quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"Um olhar sobre os Nobel da Paz", livro da autoria de Paula Cristina Marques


Um olhar sobre os Nobel da Paz (com apresentação de D. Tomaz Silva Nunes, bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã) é uma obra que se dirige, especialmente, aos alunos da área disciplinar de Educação Moral e Religiosa Católica, sendo também um instrumento útil para apoio a professores e outros educadores dos ensinos básico e secundário.
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A paz é um anseio profundo da Humanidade. O mundo de hoje é atravessado por violências e guerras que comprometem a realização da paz, e por mutações sociais e culturais que podem pôr em risco a solidez da paz já alcançada. Mas a paz é um ideal possível de atingir. É mesmo uma urgência: sem ela não há desenvolvimento humano integral, harmónico, durável e sustentado; e ela é, por outro lado, fruto do próprio desenvolvimento, assim entendido. A paz é um dom de Deus oferecido à Humanidade, porque “Deus é amor” (1Jo 4, 16) e o amor gera a paz. Daí que Ele seja, também, o Deus da paz.
Por isso, Jesus, o Filho de Deus Vivo, comunica-a aos seus discípulos: “A paz esteja convosco!” (Jo 20, 19.26), e convida-os a viverem como filhos de Deus, construindo a paz: “Bem-aventurados os construtores da paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9). Dom e tarefa: eis a natureza da paz, que requer o empenho da Humanidade, a todos os níveis e de múltiplas formas, como: a formação da consciência pessoal e social, a vivência da fraternidade na família, o respeito pelo próximo, a valorização do diálogo entre as culturas, e as relações entre povos e nações, imbuídas de justiça e solidariedade. A autora da presente publicação, “Um olhar sobre os Nobel da Paz”, apresenta um conjunto de personagens a quem foi atribuído “Prémio Nobel da Paz”, começando por referir o próprio criador deste Prémio. O universo dos premiados, que contempla, é reduzido, mas eles foram criteriosamente seleccionados, de forma a assegurar diversidade quanto a nacionalidade, cultura, religião, filosofia de vida, carisma e campo de intervenção, e, assim, sensibilizar o leitor para a responsabilidade universal no empenho na construção da paz, através de uma multiplicidade de caminhos possíveis.
A autora pretende oferecer um meio didáctico e pedagógico para a educação de adolescentes e jovens. Deste modo, presta um serviço muito útil, pois, como lembrou o Papa João Paulo II: “A educação tem uma função particular na construção dum mundo mais solidário e pacífico. Ela pode contribuir para a consolidação daquele humanismo integral, aberto à dimensão ética e religiosa, que sabe atribuir a devida importância ao conhecimento e apreço das culturas e dos valores espirituais das diversas civilizações” (Mensagem para a celebração do Dia Mundial da Paz de 2001). A apresentação de uma abundante fonte de recursos multimédia, que abrem vias para o conhecimento de outras personalidades, a quem a Humanidade deve importantes contributos para a construção da paz mundial, é outro elemento que faz desta publicação um instrumento muito útil para apoio a professores e outros educadores dos ensinos básico e secundário.

Tomaz Pedro Barbosa Silva Nunes
(Bispo Auxiliar de Lisboa e Presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã)
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A AUTORA:
Paula Cristina Ferreira Marques – Licenciada em Ciências Religiosas pela Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, com profissionalização em Educação Moral e Religiosa Católica, é docente desta disciplina desde 1988. Começou na Escola Básica Integrada da Pampilhosa da Serra e passou pelas Escolas Básica e Secundária da Mealhada. Durante cinco anos, leccionou na Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho (Lisboa). Exerceu na Escola Básica do 2.º Ciclo de Mira e, actualmente, é professora do Quadro de Escola, desde 2006, na Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr. José Lopes de Oliveira, em Mortágua.Dinamizou vários projectos, nomeadamente, um Clube de Teatro, e promove, com frequência, acções ligadas à sua área disciplinar, de que se destaca o Dia Escolar da Não-Violência e da Paz. Organiza exposições sobre diversos temas: Os Prémios Nobel da Paz, Os Direitos Humanos, A escrita Braille, etc., sempre com a colaboração de outras áreas disciplinares. Tem o Curso de Mestrado em Ciências da Educação, pela Universidade Católica Portuguesa (Viseu).
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FICHA TÉCNICA:
Livro: Um olhar sobre os Nobel da Paz
Autor: Paula Cristina Marques (com apresentação de D. Tomaz Silva Nunes)
Capa: Concepção gráfica de Maria Raquel Nery
Editora:
 Mar da Palavra - Edições, Lda.
Colecção: Ensino e Formação (N.º 2)
PVP:
 10,60 €
N.º de páginas:
 72
Formato:
 14,5 x 21,0 cm
ISBN:
 972-8910-32-7 (EAN: 978-972-8910-32-7)
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Registo de notícias e outras referências:
http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/20da2ee678a59741236cee.html
http://www.cm-mortagua.pt/modules.php?name=News&file=print&sid=357
http://www.mortagua.com/paginas/noticias/noticia_0109.html
http://nasfaldasdaserra.blogspot.com/2008/01/paula-cristina-marques-lana-um-olhar.html
http://nasfaldasdaserra.blogspot.com/2008/02/paula-cristina-marques-lana-um-olhar.html
http://gazetadecoimbra.pse-engineering.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=3134:mar-da-palavra---edições,-lda.:-"um-olhar-sobre-os-nobel-da-paz-...&catid=1:blogs&Itemid=50
http://nasfaldasdaserra.blogspot.com/2008/03/paula-cristina-marques-lana-o-seu-um.html
http://www.wook.pt/ficha/um-olhar-sobre-os-nobel-da-paz/a/id/202847
http://www.armazeml.com/product_info.php?manufacturers_id=436&products_id=56507
http://www.fnac.pt/UM-OLHAR-SOBRE-OS-NOBEL-DA-PAZ-MARQUES-PAULA-CRISTINA/a74278

