terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

"Penedo da Saudade - História e tradição", de Mário Nunes, com fotografia de Liliana Machado e Luís Carregã (e prefácio de Regina Anacleto)


Pedra do Vento, Pedras dos Ventos, Penedo do Vento são denominações que, desde 1207, toponizaram o designado Penedo da Saudade. Escrituras de compra e venda respeitantes a olivais, vinhas, hortas e canaviais testemunham esses nomes que prevalecem ainda em 1764. Porém, a partir do século XVI, autores quinhentistas, a exemplo de Pedro Álvares Nogueira e Francisco Rodrigues Lobo, utilizam já o topónimo Penedo das Saudades (plural). Somente em 1849, numa expropriação de terreno que a Câmara efectuou, “para se alargar a entrada e aformosear este histórico passeio”, se escreve o nome Penedo da Saudade, designação que jamais foi alterada. Há também a tradição de que D. Pedro encontrava neste lugar o refúgio certo para carpir as suas saudades de Inês de Castro, pelo que teria sido ele a dar à Pedra do Vento o nome de Penedo da Saudade. Mas é tradição. Como tal, passou de geração em geração. E o D. Pedro ficou, para sempre, associado ao topónimo.

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À GUISA DE INTRÓITO

A recordação de Pedro e de Inês espraia-se por todos os recantos da cidade do Mondego, mas se, por um lado, evoca a saudade, a tristeza ou a dor, por outro, lembra, também, a paixão e o amor. Talvez, por isso, Coimbra seja estigmatizada por este espírito que se materializa, e de forma muito específica, no Penedo da Saudade, lugar outrora ermo, coberto de verdes salpicados por flores “brancas, roxas, róseas, açafroadas, rubras”, onde Pedro se encontrava com a solidão para chorar a morte da sua amada.
Local cercado de paisagens majestosas que a saudade da luz enchia de imensa ternura, permitia, ainda não há muitos anos, afagar com o olhar os horizontes cheios de encanto, contemplar as montanhas que se desdobravam ao longe num cenário magnífico, observar os campos que contavam triunfos prodigiosos de colorido e vislumbrar as doces águas do Mondego a passarem por ali tão recolhidas e silenciosas, que mal se percebiam por entre a alta cortina dos salgueiros.
Aos pés do Penedo, desse enorme e escarpado pedregulho, estendiam-se “os vales onde os maciços das oliveiras e das laranjeiras [eram] ridente solar das avezitas que noiva[va]m, e abrigo amorável de ninhos tépidos onde rufia[va]m asas pequeninas”; podia ainda sentir-se a “religiosa melancolia dos entardeceres”, invadindo a alma desse tão dulcíssimo quanto amargo sentimento que é a saudade.
E, da saudade, se ficou a denominar este local onde a solidão tinha um ambiente de sonho e/ou de mistério; ali, os poetas fizeram esculpir, em pedras toscas, a que se alisou uma das faces, os seus versos e os estudantes grafitavam nas pedras do passado os amores longínquos e, quiçá, mal correspondidos, mais tarde recordados na “Sala dos Cursos” onde vinham sempre, em romaria, os que ontem abandonaram Coimbra cheios de esperanças e de mocidade.
O local tem vindo, mais do que paulatinamente, a descaracterizar-se: o vandalismo dos homens arremeteu não só contra a paisagem, mas também contra a memória “escrita” em pedra ou em bronze. Urgia, pois, preservá-la e Mário Nunes, com este livro, se não conseguiu salvaguardar a paisagem, agenciou defender a lembrança dos muitos que ali são, de uma forma, ou de outra, lembrados; proporcionou às gerações vindouras um meio de compreensão da essência da sua própria história, até porque as comunidades, como tais, necessitam de ancoradouros de memória, de sítios, de valores e de padrões, ou, dito por outras palavras, necessitam de um património que funcione como fundamento da sua consciência e lhes garanta a perspectivação do futuro.As recordações que Mário Nunes colocou em letra de forma materializam a mensagem contida no Penedo da Saudade e o livro permite que não se sumam, na voragem do tempo, as memórias ali existentes, pois fornece identidade aos conimbricenses e a todos quantos passaram por esta cidade e ali imprimiram os ecos da sua mocidade.
A história vive e projecta-se através do passado humano e quanto mais forte, profundo e saudável esse passado for, maior força imprime a essa mesma história, no sentido de ela se poder afirmar com uma vitalidade cada vez mais sólida.
Todos os aglomerados têm, em sentido lato, os seus “monumentos”, que funcionam como âncoras, onde se firma a memória das pessoas e o orgulho das comunidades. São os indicadores da sua identidade e da sua classificação. Dão-lhes segurança, servem-lhes de referência, ajudam-nas a axializar os seus itinerários e incitam-nas a perspectivar o futuro.
É esta a finalidade do livro “Penedo da Saudade”, que a pena de Mário Nunes ora coloca nas mãos de todos nós.

