugadas distantes, quando a poesia sonhava e tudo ainda sorria. Até um regresso a casa pelas mãos da bebedeira. E muita, muita alegria...
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O AUTOR:
Médico psiquiatra e escritor, Joaquim Manuel Pinto Serra movimenta-se entre Coimbra (sua terra adoptiva), Lisboa (onde permanece regularmente durante os dias necessários à sua ânsia de cultura, em tertúlias de arte e de convívio) e Loulé (sua terra natal).
Este seu romance (o segundo), depois dos onze livros já publicados, desvia-se da linha tradicional e literariamente comedida a que se entregara nas anteriores obras de ficção, embora, nos seus contos, já se descobrisse a ironia que lhes está subjacente e, nos últimos, a irreverência no modo de confrontar os leitores com a realidade menos puritana da sociedade.
Nesta sua nova experiência literária, expressa-se livre de preconceitos hipócritas, ao observar o outro lado da vida e ao retratá-la bem longe, certamente, da sensibilidade e da musicalidade da sua poesia. Nunca esquecendo que ambas as realidades se complementam no desejo natural e emocionante que é a arte de viver.
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BIBLIOGRAFIA:
É autor das publicações “As mãos e o silêncio” (Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres – 1998), “Mágoas de solidão e desassossego” (1.ª Menção Honrosa do Prémio António Patrício da SOPEAM – 1998), “Cinco canções de amor para violino e orquestra” (Prémio António Patrício da SOPEAM – 2000), “De passagem para o outro lado da ternura” (Menção Honrosa do Concurso Arte na Medicina da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos – 2003) e “Pelas margens da serenidade” (Prémio António Patrício da SOPEAM – 2004), já com chancela da Mar da Palavra, em Novembro de 2005. É autor das colectâneas “Estas aparências que nos doem” (1.ª Menção Honrosa do Concurso Nacional de Conto Manuel da Fonseca – 2004), “Os novíssimos afectos” (Menção Honrosa do Prémio Literário Paul Harris – 2005), também editadas pela Mar da Palavra (Dezembro de 2004 e Maio de 2006). A obra “O outro mundo em nós”, publicada em Fevereiro de 2007, completa a trilogia ficcional na modalidade de conto, dez meses após a publicação do romance “As palavras sensuais da nossa ausência”. Em Junho de 2008, experimenta a literatura juvenil, em co-autoria com Maria Armanda Tavares Belo, com o livro “Uma professora ao canto do olho”. Com “Marginalidades e alguns poemas de amor”, a sua décima primeira obra publicada (em Abril de 2009), J. M. Pinto Serra regressou às origens da sua escrita e da marca poética, assumindo um tom coloquial, ao jeito de quem conversa com os leitores. Está representado na obra “Louvor a Cascais – Antologia em prosa e poética do passado ao presente” (2003).
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Ilustração da capa:
Pormenor do cartaz Salon des Cents, de Alfons Mucha (1896).
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NOTA DA EDITORA:
A linguagem, por vezes, crua e áspera e algumas situações aparentemente excêntricas, neste romance de Joaquim Manuel Pinto Serra, convidam à chamada de atenção na cinta do livro: LEITURA EVENTUALMENTE CHOCANTE…
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Registo de notícias e outras referências:
http://issuu.com/campeaodasprovincias/docs/jornal553_23_12_2010
http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:f0Qxq_WFLucJ:www.sequimcitywalk.com/article-ao-sabor-das-pequenas-coisas-romance-de-joaquim-manuel-pinto-serra.html+%22ao+sabor+das+pequenas+coisas%22&cd=6&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt
http://ospoetasdaapp.blogs.sapo.pt/286111.html
http://cultura.centralblogs.com.br/post.php?href=convite+do+associado+joaquim+manuel+pinto+serra&KEYWORD=27074&POST=3871458&
http://onlinebackupv.posterous.com/convite-do-associado-joaquim-manuel-pinto-ser
http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=115624
http://www.planetalgarve.net/index.php?option=com_content&view=article&id=220%3Aloule--apresentacao-do-livro-ao-sabor-das-pequenas-coisas-de-joaquim-manuel-pinto-serra&catid=22%3Anoticias&Itemid=66&lang=pt
http://mlking.cmhttp://estrolabio.blogs.sapo.pt/tag/loul%C3%A9-loule.pt/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=5317
http://nlusofonia.blogspot.com/2011/02/apresentacao-do-romance-ao-sabor-das.html
http://www.wook.pt/ficha/ao-sabor-das-pequenas-coisas/a/id/10300666
www.bibliofeira.com/livro/764697442
http://www.sequimcitywalk.com/article-ao-sabor-das-pequenas-coisas-romance-de-joaquim-manuel-pinto-serra.html
http://www.destakes.com/redir/8b8b4f8b5bccc27bde6f5e0498ff886c
http://www.carteia.pt/pagina/edicao/15/54/noticia/1367
http://pesquisabmc.cm-coimbra.pt/docbweb2/plinkres.asp?Base=ISBD&Form=COMP&StartRec=0&RecPag=5&NewSearch=1&SearchTxt=%22TI%20Ao%20sabor%20das%20pequenas%20coisas%20:%20romance%22
http://webcache.googleusercontent.com/search?hl=pt-PT&q=cache:MOIbCJhA1REJ:http://m.sapo.pt/search/?t=news&q=De+la+guerre+%22Ao+sabor+das+pequenas+coisas%22&ct=clnk
http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=45133
http://estrolabio.blogs.sapo.pt/1476991.html
http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:_DVxPDU94NoJ:triplov.com/triplo2/2011/05/26/convite-do-socio-joaquim-manuel-pinto-serra-2/+%22Ao+sabor+das+pequenas+coisas%22&cd=19&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt&source=www.google.pt
http://onlinebackupv.posterous.com/convite-do-socio-joaquim-manuel-pinto-serra
http://letraseconteudos.blogspot.pt/2012/05/medico-e-escritor-de-lamego-andre_24.html
http://estrolabio.blogs.sapo.pt/tag/loul%C3%A9