Luzes e sombras - A governação da Saúde. Relatório de Primavera 2007

Obra da autoria do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), que é uma parceria entre a Escola Nacional de Saúde Pública, a Faculdade de Economia de Coimbra - Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra e o Instituto Superior de Serviço Social do Porto.

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COLABORARAM NESTE RELATÓRIO DE PRIMAVERA:
Ana Maria Santos Silva
António Rodrigues
Cipriano Justo
Constantino Sakellarides
Fernando Gomes
Francisco Batel Marques
Joana Sousa Ribeiro
José Luís Biscaia
Luís Saboga Nunes
Manuela Mota Pinto
Óscar Lourenço
Paulo Kuteev Moreira
Pedro Beja Afonso
Pedro Lopes Ferreira (coordenador)
Teodoro Briz
Victor Raposo

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

"A saga do arco-íris", obra de teatro de Ricardo Kalash

A saga do arco-íris”, da autoria de Ricardo Kalash (pseudónimo de Henrique Ricardo Pereira Marques da Silva), é a uma obra de estreia, de reflexão e de muitas interrogações acerca da vida e da metáfora que se funda no arco-íris… É também um texto de homenagem ao cientista Mário Augusto da Silva.
No arco-íris não existe confronto entre cores. Estas, unidas nas suas diferenças, criam um espectáculo de rara beleza.
Não poderá o homem também comportar, sem conflito, dentro de si, a ciência e a religião? O interesse e a ética? Moral e tolerância?
Poderá o Homem cultivar a fraternidade para com o outro?
Ricardo Kalash acredita que sim.
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O Grupo de Teatro da Liga dos Amigos do Museu Nacional de Machado de Castro (AMIC) tem vindo a desenvolver, desde o ano 2001, profícuo trabalho de divulgação do MNMC, originando, entre outras mais-valias, a conquista de públicos diversificados, por vezes pouco motivados a frequentar espaços museológicos.
Apesar do encerramento do Museu, para obras de requalificação, entre 2004 e 2008, o Grupo de Teatro da Liga não cruzou os braços. Primeiro na Escola Secundária Infanta D. Maria, que gentilmente cedeu as suas instalações, depois no Museu da Física da Universidade de Coimbra, local onde foi apresentada a peça agora publicada, o grupo manteve-se em actividade, sempre com o mesmo entusiasmo. Esta peça é uma homenagem ao Prof. Doutor Mário Silva, ilustre cientista e fundador do Museu de Física da Universidade de Coimbra. Apresentada no Verão de 2008, por actores amadores dos 8 aos 40 anos, simboliza, nesta amplitude etária, uma das orientações do MNMC, que se pretende afirmar como lugar de encontro de gerações e de culturas.
Ricardo Kalash, também encenador, actor e responsável pela dinamização do grupo, vai por certo prosseguir a sua saga de mobilizar o público, sempre com projectos arrojados, com generosa fantasia, ela própria animada por todas as cores do arco-íris.

Ana Alcoforado
Directora do Museu Nacional de Machado de Castro
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O AUTOR:
Ricardo Kalash tem 38 anos. Há vinte anos, iniciou-se nas lides teatrais, no Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC). Nos dias que correm, é actor profissional. Nos últimos sete anos, tem trabalhado regularmente com grupos de teatro amador, nos quais encena e dá formação. Dirige, desde a sua fundação, o grupo de teatro da Liga dos Amigos do Museu Nacional Machado de Castro (AMIC). Com a edição deste texto, aventura-se numa das áreas teatrais que, até à data, lhe tinha escapado: a escrita.
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FICHA TÉCNICA:
Livro: A saga do arco-íris
Autor: Ricardo Kalash
Capa: 
Reprodução do quadro The White Water Lilies, de Claude Monet (1899)
Editora: Mar da Palavra - Edições, Lda.
Colecção: Alquimias (N.º 2)
PVP: 10,60 €
N.º de páginas: 76
Formato: 13,0 x 19,0 cm
ISBN: 972-8910-37-2 (EAN: 978-972-8910-37-2)

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Registo de notícias e outras referências:

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

"Nem título... nem índice", de Teresa Sousa Fernandes (com posfácio de José Miguel Fernandes)


Com o livro "Nem título… nem índice", nove meses depois da publicação da obra "Homens…ou racionais poligâmicos", Teresa Sousa Fernandes regressa com a força solidária e desempoeirada da sua escrita, reunindo um grupo de profissionais da saúde com reconhecidas capacidades artísticas em torno desta colectânea poética cujos textos originais, dispersos no tempo e no recato dos sentimentos, tiveram e continuam a ter destinatário próprio.