Regina Anacleto
Professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Instituto de História da Arte
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CAPA: Fotografia de Luís Carregã

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

"Do ordenamento jurídico do tabaco e dos seus produtos na União Europeia - Reflexos em Portugal", obra de Mário Frota


O estudo “Do Ordenamento Jurídico do Tabaco e dos seus Produtos na União Europeia – Reflexos em Portugal”, uma área que não tem merecido os favores dos cultores do direito, representa um passo importante para a compreensão de um fenómeno social a que os sistemas jurídicos – internacional, europeu e nacional – tendem a conferir dignidade própria pela relevância de que se reveste.
Trata-se, pois, do primeiro trabalho – a que se espera outros se sigam – que reflecte as preocupações da Organização Mundial de Saúde, coroadas na Convenção-Quadro para o Controlo do Tabaco em 21 de Maio de 2003, aprovada em Portugal em 8 de Novembro de 2005 e em vias de ratificação e da transposição para o direito interno de várias Directivas do Parlamento Europeu e do Conselho.
Os reflexos de tais iniciativas na ordem jurídica portuguesa detecta-os o Autor nas inicialmente tímidas medidas legislativas, a que se seguiu o marco histórico do DL 226/83, de 27 de Maio, que ora chega ao seu termo pela aprovação de uma proposta de lei, em 1 de Março de 2007, que o Governo se apresta a submeter ao Parlamento.
Esta proposta de lei não é contemplada no trabalho do Autor por ser muito recente. Não constitui ainda, de resto, direito vigente. Mas absorve princípios e regras que decorrem tanto da Convenção-Quadro quanto da obra legislativa, regulamentar e administrativa da União Europeia. Neste contexto, surge a proibição de fumar nos locais de trabalho e em estabelecimentos de hotelaria, restauração e cafetaria, com excepções que atenuam a rigidez das medidas decretadas ao conferirem-se alternativas aos fumadores que não prejudiquem, aliás, como se tem por curial, os não-fumadores.
De resto, aspectos há – que a proposta de lei parece contemplar – que são ainda objecto de debate do Livro Verde “Por uma Europa sem fumo: opções estratégicas a nível comunitário”, cuja apresentação o Comissário Europeu, Markos Kyprianou, efectuou em Bruxelas em 31 de Janeiro de 2007 e cuja discussão decorrerá até 1 de Maio deste ano. Com o desenvolvimento normativo, o tema não se encerra. Antes se abre à apreciação dos que se votam ao estudo do Direito da Saúde e de áreas afins.
O propósito do Presidente do Conselho de Prevenção do Tabagismo – e dos que o acompanham na estrutura consultiva em que têm assento – é que se desenvolvam estudos análogos, se aprofundem as leis, se avalie o seu impacto, como o faz a Comissão Europeia em relação à generalidade dos instrumentos normativos que edita, e se apure a incidência da divulgação de tais estudos nos índices de saúde pública, v.g., na exposição ao fumo do tabaco e seus produtos ou no processo de cessação tabágica em curso, através de múltiplas iniciativas que apoia, estimula ou promove.
De resto, seria interessante, para além de estudos da natureza deste, dispor de um registo acerca da história da prevenção do tabagismo em Portugal desde os primórdios – quando preocupações ambientais se exprimiram liminarmente e as primeiras medidas se decretaram – até ao momento actual. Sem se descurarem outros de natureza sociológica, que poderiam principiar pelas escolas superiores onde, a despeito do decréscimo registado noutros escalões da sociedade, há ainda, sobretudo no elemento feminino, índices algo preocupantes, em clara oposição ao quadro geral que a sociedade portuguesa regista confortavelmente.
Realce-se, pois, o contributo do estudo a que o Autor procedeu e é, nos seus limites, um importante passo para a abertura ao universo jurídico de relevantes segmentos da saúde pública e individual.
As conferências que, a instâncias de distintas entidades, tem proferido e se centram, particularmente, na incidência das restrições e/ou proibições à publicidade, promoção e patrocínio do tabaco, vão também nesse sentido.
Para além das modificações que a nova lei vier a consagrar e que poderão merecer acurado estudo, auguramos-lhe que continue a dedicar-se a temas com forte carga social, como os que na saúde pública e na defesa do consumidor se inscrevem, muito contribuindo com a sua reflexão e a sua inteligência. A comunidade nacional beneficiará indubitavelmente do esforço que este trabalho representa.