sexta-feira, 14 de maio de 2010

"Cento e cinquenta anos de matrimónio", de Teresa Sousa Fernandes

Os homens escasseavam para o baile, mas todos dançaram, com par ou sem ele, até à exaustão. A festa que eu sempre imaginei, embora tardia, diferente, mas mesmo assim animada, tudo por amor… Até filmagens para a posteridade!
De rastos, rumámos aos quartos, tão cansados que ninguém teve curiosidade para espiar os noivos, nem os próprios se espiaram.
Felizes, mal tiveram tempo de se abraçar no leito que estava cuidado com pétalas de flores, muitas pétalas.
Foi um sono profundo até de madrugada.
Cento e cinquenta anos de matrimónio.
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AUTORA:
Maria Teresa Matos Pereira Sousa Fernandes – É assistente graduada de Obstetrícia nos Hospitais da Universidade de Coimbra (Maternidade Dr. Daniel de Matos). Nasceu em Viseu, cidade onde concluiu os estudos até ingressar no curso de Medicina na Universidade de Coimbra.
Em Outubro de 1986, obteve o Prémio Revelação (Ficção) da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos (SOPEAM) com o seu primeiro livro "A outra face da urgência... ou... casos reais de uma maternidade". Em 1991, publicou a obra "O trágico da comédia... ou... o cómico da tragédia" e, em Setembro de 2000, o seu terceiro livro "Mulheres e Mulheres, L.das".
Em Dezembro de 2003 e em Novembro de 2005, a autora publica, já sob a chancela da Mar da Palavra, as obras "A Dolores e o taxista ou... a Joana e os homens" e "Poesia… ou talvez não".
Em Março de 2007, com o livro – "Homens… ou racionais poligâmicos" –, a autora prossegue a sua linha narrativa, de forma simples e directa, a partir de situações da vida real que identifica, numa entrega apaixonada, dando vida a uma espécie de "fix-up", servindo-se de um conjunto de pequenas histórias que funcionam independentemente mas que se interligam para contar uma história maior.
Nove meses depois (Dezembro de 2007), nasceu a colectânea poética "Nem título… nem índice".
Agora, é a vez do livro "Cento e cinquenta anos de matrimónio".
Estas publicações tiveram e têm os lucros dirigidos a instituições carenciadas da cidade de Coimbra.
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FICHA TÉCNICA:
Livro: Cento e cinquenta anos de matrimónio
Autor: Teresa Sousa Fernandes
Capa: Reprodução de pintura de Ana Rosmaninho
Ilustração interior: Reprodução de quadros da pintora Maria Celeste Bértolo Ivo.
Editora: Mar da Palavra - Edições, Lda.
PVP: 10,60 €
N.º de páginas: 48
Formato: 13,0 x 19,0 cm
ISBN: 972-8910-47-1 (EAN: 978-972-8910-47-1)

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Registo de notícias e outras referências:

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

"Marginalidades e alguns poemas de amor", de Joaquim Manuel Pinto Serra (com fotografia de Maria das Dores Borges de Sousa)