Esta obra é ilustrada por Fernando Jorge Pratas dos Reis Costa, Maria Dulce Zamith Cerveira de Moura Abreu, Georgina Silva Sousa Gonçalves, Maria Clara Gonçalves Morais Rodrigues, José António Lobão Alves de Figueiredo e por Maria da Visitação Oliveira Rodrigues Monteiro.
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APRECIAÇÃO CRÍTICA:
Como filho, sou suspeito, é certo. Como homem, ou “racional poligâmico”, perco naturalmente toda a credibilidade, caindo indefeso no meio de uma qualquer estória trágica, certamente cómica, a que a minha mãe nos habituou. Mas vou tentar…
Na verdade, o bom humor é o melhor tónico para suportar as angústias e os dissabores de uma vida, que se quer longa e saudável. Como diria Woody Allen, “a realidade é chata, mas ainda é o único lugar onde se pode comer um bom bife”.
É esse o espírito subjacente à obra da Teresa, onde a boa disposição habita, lado a lado, com a denúncia de uma realidade por vezes chata, declamada numa voz solidária e humanista, sem qualquer tipo de preconceito.Neste novo livro, há um pouco de todos nós, os fiéis satélites que giram incansavelmente à sua volta. Bem à vista, o actual centro das atenções, a mais recente descoberta num universo tão especial: o Vasquinho, primeiro neto, a abrir o caminho para os demais.
E o planeta Teresa está cada vez mais belo, ostentando um brilho intenso, onde a terra firme é novamente rasgada por rios de poesia. Sorri, lá no alto, piscando o olho à maior das estrelas, a pouco mais de sete anos de viagem, gigante, o meu pai.
Nem título… Nem índice… Mas com posfácio!

José Miguel Fernandes
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A AUTORA:
Maria Teresa Matos Pereira Sousa Fernandes é assistente graduada de Obstetrícia nos Hospitais da Universidade de Coimbra (Maternidade Dr. Daniel de Matos). Nasceu em Viseu, cidade onde concluiu os estudos até ingressar no curso de Medicina na Universidade de Coimbra. Em Outubro de 1986, obteve o Prémio Revelação (Ficção) da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos (SOPEAM) com o seu primeiro livro "A outra face da urgência... ou... casos reais de uma maternidade". Em 1991, publicou a obra "O trágico da comédia... ou... o cómico da tragédia" e, em Setembro de 2000, o seu terceiro livro "Mulheres e Mulheres, L.das." Em Dezembro de 2003 e em Novembro de 2005, a autora publica, já sob a chancela da Mar da Palavra, as obras "A Dolores e o taxista ou... a Joana e os homens" e "Poesia… ou talvez não". Em Março de 2007, com o livro "Homens… ou racionais poligâmicos", a autora prossegue a sua linha narrativa, de forma simples e directa, a partir de situações da vida real que identifica, numa entrega apaixonada, dando vida a uma espécie de fix-up, servindo-se de um conjunto de pequenas histórias que funcionam independentemente mas que se interligam para contar uma história maior. Nove meses depois (Dezembro de 2007), nasce a presente colectânea poética "Nem título… nem índice".
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FICHA TÉCNICA:
Livro: Nem título… nem índice
Autor: Teresa Sousa Fernandes
Capa: Foto da autoria de Fernando Jorge Pratas dos Reis Costa
Editora:
 Mar da Palavra - Edições, Lda.
PVP:
 12,72 €
N.º de páginas:
 64
Formato:
 13,0 x 19,0 cm
ISBN:
 972-8910-30-3 (EAN: 978-972-8910-30-3)

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"A criança e o hospital - Estudo dos cuidados hospitalares na Região Norte", de Sílvia Álvares, Pedro Lopes Ferreira e Octávio Cunha

Como evoluiu a saúde da criança ao longo dos tempos? E, particularmente, em Portugal? De que modo são prestados os cuidados de saúde à criança no hospital e como é feita a articulação de cuidados e a intersectorial? Qual o envolvimento da comunidade, da criança e da família na concepção dos serviços de saúde? Este livro pretende responder a estas questões e contribuir para um melhor conhecimento da realidade da assistência hospitalar pediátrica na região Norte do País.
Quer também transmitir a mensagem de que os serviços pediátricos devem estar centrados na criança e na família e adaptados de modo a prestarem os melhores cuidados ao longo do percurso do doente, considerando a idade, o desenvolvimento da criança e as suas necessidades específicas.
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APRECIAÇÃO CRÍTICA:

"A minha bebé era a mais bonita da UCIN… Não eram apenas as campainhas e alarmes, as luzes sempre acesas, a falta de ar puro, os cheiros, a visão de todos os outros corpos muito pequenos e indefesos, que me faziam sentir perdida, tão sem controlo, receosa… Era pedirem-me para ser lúcida, tomar decisões sérias e com consequências, baseadas nas novas informações que os médicos obtinham e nos transmitiam. Ouvi, como numa má ligação telefónica ou numa televisão sem imagem nítida, algumas palavras, mas compreendi só parte do que ouvi…" (Marianne Rogoff, em "Silvie´s life")