Manuel Pais Clemente
(presidente do extinto Conselho de Prevenção do Tabagismo)
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CAPA: Desenho de Berthold, in "Icones - Florae Germanicae et Helveticae" (Volume XX), de H. G. Reichenbach (Filio), 1862
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FICHA TÉCNICA:
Livro: Do ordenamento jurídico do tabaco e dos seus produtos na União Europeia – Reflexos em Portugal
Autor: Mário Frota
Capa: Desenho de Berthold, in “Icones – Florae Germanicae et Helveticae” (Volume XX), de H. G. Reichenbach (Filio), 1862
Editora:
 Mar da Palavra - Edições, Lda.
Colecção: Qualidade de Vida (N.º 2)
PVP:
 15,90 €
N.º de páginas:
 96
Formato:
 14,5 x 21,0 cm
ISBN:
 972-8910-23-5 (EAN: 978-972-8910-23-5)
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Registo de notícias e outras referências:
http://www.netconsumo.com/2007/05/no-dia-mundial-sem-tabaco-mrio-frota.html
http://www.netconsumo.com/2011/01/investigador-defende-novas-alteracoes.html
http://www.netconsumo.com/2011/06/diario-do-dia-22-6-2011.html

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

"Homens... ou racionais poligâmicos", de Teresa Sousa Fernandes (com prefácio de Joaquim Manuel Pinto Serra)