Com esta sua décima primeira obra publicada, Joaquim Manuel Pinto Serra regressa às origens da sua escrita e da marca poética, desta vez assumindo um tom coloquial, ao jeito de quem conversa com os leitores. E mesmo tratando-se de uma poesia intimista, a linguagem literária do escritor manifesta, de forma peculiar, um elevado valor expressivo e harmonia musical, sendo, ao mesmo tempo, de fácil compreensão e de agradável leitura. Isto deve-se, sem dúvida, à paciência, à persistência e também ao engenho com que o poeta trabalha a palavra.
Como é conhecido, na linguagem, cada substantivo, adjectivo, advérbio ou forma verbal tem dois significados: o pessoal (que é único, pois pertence à pessoa que usa a palavra) e o significado comum (sendo, por isso, partilhado com as outras pessoas).
Nesta conformidade, o poeta Joaquim Manuel Pinto Serra sabe cativar o outro – ou seja, o leitor – porque, não obstante a estilística (com as suas figuras de sintaxe, de pensamento e as suas imagens literárias), preserva as quatro qualidades fundamentais da linguagem: a clareza, a correcção, a pureza e a harmonia.
Assim, a obra “Marginalidades e alguns poemas de amor” garante uma intenção estética, mas também coloca em jogo os recursos de que o escritor se serve para expressar o que lhe vai na alma e no pensamento, além das suas reacções emotivas perante a vida e o próprio sentido da vida, naturalmente polissémica e cheia de surpresas, como quem desfolha um livro de poesia. A sociedade e a linguagem são, indiscutivelmente, os primeiros produtos da cultura, sendo esta a verdadeira extensão de cada um de nós, enquanto homens e mulheres que agem, fazem e sabem. E o escritor Joaquim Manuel Pinto Serra, que tem experimentado os mais diversos géneros literários, incluindo a escrita para um público juvenil, arroga-se como um co-responsável cultural. Daí a sua ansiedade e a sua perplexidade de cada vez que publica um livro, que é o suporte material do saber e da imortalidade, da utopia e da loucura, do disfarce e da aparência, do sonho e da ilusão, da solidão e da intranquilidade e também do segredo e da ausência – temas que dão significado às seis partes que organizam a obra “Marginalidades e alguns poemas de amor”
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PALAVRAS DE APRESENTAÇÃO:
O livro Marginalidades e alguns poemas de amor, de Joaquim Manuel Pinto Serra, é constituído por seis conjuntos de sete poemas cada um – conjuntos esses que apresentam títulos em dísticos começados com a preposição de, à maneira dos antigos autores clássicos, além de terem as segundas linhas ou versos mais longos: e.g. “do saber / e da imortalidade”, “da utopia / e da loucura”, “do sonho / e da ilusão”, “da solidão / e da intranquilidade”.
Trata-se de um livro que vive da nostalgia de um amor que é ausência e que a memória revive e desfia – memória que tanto relevo tinha entre os antigos Gregos, a ponto de considerarem ter sido da união de Mnemósine (a Memória) com Zeus, o próprio pai dos homens e dos deuses, que nasceram as Musas, ou seja, a poesia. E a sublinhar essa sensação de perda e de vazio, na colectânea, são frequentes termos como memória, solidão, ausência, espera, saudade. Repare-se neste dístico do poema da página 18: cobrem-nos de sabedoria estas paredes vaziase nelas existem fantasmas de solidão e de espantoou nestes versos-estrofe, um a concluir o poema 3 (pág. 19) e o outro como penúltima estrofe da composição 4 (pág. 20), respectivamente: “e desassossegos de longas esperas” e “um olhar ausente”. Ou pode ser “e o segredo intransponível de uma ruga” ou “um oásis a morar em nós / na dor oculta” (pág. 22). Aliás – o que não deixa de ser significativo –, solidão e ausência fazem parte do título das secções 5 “da solidão / e da intranquilidade”) e 6 (“do segredo / e da ausência”) do livro. Pode ser bom exemplo dessa ausência o poema da página 20 que alude à folha em branco em que se escreve, onde as palavras “são dicionários de espuma e de saber”. Apesar disso, nessa escrita “mudam-se emoções” e os afectos, um mundo em movimento que é mentira, “um olhar ausente / uma dor infinda”. Por sistema, os poemas começam por estrofes de dois ou mais versos (três ou até quatro) e terminam quase sempre por estrofes de um único verso, também quase sempre curto, de uma ou duas palavras apenas. Apetece chamar-lhe conclusão sincopada, como soluço de quem se sente cansado. Pode ser um bom exemplo a primeira composição do livro (pág. 17), de seis estrofes, que se inicia com três estrofes de três versos, passa por uma de dois e apresenta apenas um em cada nas duas finais.Muito raros são os poemas que terminam por verso extenso. E curioso se torna verificar que tal acontece com o último da colectânea, em que impera a memória da ausência e conclui com o verso “esperando em tons de azul o teu regresso”, verso longo que aparenta derradeiro esforço de esperança, qual náufrago que tenta última braçada. Mais uma ou duas observações sobre aspectos formais do livro – que, no entanto, podem ter relação com o ritmo interior do autor. Por exemplo, é curioso – e talvez até significativo – que os poemas, com frequência, aparecem constituídos por sete estrofes. Há mesmo uma secção, a quarta, com o título “do sonho / e da ilusão”, em que os poemas ímpares são formados por sete estrofes e os pares por seis. Trata-se de um ritmo heptástico que é próprio do autor – aliás, integrado no filão a que Trindade Coelho chamou “O Senhor Sete”. Também poderíamos apelidar de hebdomadário, porque tem muito a ver com o suceder semanal do tempo, embora Joaquim Manuel Pinto Serra me tenha confessado que não procurara deliberadamente esse número de poemas e de estrofes.
Se o livro "Marginalidades e alguns poemas de amor" se impõe por certas características formais, deixa ainda mais a sensação geral de transitoriedade, de fragilidade, de precariedade. Tudo flui e passa. E tal nos aparece em poemas, como o 2 da secção 1 (pág. 18), uma composição bem conseguida, cuja conclusão pela palavra vento, em estrofe isolada, é feliz e deixa a mensagem em suspenso, como que a pairar. Ou ainda mais no poema 3 da secção que tem por título “do disfarce / e da aparência” (pág. 35), em que “somos barcos que se movem ao sabor de um rio / onde naufragam”, em que cada um está de passagem a procurar “onde o mar acaba e a lágrima corre”, e uma lágrima que está “apenas em viagem / para uma outra margem”.
Essa fragilidade está evidente na última composição da primeira secção (pág. 23), em um conseguido poema em que as coisas ditas, boas e agradáveis, são trazidas pelo tempo, voláteis. Nele paira a sensação de fragilidade, de algo efémero, com o final feliz de descanso extasiado na eternidade “a viver a magia imaculada / de um momento”.