Falar de "A criança e o hospital" significa, como no testemunho desta mãe, muito mais do que a caracterização de um serviço de pediatria. Envolve espaços e recursos mas também comunicação e cumplicidade com a criança, o adolescente e a família.
Ler o "Estudo dos cuidados hospitalares pediátricos na Região Norte" foi, para mim, uma (re)aprendizagem. Tem uma dimensão que ultrapassa a regional, pois junta o rigor estatístico à percepção humana, que deve ter quem cuida de crianças e de adolescentes, e uma reflexão final que integra propostas possíveis, as quais permitirão melhorar a prestação de cuidados hospitalares.
A evolução da saúde materna e infantil, em Portugal, é uma história de sucesso. É o resultado de factores múltiplos, sociais e económicos, mas também da vontade política de intervir nesta área. A nomeação da primeira Comissão Nacional de Saúde Materno-Infantil e o desenvolvimento do programa nacional de assistência partilhada à grávida, ao recém-nascido, à criança e ao adolescente condicionaram ganhos inequívocos e uma queda progressiva das taxas de mortalidade materna, perinatal e infantil, mais acentuada do que na maioria dos países da União Europeia. No entanto, nada seria mais grave do que a convicção de que, ao ultrapassar as metas traçadas, se pode manter o que se conseguiu sem grandes sobressaltos.
Se, por um lado, a sustentabilidade exige um esforço continuado, por outro, surgem novos desafios em saúde infantil, sob o ponto de vista social, como os inerentes às famílias em situação de exclusão social ou as situações de maus tratos, como novas patologias emergentes, como a obesidade, a depressão infantil, a doença crónica... Em suma, crianças e adolescentes com necessidades especiais.A saúde infantil faz-se nos centros de saúde pelo médico de família e pela enfermeira de saúde infantil e nos serviços hospitalares de pediatria. São estes o objecto do presente trabalho, no qual se faz uma ampla revisão das instalações, do equipamento, dos recursos humanos e de outros aspectos do atendimento, além das patologias mais frequentes.Por definição, um serviço de pediatria é um espaço amigo da criança, onde se privilegia o atendimento em ambulatório e se prestam cuidados hospitalares eficientes, seguros e apropriados à criança, ao adolescente e à família, por profissionais qualificados com conhecimentos e desempenho em saúde infantil.
É o espírito deste estudo, mas vale a pena realçar alguns aspectos aqui considerados. A admissão de uma criança no hospital só deve realizar-se quando os cuidados necessários à sua doença não possam ser prestados em casa, em consulta externa ou em hospital de dia. O internamento para a criança é um castigo. Deixa a sua casa, os seus brinquedos e o ambiente que conhece, indo para o desconhecido, muitas vezes hostil. Poucos serviços de pediatria da Região Norte têm hospitais de dia que permitam, por exemplo, a administração terapêutica de antibiótico endovenoso sem a criança pernoitar no hospital. Este aspecto tem de ser melhorado.
Quanto à idade limite de atendimento, é referida uma média de 13 anos no serviço de urgência, o que é inaceitável. Essa média é de 16 anos nas consultas, o que pode ser consequência do seguimento mais prolongado de crianças com doença crónica. Os adolescentes devem ser tratados e internados em pediatria, pelo que é inadiável avançar com o atendimento até aos 18 anos. A este respeito, a ARS Norte é exemplar, pois foram publicadas normas recentes que exigem o alargamento da idade de atendimento, de forma gradual, nos próximos anos.
Também é essencial a discussão da política de recursos humanos, sabendo que há um envelhecimento dos médicos e que a feminização global é ainda mais acentuada nesta especialidade, e que os novos modelos de gestão propõem contenção quanto à colocação de enfermeiros.
Numa reunião de medicina perinatal em Glasgow, ouvi classificar os cuidados médicos como espasmódicos e os cuidados de enfermagem como continuados, e achei que era a imagem real do médico, sempre apressado e interessado em diagnosticar e prescrever, e a da(o) enfermeira(o) com uma presença real junto do doente. Por isso, a "ratio" de enfermagem deve ter em consideração não só o número de crianças e adolescentes internados mas também o tipo de patologia e a população, assim como a especialização em saúde infantil.
Outros aspectos são igualmente assinalados como passíveis de evoluir e de melhorar: poucos serviços com educadora(e)s e psicólogos, e menor investimento na articulação com os cuidados primários, com perda de vitalidade das unidades coordenadoras funcionais, que devem manter o seu papel fundamental.
A reflexão local é indispensável já que há diferenças de região para região, assim como entre as populações e nos cuidados prestados. Este trabalho, desenvolvido na Região Norte, é essencial para quem tem funções de decisão e para os diversos profissionais, e também para as crianças e respectivas famílias.
O que existe? Como funciona e como se pode melhorar, para que – se a situação clínica obrigar ao internamento – as crianças se sintam bem no hospital? "(...) És tu que mandas aqui? Pedi ao meu pai e ele já disse que sim... Posso ficar cá até Setembro..." (6 anos, internado no HFF, Junho de 1997)
Maria do Céu Soares Machado (pediatra, Alta Comissária da Saúde)
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FICHA TÉCNICA:
Livro: A criança e o hospital – Estudo dos cuidados hospitalares pediátricos na Região Norte
Autor: Sílvia Álvares, Pedro Lopes Ferreira e Octávio Cunha (com prefácio de Maria do Céu Soares Machado)
Capa: Ilustração de Miguel Eufrásia
Editora:
 Mar da Palavra - Edições, Lda.
Colecção: Qualidade de Vida (N.º 3)
PVP:
 17,67 €
N.º de páginas:
 142
Formato:
 14,5 x 21,0 cm
ISBN:
 972-8910-28-0 (EAN: 978-972-8910-28-0)
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Registo de notícias e outras referências: 