Este livro é ilustrado por Maria Isabel da Costa e Almeida Matos, David Rebelo, Fernando Jorge Pratas dos Reis Costa, Maria Clara Gonçalves Morais Rodrigues, José António Lobão Alves de Figueiredo e por Maria Dulce Zamith Cerveira de Moura Abreu.
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"Homens… ou racionais poligâmicos", da autoria de Teresa Sousa Fernandes, obra com a chancela da Mar da Palavra, prossegue a linha narrativa da escritora, de forma simples e directa, a partir de situações da vida real que identifica numa entrega apaixonada. Assim, a autora dá vida a uma espécie de "fix-up", servindo-se de um conjunto de pequenas histórias que funcionam independentemente mas que se interligam para contar uma história maior, dando a conhecer originais e reaproveitando textos previamente publicados.
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APRECIAÇÃO CRÍTICA:
Desde sempre, os jogos do amor, ou melhor, os jogos da sedução têm preenchido as análises literárias, psicológicas e psicopatológicas de quase todos os escritores, através dos tempos. Conforme as limitações sociais, políticas, morais e religiosas, eles têm-nos dissecado e interpretado, resolvendo-os com múltiplas soluções, muitas vezes desesperadas, outras nem tanto… Mas envolvendo-as de doce encanto e poéticas intenções. Mudam-se os tempos, mudam-se as soluções… E temos de novo, aqui e agora, em pleno século XXI, Teresa Sousa Fernandes, com a mestria pós-moderna de uma saudável loucura, a redistribuir as peças no tabuleiro de um jogo interminável, prenhe de ironia e sensualidade, mas muito mais sociável e desinibido do que outrora.
Não compete a um prefaciador induzir o leitor… E muito menos encaminhá-lo na leitura da obra que lê. Sobretudo, quando essa obra é tão difícil de catalogar como esta que estamos a prefaciar, neste momento. Teresa Sousa Fernandes mostra-nos, como em obras anteriores, o seu salutar desprendimento, ao tratar os jogos da sedução com a perspicácia que lhe é peculiar. “Loucura…”, dirão alguns, os mais propensos a socorrerem-se da psiquiatria para definir os novíssimos tempos. “Intriga…”, dirão outros tantos, os mais desatentos e indisciplinados nas correrias pela saudade e pelo bom senso. “Aberta e desempoeirada…”, dirá o prefaciador, ao considerá-la desprovida de falsos moralismos e inusitados pudores, tão desnecessários e falsos como obscenos.
Já não se morre de amor? E de infidelidade? Os jogos tornaram-se pragmáticos, em surpreendentes matizes de cómoda e real racionalidade? E as poligâmicas vontades substituíram as enigmáticas dúvidas, dando lugar a outras mais criativas soluções? Teresa Sousa Fernandes equaciona tudo isto, mas não desvenda. Porque deixa – aos leitores e à loucura salutar de cada um – o desadormecimento do seu subconsciente, em polémicas intenções e agradáveis subtilezas.A autora baralha-nos o jogo e mostra-nos os hábeis bluffs, idealizados por um oportuno xeque-mate que intencionalmente se eterniza.
Teresa Sousa Fernandes, uma irónica observadora, sorri do seu próprio humor e oferece-nos, com inovadores propósitos, um passeio pela sabedoria e pelo talento, iniciando-nos num jogo que não tem fim, porque é eterno, de todos os tempos e de todas as gerações…

Joaquim Manuel Pinto Serra
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CAPA: Reprodução do quadro "- La più bella sera! / - Con te, alle otto", de Maria Isabel da Costa e Almeida Matos Godinho

"As palavras sensuais da nossa ausência", romance de Joaquim Manuel Pinto Serra


"As palavras sensuais da nossa ausência", da autoria de Joaquim Manuel Pinto Serra é o oitavo livro do escritor e a quarta obra da colecção “Cais da ficção” da editora Mar da Palavra.
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(…) Chegaram a uma sexta-feira, no dia 8 de Outubro. Raul sabia que, contando com os seis dias para a viagem de regresso, apenas estaria em Urekinus vinte e cinco dias. Estava tudo calculado e combinado com Margarida. Mas ele receava que, por motivos imprevistos, não pudesse regressar na altura programada. E exasperava-se por isso, quando pressentia essa hipótese. Ela sossegava-o, dando-lhe algumas certezas. Contudo, ele mantinha as dúvidas que o sobressaltavam... e sofria, só de pensar que tal pudesse suceder…
Na véspera da chegada, reuniram-se todos ao jantar e confraternizaram num ambiente alegre e descontraído, o que sensibilizou Raul. Principalmente, por terem falado em Português... E por lhe terem desejado, numa troca de brindes, as maiores felicidades no trabalho que iria realizar. Desde então, ele ficou a meditar sobre a hipótese de eles não serem tão insensíveis como, de início, tinham deixado antever. O que dava razão a Margarida quando ela os desculpara pelas suas atitudes enfáticas e distantes. Arrependia-se, nesses momentos, de não ter colaborado um pouco mais... Talvez que o defeito fosse também dele! Mas teria ainda muito tempo para provar que os habitantes da Terra, quando queriam, também eram afáveis e educados.
Era meio-dia quando lhe disseram que a nave tinha chegado ao planeta Urekinus. Causou-lhe admiração verificar que os ponteiros do seu relógio continuavam a funcionar, como se uma viagem intergaláctica não se tivesse realizado durante seis dias, a uma velocidade inimaginável! Para ele, dois ou três meses antes, seria um absurdo. Mas, naquela altura, era aliciante e confortável... Porém, estava apenas no princípio e tudo poderia ainda acontecer...
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

"A outra face do luar", ficção de Lurdes Breda (com ilustração de Ana Loureiro)