José Ribeiro Ferreira
Coimbra, Páscoa de 2009
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FICHA TÉCNICA:
Livro: Marginalidades e alguns poemas de amor (apresentação de José Ribeiro Ferreira)
Autor: Joaquim Manuel Pinto Serra
Fotografia (capa e interior): Maria das Dores Borges de Sousa
Editora: Mar da Palavra - Edições, Lda.
Colecção: Poemar (N.º 5)
PVP:12,72 €
N.º de páginas: 74
Formato: 13,0 x 19,0 cm
ISBN: 972-8910-38-9 (EAN: 978-972-8910-38-9)
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Registo de notícias e outras referências:
www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=99944
appoetas.blogs.sapo.pt/14032.html

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

"Uma professora ao canto do olho", de Joaquim Manuel Pinto Serra e Maria Armanda Tavares Belo


“(...) Quando terminei a leitura de mais este capítulo, depois de pensar um pouco, comentei para o meu avô, perplexo: – Gostei da maneira inteligente como ela encarou a sua aposentação... – E, no fundo, a preparou, escrevendo contos para crianças. É um modo interessante de continuar com elas, sobretudo quando se gosta delas, como ela gostava... E de as continuar a compreender, como sempre as compreendeu... De viver o seu mundo... pela escrita. Terminou a sua vida activa de professora como começou, entregando-se ao seu grande amor: o ensino de jovens, especialmente os mais carenciados e difíceis. Para mim, ela deu-me, passados todos estes anos, a sua última lição: a da sensibilidade.
Uma nova lágrima apareceu ao cantinho do olho do meu avô. E a sua professora lá estava, como sempre, alongando-se pelo rosto, devagarinho, muito devagarinho...
– Vamos prosseguir, Jorge! – a sua comoção era evidente, deixando-o entristecido.
Eu tentei disfarçar quanto pude. Confesso que também estava comovido... Talvez por ver aproximar-se do fim uma vida que valera a pena: a da antiga professora do meu avô!
– Mas, avô, eu já terminei a leitura. Não estejas triste, está bem? Havemos de ir a Lisboa mais vezes, falar com a tua antiga professora, pois gostei muito dela, principalmente depois de termos lido e comentado o seu manuscrito. (...)”
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OS AUTORES:

Joaquim Manuel Pinto Serra é algarvio – natural de Loulé – e reside em Coimbra.Médico psiquiatra, foi assistente hospitalar no Hospital Psiquiátrico de Sobral Cid (Serviço de Inimputáveis Perigosos do Ministério da Justiça) e chefe de serviço no Centro Psiquiátrico de Recuperação de Arnes, de que foi director (de 1984 a 1996).
Actualmente, está aposentado da carreira hospitalar e continua a exercer a sua especialidade, como profissional liberal.
É membro de várias associações artísticas e literárias e integra o Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos. Publicou cinco livros de poesia, três de contos e um romance.

Maria Armanda Tavares Belo é algarvia – natural de Faro – e reside em Lisboa.Professora do Ensino Básico e de crianças deficientes, dedica-se, desde a sua aposentação, à literatura para a infância e à poesia.
Frequentou o Curso de Filologia Clássica da Faculdade de Letras de Lisboa, o Curso de Surdos do Instituto Jacob Rodrigues Pereira, na Casa Pia de Lisboa, e trabalhou no Centro de Apoio a Crianças Deficientes de Audição e Fala, da Junqueira. Exerceu o magistério durante oito anos, no Instituto de Meios Audiovisuais, como monitora e coordenadora do Posto Piloto da Telescola. É membro de algumas associações literárias. Publicou quatro obras de literatura para a infância, uma de poesia e uma biografia póstuma do seu tio, maestro Tavares Belo.
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

"Nem título... nem índice", de Teresa Sousa Fernandes (com posfácio de José Miguel Fernandes)


Com o livro "Nem título… nem índice", nove meses depois da publicação da obra "Homens…ou racionais poligâmicos", Teresa Sousa Fernandes regressa com a força solidária e desempoeirada da sua escrita, reunindo um grupo de profissionais da saúde com reconhecidas capacidades artísticas em torno desta colectânea poética cujos textos originais, dispersos no tempo e no recato dos sentimentos, tiveram e continuam a ter destinatário próprio.