"Aprender a crescer - Manual de Formação Cívica", de Ana Isabel Garrido (texto) e Inês Massano Cardoso (ilustração do livro e do jogo pedagógico)

"Aprender a crescer - Manual de Formação Cívica" é uma obra que se dirige, sobretudo, aos alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico. Resulta de cinco anos de coordenação das actividades desenvolvidas no âmbito da Formação Cívica, numa escola do concelho de Pombal (Instituto D. João V), com cerca de 1600 alunos. Constitui um conjunto de actividades que abordam a educação e a clarificação de valores, atitudes e afectos, a democracia, a vida saudável, a educação ambiental e a solidariedade.
O jogo "Aprender a crescer" foi criado especificamente para estas aulas, embora possa também ser jogado em família ou em grupos de amigos. Ajuda professores e alunos a comunicar e a reflectir sobre assuntos do seu agrado ou que os preocupam particularmente. Os temas do jogo foram sugeridos pelos alunos em anos anteriores. Alguns deles são bastante "leves" (Moda, Ambiente, Desporto, Profissões, Comportamentos de risco) outros, porém, seriam difíceis de tratar formalmente durante as aulas, uma vez que, embora sejam do conhecimento dos adolescentes, podem ser muito íntimos (Educação sexual, Sentimentos, Violência doméstica, Relação pais e filhos).

APRECIAÇÃO CRÍTICA:
Num universo de jogos e de brinquedos cada vez mais associados ao brincar sozinho e que fazem apelo a emoções básicas, como a violência ou a acção contínua, transmitindo valores de vida questionáveis e hábitos de gratificação imediata, parece-me notável assinalar o aparecimento de um jogo como este.
Com uma qualidade ao nível do conteúdo que me parece fora do comum, pela forma simples e eficaz com que aborda vários temas sensíveis e básicos do crescimento, os educadores e os jovens podem, através deste jogo e de modo informal, questionar-se e aprender em conjunto, usufruindo o prazer lúdico e a interacção, de maneira construtiva.
Embora concretizado por professores e, inicialmente, para ser usado em ambiente escolar, penso que qualquer adulto informado e preocupado com a educação dos seus filhos, sobretudo ao nível dos valores da vida e da prevenção de comportamentos de risco, vai não apenas aprender com este jogo, mas também (principalmente) ver bastante facilitada a tarefa de comunicar com os jovens educandos sobre assuntos sempre difíceis de conversar, como os relacionados com a sexualidade, com as drogas e outros comportamentos de risco.

José Alberto Garrido (médico pedopsiquiatra e terapeuta familiar, chefe de serviço do Departamento de Pedopsiquiatria do Hospital Pediátrico de Coimbra)
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"Aprender a crescer" é, antes de mais, o resultado de uma atitude de exigência e de responsabilidade face à organização escolar.Atitude evidenciada pela comunidade escolar que, ao longo de cinco anos, com a orientação da autora, Ana Isabel Garrido, construiu um projecto de elevadíssimo potencial pedagógico e com um notável grau de adequação ao processo de ensino e de aprendizagem.A área curricular de Formação Cívica constitui um espaço privilegiado para o desenvolvimento dos quatro pilares da educação: “aprender a fazer, a conhecer, a viver juntos e a ser”. É uma oportunidade de comprometer os alunos socialmente, promovendo as competências necessárias a uma cidadania baseada em valores éticos e, por isso, tolerante e esclarecida.São, aliás, estes os motivos pelos quais o Governo Civil de Leiria elegeu a Formação Cívica como o ambiente curricular mais adequado para a dinamização de projectos conjuntos com as escolas, no contexto da prevenção rodoviária, da protecção civil e da segurança dos cidadãos. Acredito que o processo de socialização, de compreensão das relações sociais, de diferenciação de comportamentos e de aceitação do outro, no quadro de uma aprendizagem afectiva, encontra na Formação Cívica as mais amplas potencialidades de desenvolvimento.Ao longo do ano lectivo, as escolas e os agrupamentos poderão contar com o auxílio de estratégias inovadoras e de recursos atractivos, de que saliento o jogo "Aprender a crescer", através dos quais serão abordadas temáticas diversificadas e motivadoras, estimulando a reflexão, a comunicação e a interacção. (…) Estou certo de que esta valiosa publicação será um instrumento de trabalho essencial para alunos, pais e professores.