A escrita de Lurdes Breda, sem ser experimentalista, tem vindo a experimentar diversos géneros. E este seu novo livro – “A outra face do luar”–, pela força das circunstâncias que o antecederam, integra vários trabalhos apresentados em múltiplos concursos literários (alguns deles premiados, como sucede com os inéditos “Anjo dourado”, “Jasmim” e “Um Natal nas margens da minha infância”) e, por isso, são necessariamente curtos. Nesse contexto, adoptaram a estrutura do conto, embora a Lurdes Breda – intencionalmente e por imperativos de um estilo que começa a ganhar corpo e energia – fuja, um pouco, à roupagem própria deste género literário. As suas capacidades descritivas e narrativas dir-se-ia mais adequadas noutras margens que não as do conto, mas a escritora quer ultrapassar alguns cânones, privilegiando uma realidade ficcional por vezes avessa a determinadas regras de catálogo.
Com Lurdes Breda, escritora que a Mar da Palavra tem acompanhado desde o seu primeiro livro, os textos alcançam musicalidade e força no conflito humano (não importa se na primeira ou se na terceira pessoa), mas num ambiente em que, ao contrário do que se esperaria no conto, este aparece muito bem desenhado e não se sujeita a duas ou três pinceladas. Na escrita desta autora de Montemor-o-Velho (mais propriamente de Liceia), conseguimos ouvir o murmúrio das árvores e aperceber o aroma das flores, além das surpresas que se nos deparam, enquanto leitores, no território do mistério e do maravilhoso. Essas características textuais contribuíram muito para a beleza das ilustrações que a jovem pintora e ceramista Ana Loureiro preparou para esta obra.
Em cada um dos textos que compõem o livro, há o drama e o conflito, o sonho e a fantasia de uma ou duas personagens que aí participam numa procura que, além responder às dúvidas e às inquietações da escritora, nos ajudam igualmente a encontrar um objectivo ou um efeito importante para a nossa vida.
Apesar de o espaço físico da narrativa não ser muito dinâmico, não obstante a sua aparente diversidade, a escrita de Lurdes Breda transporta-nos para um universo sem limites – que é o da imaginação – e faz-nos viajar em e para horizontes que nos permitem muitas interrogações. Ou seja, o foco narrativo dos seus textos é problemático no sentido em que nos ajuda a repensar no porquê da nossa existência. É essa, em nosso entender, a tensão dramática que, nos mais diversos cambiantes, se nota no livro “A outra face do luar” – obra cujo título nos remete para um verso de amor de Natália Correia.
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Registo de notícias:
http://lurdesbreda.files.wordpress.com/2009/06/fim-de-semana-suplemento-do-diario-de-coimbra-11-08-06.jpg
http://lurdesbreda.files.wordpress.com/2009/06/fim-de-semana-2-suplemento-do-diario-de-coimbra-11-08-06.jpg

"O piano adormecido", de António Vilhena (texto) e Andreia Travassos (ilustração)


"O Piano Adormecido" é a primeira obra de literatura para a infância da autoria de António Vilhena, escritor que tem mantido uma colaboração regular no “Diário da Turma”, suplemento infanto-juvenil e mensal do “Diário de Coimbra”.
Estamos perante uma escrita que transmite o encantamento do regresso às origens, capaz de animar o imaginário e a fantasia de cada um de nós, quando nos contam uma reconfortante história, mesmo no mundo dos adultos.A magia deste pequeno livro encontramo-la na poesia que António Vilhena sabe colocar no antigo piano da casa da avó Mariana, que também era o luxuoso quarto do gato Jeremias.
Foi o menino Afonso quem redescobriu a alegria que há nos sons ensaiados no velho piano, ao mesmo tempo que se surpreendia com o canto das andorinhas.O sonho de Afonso tinha a ver com uma conversa entre animais que gostavam de música e com a necessidade de uma andorinha querer acordar o esquecido piano. O desejo cumpriu-se: Afonso acordou o piano que imitava o canto das aves, na Primavera.
Nesta pequena obra, o simbolismo do sonho ajuda a iluminar um quotidiano cinzento e, talvez, ainda a ultrapassar dilemas infantis. Aqui, não há maniqueísmos nem heróis, apenas um texto onde se identifica a beleza das coisas simples, tão bem coloridas pela ilustradora Andreia Travassos.
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Registo de notícias e outras referências:
http://nasfaldasdaserra.blogspot.com/2006/12/antnio-vilhena-e-andreia-travassos.html
http://nasfaldasdaserra.blogspot.com/2007/07/antnio-vilhena-d-conhecer-o-piano.html
http://biblioteca-marupiara.blogspot.com/2011/04/o-piano-adormecido-antonio-vilhena.html
http://jornaldefafe.blogspot.pt/2012/07/club-alfa-obra-poetica-canto.html