Esta obra é ilustrada por Fernando Jorge Pratas dos Reis Costa, Maria Dulce Zamith Cerveira de Moura Abreu, Georgina Silva Sousa Gonçalves, Maria Clara Gonçalves Morais Rodrigues, José António Lobão Alves de Figueiredo e por Maria da Visitação Oliveira Rodrigues Monteiro.
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APRECIAÇÃO CRÍTICA:
Como filho, sou suspeito, é certo. Como homem, ou “racional poligâmico”, perco naturalmente toda a credibilidade, caindo indefeso no meio de uma qualquer estória trágica, certamente cómica, a que a minha mãe nos habituou. Mas vou tentar…
Na verdade, o bom humor é o melhor tónico para suportar as angústias e os dissabores de uma vida, que se quer longa e saudável. Como diria Woody Allen, “a realidade é chata, mas ainda é o único lugar onde se pode comer um bom bife”.
É esse o espírito subjacente à obra da Teresa, onde a boa disposição habita, lado a lado, com a denúncia de uma realidade por vezes chata, declamada numa voz solidária e humanista, sem qualquer tipo de preconceito.Neste novo livro, há um pouco de todos nós, os fiéis satélites que giram incansavelmente à sua volta. Bem à vista, o actual centro das atenções, a mais recente descoberta num universo tão especial: o Vasquinho, primeiro neto, a abrir o caminho para os demais.
E o planeta Teresa está cada vez mais belo, ostentando um brilho intenso, onde a terra firme é novamente rasgada por rios de poesia. Sorri, lá no alto, piscando o olho à maior das estrelas, a pouco mais de sete anos de viagem, gigante, o meu pai.
Nem título… Nem índice… Mas com posfácio!

José Miguel Fernandes
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A AUTORA:
Maria Teresa Matos Pereira Sousa Fernandes é assistente graduada de Obstetrícia nos Hospitais da Universidade de Coimbra (Maternidade Dr. Daniel de Matos). Nasceu em Viseu, cidade onde concluiu os estudos até ingressar no curso de Medicina na Universidade de Coimbra. Em Outubro de 1986, obteve o Prémio Revelação (Ficção) da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos (SOPEAM) com o seu primeiro livro "A outra face da urgência... ou... casos reais de uma maternidade". Em 1991, publicou a obra "O trágico da comédia... ou... o cómico da tragédia" e, em Setembro de 2000, o seu terceiro livro "Mulheres e Mulheres, L.das." Em Dezembro de 2003 e em Novembro de 2005, a autora publica, já sob a chancela da Mar da Palavra, as obras "A Dolores e o taxista ou... a Joana e os homens" e "Poesia… ou talvez não". Em Março de 2007, com o livro "Homens… ou racionais poligâmicos", a autora prossegue a sua linha narrativa, de forma simples e directa, a partir de situações da vida real que identifica, numa entrega apaixonada, dando vida a uma espécie de fix-up, servindo-se de um conjunto de pequenas histórias que funcionam independentemente mas que se interligam para contar uma história maior. Nove meses depois (Dezembro de 2007), nasce a presente colectânea poética "Nem título… nem índice".
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FICHA TÉCNICA:
Livro: Nem título… nem índice
Autor: Teresa Sousa Fernandes
Capa: Foto da autoria de Fernando Jorge Pratas dos Reis Costa
Editora:
 Mar da Palavra - Edições, Lda.
PVP:
 12,72 €
N.º de páginas:
 64
Formato:
 13,0 x 19,0 cm
ISBN:
 972-8910-30-3 (EAN: 978-972-8910-30-3)

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

"Homens... ou racionais poligâmicos", de Teresa Sousa Fernandes (com prefácio de Joaquim Manuel Pinto Serra)