José Miguel Medeiros (ex-Governador Civil do Distrito de Leiria)
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Registo de notícias e outras referências:

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"Penedo da Saudade - História e tradição", de Mário Nunes, com fotografia de Liliana Machado e Luís Carregã (e prefácio de Regina Anacleto)


Pedra do Vento, Pedras dos Ventos, Penedo do Vento são denominações que, desde 1207, toponizaram o designado Penedo da Saudade. Escrituras de compra e venda respeitantes a olivais, vinhas, hortas e canaviais testemunham esses nomes que prevalecem ainda em 1764. Porém, a partir do século XVI, autores quinhentistas, a exemplo de Pedro Álvares Nogueira e Francisco Rodrigues Lobo, utilizam já o topónimo Penedo das Saudades (plural). Somente em 1849, numa expropriação de terreno que a Câmara efectuou, “para se alargar a entrada e aformosear este histórico passeio”, se escreve o nome Penedo da Saudade, designação que jamais foi alterada. Há também a tradição de que D. Pedro encontrava neste lugar o refúgio certo para carpir as suas saudades de Inês de Castro, pelo que teria sido ele a dar à Pedra do Vento o nome de Penedo da Saudade. Mas é tradição. Como tal, passou de geração em geração. E o D. Pedro ficou, para sempre, associado ao topónimo.

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À GUISA DE INTRÓITO

A recordação de Pedro e de Inês espraia-se por todos os recantos da cidade do Mondego, mas se, por um lado, evoca a saudade, a tristeza ou a dor, por outro, lembra, também, a paixão e o amor. Talvez, por isso, Coimbra seja estigmatizada por este espírito que se materializa, e de forma muito específica, no Penedo da Saudade, lugar outrora ermo, coberto de verdes salpicados por flores “brancas, roxas, róseas, açafroadas, rubras”, onde Pedro se encontrava com a solidão para chorar a morte da sua amada.
Local cercado de paisagens majestosas que a saudade da luz enchia de imensa ternura, permitia, ainda não há muitos anos, afagar com o olhar os horizontes cheios de encanto, contemplar as montanhas que se desdobravam ao longe num cenário magnífico, observar os campos que contavam triunfos prodigiosos de colorido e vislumbrar as doces águas do Mondego a passarem por ali tão recolhidas e silenciosas, que mal se percebiam por entre a alta cortina dos salgueiros.
Aos pés do Penedo, desse enorme e escarpado pedregulho, estendiam-se “os vales onde os maciços das oliveiras e das laranjeiras [eram] ridente solar das avezitas que noiva[va]m, e abrigo amorável de ninhos tépidos onde rufia[va]m asas pequeninas”; podia ainda sentir-se a “religiosa melancolia dos entardeceres”, invadindo a alma desse tão dulcíssimo quanto amargo sentimento que é a saudade.
E, da saudade, se ficou a denominar este local onde a solidão tinha um ambiente de sonho e/ou de mistério; ali, os poetas fizeram esculpir, em pedras toscas, a que se alisou uma das faces, os seus versos e os estudantes grafitavam nas pedras do passado os amores longínquos e, quiçá, mal correspondidos, mais tarde recordados na “Sala dos Cursos” onde vinham sempre, em romaria, os que ontem abandonaram Coimbra cheios de esperanças e de mocidade.
O local tem vindo, mais do que paulatinamente, a descaracterizar-se: o vandalismo dos homens arremeteu não só contra a paisagem, mas também contra a memória “escrita” em pedra ou em bronze. Urgia, pois, preservá-la e Mário Nunes, com este livro, se não conseguiu salvaguardar a paisagem, agenciou defender a lembrança dos muitos que ali são, de uma forma, ou de outra, lembrados; proporcionou às gerações vindouras um meio de compreensão da essência da sua própria história, até porque as comunidades, como tais, necessitam de ancoradouros de memória, de sítios, de valores e de padrões, ou, dito por outras palavras, necessitam de um património que funcione como fundamento da sua consciência e lhes garanta a perspectivação do futuro.As recordações que Mário Nunes colocou em letra de forma materializam a mensagem contida no Penedo da Saudade e o livro permite que não se sumam, na voragem do tempo, as memórias ali existentes, pois fornece identidade aos conimbricenses e a todos quantos passaram por esta cidade e ali imprimiram os ecos da sua mocidade.
A história vive e projecta-se através do passado humano e quanto mais forte, profundo e saudável esse passado for, maior força imprime a essa mesma história, no sentido de ela se poder afirmar com uma vitalidade cada vez mais sólida.
Todos os aglomerados têm, em sentido lato, os seus “monumentos”, que funcionam como âncoras, onde se firma a memória das pessoas e o orgulho das comunidades. São os indicadores da sua identidade e da sua classificação. Dão-lhes segurança, servem-lhes de referência, ajudam-nas a axializar os seus itinerários e incitam-nas a perspectivar o futuro.
É esta a finalidade do livro “Penedo da Saudade”, que a pena de Mário Nunes ora coloca nas mãos de todos nós.

Regina Anacleto
Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Instituto de História da Arte
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CAPA: Fotografia de Luís Carregã

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

"Do ordenamento jurídico do tabaco e dos seus produtos na União Europeia - Reflexos em Portugal", obra de Mário Frota