Este livro é ilustrado por Maria Isabel da Costa e Almeida Matos, David Rebelo, Fernando Jorge Pratas dos Reis Costa, Maria Clara Gonçalves Morais Rodrigues, José António Lobão Alves de Figueiredo e por Maria Dulce Zamith Cerveira de Moura Abreu.
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"Homens… ou racionais poligâmicos", da autoria de Teresa Sousa Fernandes, obra com a chancela da Mar da Palavra, prossegue a linha narrativa da escritora, de forma simples e directa, a partir de situações da vida real que identifica numa entrega apaixonada. Assim, a autora dá vida a uma espécie de "fix-up", servindo-se de um conjunto de pequenas histórias que funcionam independentemente mas que se interligam para contar uma história maior, dando a conhecer originais e reaproveitando textos previamente publicados.
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APRECIAÇÃO CRÍTICA:
Desde sempre, os jogos do amor, ou melhor, os jogos da sedução têm preenchido as análises literárias, psicológicas e psicopatológicas de quase todos os escritores, através dos tempos. Conforme as limitações sociais, políticas, morais e religiosas, eles têm-nos dissecado e interpretado, resolvendo-os com múltiplas soluções, muitas vezes desesperadas, outras nem tanto… Mas envolvendo-as de doce encanto e poéticas intenções. Mudam-se os tempos, mudam-se as soluções… E temos de novo, aqui e agora, em pleno século XXI, Teresa Sousa Fernandes, com a mestria pós-moderna de uma saudável loucura, a redistribuir as peças no tabuleiro de um jogo interminável, prenhe de ironia e sensualidade, mas muito mais sociável e desinibido do que outrora.
Não compete a um prefaciador induzir o leitor… E muito menos encaminhá-lo na leitura da obra que lê. Sobretudo, quando essa obra é tão difícil de catalogar como esta que estamos a prefaciar, neste momento. Teresa Sousa Fernandes mostra-nos, como em obras anteriores, o seu salutar desprendimento, ao tratar os jogos da sedução com a perspicácia que lhe é peculiar. “Loucura…”, dirão alguns, os mais propensos a socorrerem-se da psiquiatria para definir os novíssimos tempos. “Intriga…”, dirão outros tantos, os mais desatentos e indisciplinados nas correrias pela saudade e pelo bom senso. “Aberta e desempoeirada…”, dirá o prefaciador, ao considerá-la desprovida de falsos moralismos e inusitados pudores, tão desnecessários e falsos como obscenos.
Já não se morre de amor? E de infidelidade? Os jogos tornaram-se pragmáticos, em surpreendentes matizes de cómoda e real racionalidade? E as poligâmicas vontades substituíram as enigmáticas dúvidas, dando lugar a outras mais criativas soluções? Teresa Sousa Fernandes equaciona tudo isto, mas não desvenda. Porque deixa – aos leitores e à loucura salutar de cada um – o desadormecimento do seu subconsciente, em polémicas intenções e agradáveis subtilezas.A autora baralha-nos o jogo e mostra-nos os hábeis bluffs, idealizados por um oportuno xeque-mate que intencionalmente se eterniza.
Teresa Sousa Fernandes, uma irónica observadora, sorri do seu próprio humor e oferece-nos, com inovadores propósitos, um passeio pela sabedoria e pelo talento, iniciando-nos num jogo que não tem fim, porque é eterno, de todos os tempos e de todas as gerações…

Joaquim Manuel Pinto Serra
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CAPA: Reprodução do quadro "- La più bella sera! / - Con te, alle otto", de Maria Isabel da Costa e Almeida Matos Godinho

"As palavras sensuais da nossa ausência", romance de Joaquim Manuel Pinto Serra


"As palavras sensuais da nossa ausência", da autoria de Joaquim Manuel Pinto Serra é o oitavo livro do escritor e a quarta obra da colecção “Cais da ficção” da editora Mar da Palavra.
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(…) Chegaram a uma sexta-feira, no dia 8 de Outubro. Raul sabia que, contando com os seis dias para a viagem de regresso, apenas estaria em Urekinus vinte e cinco dias. Estava tudo calculado e combinado com Margarida. Mas ele receava que, por motivos imprevistos, não pudesse regressar na altura programada. E exasperava-se por isso, quando pressentia essa hipótese. Ela sossegava-o, dando-lhe algumas certezas. Contudo, ele mantinha as dúvidas que o sobressaltavam... e sofria, só de pensar que tal pudesse suceder…
Na véspera da chegada, reuniram-se todos ao jantar e confraternizaram num ambiente alegre e descontraído, o que sensibilizou Raul. Principalmente, por terem falado em Português... E por lhe terem desejado, numa troca de brindes, as maiores felicidades no trabalho que iria realizar. Desde então, ele ficou a meditar sobre a hipótese de eles não serem tão insensíveis como, de início, tinham deixado antever. O que dava razão a Margarida quando ela os desculpara pelas suas atitudes enfáticas e distantes. Arrependia-se, nesses momentos, de não ter colaborado um pouco mais... Talvez que o defeito fosse também dele! Mas teria ainda muito tempo para provar que os habitantes da Terra, quando queriam, também eram afáveis e educados.
Era meio-dia quando lhe disseram que a nave tinha chegado ao planeta Urekinus. Causou-lhe admiração verificar que os ponteiros do seu relógio continuavam a funcionar, como se uma viagem intergaláctica não se tivesse realizado durante seis dias, a uma velocidade inimaginável! Para ele, dois ou três meses antes, seria um absurdo. Mas, naquela altura, era aliciante e confortável... Porém, estava apenas no princípio e tudo poderia ainda acontecer...
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

"Os novíssimos afectos", colectânea de contos de Joaquim Manuel Pinto Serra


"Os novíssimos afectos", da autoria de Joaquim Manuel Pinto Serra, obra que mereceu a Menção Honrosa do Prémio Literário Paul Harris – 2005, é o terceiro livro da colecção “Cais da ficção” da editora Mar da Palavra.
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(...) Era o início da avalanche repercutindo-se nas cedências e nas intenções dos afectos mais audazes de dois casais unidos por uma extraordinária amizade e por uma intimidade insolúvel, repleta de incertezas.
Foi com a maior naturalidade, própria dos tempos novíssimos, que os quatro aceitaram, após uma noite de copos e de algumas discotecas, o que era óbvio e preciso: estavam todos apaixonados, embora por pessoas diferentes!... A vida trocara-lhes as voltas e os projectos iniciais tinham sofrido alterações, quando eles menos esperavam... Como peças de um xadrez, deixavam-se movimentar, mudando apenas de casa os peões no tabuleiro... Ocupavam novos lugares, mas a vida continuava, até que o xeque-mate viesse, irreversível e inesperado, pôr um fim naquele jogo que estava só no começo. Para quê, então, os dramas da separação tão em voga?... O mundo era imperturbável, tudo continuaria na mesma. Apenas alguns ajustes em frases mais renovadas, metódicas, muito sinceras, sem amuos desnecessários, neste planeta admirável, visto de um modo diferente..., com muita condescendência, e onde a transitoriedade da vida impõe regras maleáveis, inúteis, quase obscenas...
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CAPA: Reprodução de pintura de Olga Pragana

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

«Poesia... ou talvez não», de Teresa Sousa Fernandes (com prefácio de Telo de Morais e ilustrado por Dulce Zamith)


(...) O título “Poesia... ou talvez não” certamente que deixa ao critério do leitor a classificação do género adoptado. Escrita que, na totalidade, se desenrola por estrofes, próprias do versejar, depõe a favor de poesia. Porém, porque o tema se cinge e se basta no contar uma estória, dir-se-ia tratar-se de prosa; mas o intimismo, a sensibilidade ressumbrante, conferem-lhe o cunho de prosa poética. Actualmente, entre poesia, na acepção clássica, já em desuso, e prosa bem doseada de emoções e afectos, cadinho de sentimentos, será que existem fronteiras demarcadas?
Teresa Sousa Fernandes, no seu estilo ágil e desenvolto, rico de experiências, sempre atenta ao mundo que a rodeia, escalpeliza-o com argúcia e na própria realidade colhe secretos enredos que nos seduzem e aguçam a curiosidade. Regra geral, mais ou menos dissimulado, lá se encontra uma pitada de humor, bem necessário condimento no desfiar da intriga. Com ou sem razão, não importa, quando lemos esta autora de vincada personalidade, acodem-nos sempre à memória os escritores Mário Zambujal e Dinis Machado, cada qual com as suas características pessoais. (...)
Telo de Morais
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FICHA TÉCNICA:
Livro: Poesia… ou talvez não
Autor: Teresa Sousa Fernandes
Capa e interior: Ilustração de Dulce Zamith
Editora:
 Mar da Palavra - Edições, L.da
PVP:
 10,60 €
N.º de páginas:
 56
Formato:
 13,0 x 19,0 cm
ISBN:
 97289810118 (EAN: 97897289810118)
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Registo de notícias e outras referências:
http://guitarradecoimbra.blogspot.com/2005/11/homenagem-annette-dalmeida.html
http://www.tempomedicina.com/noticias/12724

«Pelas margens da serenidade», de Joaquim Manuel Pinto Serra (com prefácio de Maria José Leal e de Amadeu Teles Marques)

Este livro de poemas faz reafirmar a ideia de que o autor se revela um conhecedor exímio e um narrador hábil das profundezas da natureza humana.Os seus poemas transportam-nos para um universo de memórias sensoriais, de registos de sons, de cores, de sensações; o que os torna, de algum modo, apontamentos para uma gramática das emoções. Por outro lado, falam-nos do tempo: veja-se que o livro se divide em quatro partes que correspondem às estações do ano. Mas o tempo de que nos fala não é o tempo concreto, linear, do calendário. É um tempo psicológico e cíclico. Conjugam-se, assim, duas vertentes: os poemas de Joaquim Manuel Pinto Serra são, ao mesmo tempo, intimistas e universalistas. Intimistas porque todos os seres humanos vivenciam esta segunda dimensão da temporalidade – a que não é marcada pelo relógio. Universalista porque, na nossa existência e na nossa memória, todos atravessamos várias primaveras, verões, outonos e invernos, metáforas que o autor escolheu para transmitir estados de alma.
Se isto não bastar para vos aliciar para a leitura de “Pelas margens da serenidade”, diga-se ainda que toda esta riqueza dos poemas vem servida numa linguagem poética subtil, sóbria e contida (o que parece ser uma das marcas do autor) e embalada numa bonita capa, com uma pintura da autoria de Maria das Dores Borges de Sousa. Dizem os especialistas do "marketing" que a embalagem também conta!
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CAPA: Ilustração de Maria das Dores Borges de Sousa
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Registo de notícias e outras referências:
http://www.tempomedicina.com/noticias/12724