O estudo “Do Ordenamento Jurídico do Tabaco e dos seus Produtos na União Europeia – Reflexos em Portugal”, uma área que não tem merecido os favores dos cultores do direito, representa um passo importante para a compreensão de um fenómeno social a que os sistemas jurídicos – internacional, europeu e nacional – tendem a conferir dignidade própria pela relevância de que se reveste.
Trata-se, pois, do primeiro trabalho – a que se espera outros se sigam – que reflecte as preocupações da Organização Mundial de Saúde, coroadas na Convenção-Quadro para o Controlo do Tabaco em 21 de Maio de 2003, aprovada em Portugal em 8 de Novembro de 2005 e em vias de ratificação e da transposição para o direito interno de várias Directivas do Parlamento Europeu e do Conselho.
Os reflexos de tais iniciativas na ordem jurídica portuguesa detecta-os o Autor nas inicialmente tímidas medidas legislativas, a que se seguiu o marco histórico do DL 226/83, de 27 de Maio, que ora chega ao seu termo pela aprovação de uma proposta de lei, em 1 de Março de 2007, que o Governo se apresta a submeter ao Parlamento.
Esta proposta de lei não é contemplada no trabalho do Autor por ser muito recente. Não constitui ainda, de resto, direito vigente. Mas absorve princípios e regras que decorrem tanto da Convenção-Quadro quanto da obra legislativa, regulamentar e administrativa da União Europeia. Neste contexto, surge a proibição de fumar nos locais de trabalho e em estabelecimentos de hotelaria, restauração e cafetaria, com excepções que atenuam a rigidez das medidas decretadas ao conferirem-se alternativas aos fumadores que não prejudiquem, aliás, como se tem por curial, os não-fumadores.
De resto, aspectos há – que a proposta de lei parece contemplar – que são ainda objecto de debate do Livro Verde “Por uma Europa sem fumo: opções estratégicas a nível comunitário”, cuja apresentação o Comissário Europeu, Markos Kyprianou, efectuou em Bruxelas em 31 de Janeiro de 2007 e cuja discussão decorrerá até 1 de Maio deste ano. Com o desenvolvimento normativo, o tema não se encerra. Antes se abre à apreciação dos que se votam ao estudo do Direito da Saúde e de áreas afins.
O propósito do Presidente do Conselho de Prevenção do Tabagismo – e dos que o acompanham na estrutura consultiva em que têm assento – é que se desenvolvam estudos análogos, se aprofundem as leis, se avalie o seu impacto, como o faz a Comissão Europeia em relação à generalidade dos instrumentos normativos que edita, e se apure a incidência da divulgação de tais estudos nos índices de saúde pública, v.g., na exposição ao fumo do tabaco e seus produtos ou no processo de cessação tabágica em curso, através de múltiplas iniciativas que apoia, estimula ou promove.
De resto, seria interessante, para além de estudos da natureza deste, dispor de um registo acerca da história da prevenção do tabagismo em Portugal desde os primórdios – quando preocupações ambientais se exprimiram liminarmente e as primeiras medidas se decretaram – até ao momento actual. Sem se descurarem outros de natureza sociológica, que poderiam principiar pelas escolas superiores onde, a despeito do decréscimo registado noutros escalões da sociedade, há ainda, sobretudo no elemento feminino, índices algo preocupantes, em clara oposição ao quadro geral que a sociedade portuguesa regista confortavelmente.
Realce-se, pois, o contributo do estudo a que o Autor procedeu e é, nos seus limites, um importante passo para a abertura ao universo jurídico de relevantes segmentos da saúde pública e individual.
As conferências que, a instâncias de distintas entidades, tem proferido e se centram, particularmente, na incidência das restrições e/ou proibições à publicidade, promoção e patrocínio do tabaco, vão também nesse sentido.
Para além das modificações que a nova lei vier a consagrar e que poderão merecer acurado estudo, auguramos-lhe que continue a dedicar-se a temas com forte carga social, como os que na saúde pública e na defesa do consumidor se inscrevem, muito contribuindo com a sua reflexão e a sua inteligência. A comunidade nacional beneficiará indubitavelmente do esforço que este trabalho representa.

Manuel Pais Clemente
(presidente do extinto Conselho de Prevenção do Tabagismo)
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CAPA: Desenho de Berthold, in "Icones - Florae Germanicae et Helveticae" (Volume XX), de H. G. Reichenbach (Filio), 1862
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FICHA TÉCNICA:
Livro: Do ordenamento jurídico do tabaco e dos seus produtos na União Europeia – Reflexos em Portugal
Autor: Mário Frota
Capa: Desenho de Berthold, in “Icones – Florae Germanicae et Helveticae” (Volume XX), de H. G. Reichenbach (Filio), 1862
Editora:
 Mar da Palavra - Edições, Lda.
Colecção: Qualidade de Vida (N.º 2)
PVP:
 15,90 €
N.º de páginas:
 96
Formato:
 14,5 x 21,0 cm
ISBN:
 972-8910-23-5 (EAN: 978-972-8910-23-5)
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Registo de notícias e outras referências:
http://www.netconsumo.com/2007/05/no-dia-mundial-sem-tabaco-mrio-frota.html
http://www.netconsumo.com/2011/01/investigador-defende-novas-alteracoes.html
http://www.netconsumo.com/2011/06/diario-do-dia-22-6-2011.html

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

"Homens... ou racionais poligâmicos", de Teresa Sousa Fernandes (com prefácio de Joaquim Manuel Pinto Serra)