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

"Estas aparências que nos doem", colectânea de contos de Joaquim Manuel Pinto Serra (com prefácio de Helena Rainha Coelho)



A obra que mereceu a 1.ª Menção Honrosa do Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca (edição de 2004) é o livro que abre a colecção “Cais da Ficção” da editora Mar da Palavra. São nove os contos que compõem este livro e, em todos eles, estão representadas as vivências profissionais do autor, as suas preocupações humanistas, a sua ternura pelo ser humano frágil, solitário, quase sempre na decadência da idade. Pessoas do nosso quotidiano, que conhecemos e com quem nos cruzamos sem as vermos. Mas vê-as e compreende-as Joaquim M. Pinto Serra, tratando-as com carinho, mesmo quando deixa transparecer a ironia crítica, sempre presente em todos os seus contos.
As suas personagens são, na maioria, mulheres a quem a idade, o desencanto e as frustrações de uma vida que pouco teve para lhes dar e quase nada lhes prometeu, mas que o autor recria com autenticidade. Mulheres incapazes de sonhar, que já nada esperam e, pior, nem passado têm, com memórias que valha a pena recordar. Tão pouco desfrutaram; tão pouco desejam!
Não se pense que “Estas aparências que nos doem” é um livro que deixa o leitor tão desencantado quanto as personagens que o perpassam. Bem pelo contrário! Pois, é antes um livro cheio de ternura e de compassividade. A ironia é o bisturi que o autor utiliza para dissecar os sentimentos e até os devaneios dessas personagens carentes e solitárias.
A problemática menopausa da dona Mariazinha, as preocupações do senhor engenheiro, a dona Candidinha e os seus estranhos sonhos eróticos, os preconceitos fatais da menina Noeminha, o fulgurante, ainda que breve, momento de amor de Amélia, a sensualidade passiva e pudica que nelas persiste reproduzem o absurdo e as contradições da existência.
Na curta história de cada conto, o autor, embora parecendo zombar delas, retrata, com desvelo comovido, estas personagens a quem a vida gorou a possibilidade de se realizarem nas suas próprias circunstâncias. Ao analisar-lhes os conflitos, o autor reclama, para elas, a compreensão e a solidariedade do leitor.
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

«A Dolores e o taxista ou... a Joana e os homens», colectânea de contos de Teresa Sousa Fernandes


Há sempre nacos de vida em todas as “histórias” da Teresa...

... sejam “silêncios matinais entre pinheiros” – expressão viva de olorosa manhã de brancura e de silêncios... – sejam as mais picarescas histórias das Elsas e das Dolores e seus taxistas, ora, ainda, as demais vetustas Joanas – tudo “gente humana”, onde a leveza/profundidade, maturidade/imaturidade das figuras está sempre imbuída duma “humanidade desarmante”, duma graça intrínseca, de um humor salutaríssimo – reflexos afinal da própria autora, cuja vida e fraternidade alegre têm sido lição para todos os que têm o privilégio da sua “com-vivência”!
A Teresa continua a merecer ser lida – e nós gratos e aspirantes a mais “histórias” – pois a sua jovialidade é a nossa, a sua graça e demais talentos fazem-nos bem... que nos não faltem!

José Miguel Batista
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Neste livro, como nos que o precederam, a Autora descreve-nos de forma simples e directa situações da vida real que identifica, mercê da sua permanente observação crítica e capacidade de entrega aos problemas dos outros, enquanto muitos passariam ao lado delas.
A perspectiva muitas vezes original como as encara e tenta colaborar na sua resolução revela-nos a sua capacidade de entrega apaixonada àquilo e àqueles que escolhe, tornando a sua obra comovente e de leitura muito agradável.

David Rebelo
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FICHA TÉCNICA
Autor: Teresa Sousa Fernandes
Capa e ilustrações:Teresa Sousa Fernandes
Editora:
 Mar da Palavra - Edições, Lda.
PVP:
 10,60 €
N.º de páginas:
 76
Formato:
 14,5 x 21,0 cm
ISBN:
 972-9896-62-3 (EAN: 978-972-9896-62-3)

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Registo de notícias e outras referências:
http://www.livapolo.pt/livro/detalhe/dolores-e-o-taxista-ou-a-joana-e-os-homens-a/55038
http://www.tempomedicina.com/noticias/12724