Este livro é ilustrado por Maria Isabel da Costa e Almeida Matos, David Rebelo, Fernando Jorge Pratas dos Reis Costa, Maria Clara Gonçalves Morais Rodrigues, José António Lobão Alves de Figueiredo e por Maria Dulce Zamith Cerveira de Moura Abreu.
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"Homens… ou racionais poligâmicos", da autoria de Teresa Sousa Fernandes, obra com a chancela da Mar da Palavra, prossegue a linha narrativa da escritora, de forma simples e directa, a partir de situações da vida real que identifica numa entrega apaixonada. Assim, a autora dá vida a uma espécie de "fix-up", servindo-se de um conjunto de pequenas histórias que funcionam independentemente mas que se interligam para contar uma história maior, dando a conhecer originais e reaproveitando textos previamente publicados.
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APRECIAÇÃO CRÍTICA:
Desde sempre, os jogos do amor, ou melhor, os jogos da sedução têm preenchido as análises literárias, psicológicas e psicopatológicas de quase todos os escritores, através dos tempos. Conforme as limitações sociais, políticas, morais e religiosas, eles têm-nos dissecado e interpretado, resolvendo-os com múltiplas soluções, muitas vezes desesperadas, outras nem tanto… Mas envolvendo-as de doce encanto e poéticas intenções. Mudam-se os tempos, mudam-se as soluções… E temos de novo, aqui e agora, em pleno século XXI, Teresa Sousa Fernandes, com a mestria pós-moderna de uma saudável loucura, a redistribuir as peças no tabuleiro de um jogo interminável, prenhe de ironia e sensualidade, mas muito mais sociável e desinibido do que outrora.
Não compete a um prefaciador induzir o leitor… E muito menos encaminhá-lo na leitura da obra que lê. Sobretudo, quando essa obra é tão difícil de catalogar como esta que estamos a prefaciar, neste momento. Teresa Sousa Fernandes mostra-nos, como em obras anteriores, o seu salutar desprendimento, ao tratar os jogos da sedução com a perspicácia que lhe é peculiar. “Loucura…”, dirão alguns, os mais propensos a socorrerem-se da psiquiatria para definir os novíssimos tempos. “Intriga…”, dirão outros tantos, os mais desatentos e indisciplinados nas correrias pela saudade e pelo bom senso. “Aberta e desempoeirada…”, dirá o prefaciador, ao considerá-la desprovida de falsos moralismos e inusitados pudores, tão desnecessários e falsos como obscenos.
Já não se morre de amor? E de infidelidade? Os jogos tornaram-se pragmáticos, em surpreendentes matizes de cómoda e real racionalidade? E as poligâmicas vontades substituíram as enigmáticas dúvidas, dando lugar a outras mais criativas soluções? Teresa Sousa Fernandes equaciona tudo isto, mas não desvenda. Porque deixa – aos leitores e à loucura salutar de cada um – o desadormecimento do seu subconsciente, em polémicas intenções e agradáveis subtilezas.A autora baralha-nos o jogo e mostra-nos os hábeis bluffs, idealizados por um oportuno xeque-mate que intencionalmente se eterniza.
Teresa Sousa Fernandes, uma irónica observadora, sorri do seu próprio humor e oferece-nos, com inovadores propósitos, um passeio pela sabedoria e pelo talento, iniciando-nos num jogo que não tem fim, porque é eterno, de todos os tempos e de todas as gerações…

Joaquim Manuel Pinto Serra
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CAPA: Reprodução do quadro "- La più bella sera! / - Con te, alle otto", de Maria Isabel da Costa e Almeida Matos Godinho

"As palavras sensuais da nossa ausência", romance de Joaquim Manuel Pinto Serra


"As palavras sensuais da nossa ausência", da autoria de Joaquim Manuel Pinto Serra é o oitavo livro do escritor e a quarta obra da colecção “Cais da ficção” da editora Mar da Palavra.
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(…) Chegaram a uma sexta-feira, no dia 8 de Outubro. Raul sabia que, contando com os seis dias para a viagem de regresso, apenas estaria em Urekinus vinte e cinco dias. Estava tudo calculado e combinado com Margarida. Mas ele receava que, por motivos imprevistos, não pudesse regressar na altura programada. E exasperava-se por isso, quando pressentia essa hipótese. Ela sossegava-o, dando-lhe algumas certezas. Contudo, ele mantinha as dúvidas que o sobressaltavam... e sofria, só de pensar que tal pudesse suceder…
Na véspera da chegada, reuniram-se todos ao jantar e confraternizaram num ambiente alegre e descontraído, o que sensibilizou Raul. Principalmente, por terem falado em Português... E por lhe terem desejado, numa troca de brindes, as maiores felicidades no trabalho que iria realizar. Desde então, ele ficou a meditar sobre a hipótese de eles não serem tão insensíveis como, de início, tinham deixado antever. O que dava razão a Margarida quando ela os desculpara pelas suas atitudes enfáticas e distantes. Arrependia-se, nesses momentos, de não ter colaborado um pouco mais... Talvez que o defeito fosse também dele! Mas teria ainda muito tempo para provar que os habitantes da Terra, quando queriam, também eram afáveis e educados.
Era meio-dia quando lhe disseram que a nave tinha chegado ao planeta Urekinus. Causou-lhe admiração verificar que os ponteiros do seu relógio continuavam a funcionar, como se uma viagem intergaláctica não se tivesse realizado durante seis dias, a uma velocidade inimaginável! Para ele, dois ou três meses antes, seria um absurdo. Mas, naquela altura, era aliciante e confortável... Porém, estava apenas no princípio e tudo poderia ainda acontecer...
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