Um ano de governação em Saúde: sentidos e significados - Relatório de Primavera 2006


O Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS) é uma parceria entre a Escola Nacional de Saúde Pública, a Faculdade de Economia de Coimbra - Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra e o Instituto Superior de Serviço Social do Porto.
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Colaboraram no Relatório de Primavera 2006:
Ana Escoval
António Rodrigues
Cipriano Justo
Constantino Sakellarides
Fernando Gomes
Francisco Batel Marques
Inês Teixeira
Joana Sousa Ribeiro
José Luís Biscaia
Luís Saboga Nunes
Manuel Schiappa
Manuela Mota Pinto
Paulo Kuteev Moreira
Pedro Beja Afonso
Pedro Lopes Ferreira (coordenador)
Suzete Gonçalves
Victor Raposo

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

"Avaliação multidimensional em idosos", de Pedro Lopes Ferreira, Rogério Rodrigues e Dália Nogueira (com prefácio de Cipriano Justo)


"Avaliação multidimensional em idosos", da autoria de Pedro Lopes Ferreira, Rogério Rodrigues e Dália Nogueira, é o livro que abre a colecção “Qualidade de Vida” da editora Mar da Palavra. Trata-se de uma obra patrocinada pelo Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra (CEISUC), com o apoio da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia).

APRECIAÇÃO CRÍTICA:
A estratégia de obtenção de mais saúde centrada no ciclo vital é particularmente complexa quando se trata dos idosos. Mais do que em qualquer outra idade, é neste grupo etário que o resultado do cruzamento das decisões de ordem social, económica e ética adquire maior correlação e relevância, mas em que o efeito dessas decisões é também mais incerto porque é mais tensa a relação de agência que se estabelece entre esta população e os prestadores de cuidados de saúde. Essa tensão manifesta-se no reconhecimento da necessidade de delegar nos prestadores a tomada de decisões particularmente críticas e na reivindicação de seleccionar aquelas que, no plano da análise subjectiva, estão mais bem colocadas para responder às necessidades sentidas.
(...) Este trabalho utiliza o Old American Resources and Services (OARS), um questionário desenvolvido pelo Center for the Study of Aging and Human Development da Universidade Duke (EUA) e destinado a avaliar a capacidade funcional dos idosos em cinco dimensões da sua qualidade de vida: (i) bem-estar físico e saúde percebida, (ii) bem-estar psíquico, (iii) disponibilidade de ajuda informal sociofamiliar e disponibilidade de ajuda institucional, (iv) disponibilidade económica para satisfação de necessidades básicas e não básicas, (v) actividades da vida diária, medindo ainda a utilização e a necessidade sentida de vários tipos de serviços.
(...) A robustez demonstrada por esta ferramenta vem aconselhar a sua aplicação de uma forma mais sistemática sempre que estiver em causa a alocação de recursos para se obterem ganhos em saúde neste grupo etário.

Cipriano Justo 
(médico e professor universitário)
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CAPA:
Reprodução do quadro El Perro Semihundido ou El Perro en Arena, de Francisco Jose de Goya
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Registo de notícias e outras referências:
http://www.tempomedicina.com/Arquiv.aspx?Search=mar+da+palavra 

Novo serviço público da Saúde - Novos desafios. Relatório de Primavera 2005


O Observatório Português dos Sistemas de Saúde (o OPSS) é uma parceria entre a Escola Nacional de Saúde Pública, a Faculdade de Economia de Coimbra - Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra e o Instituto Superior de Serviço Social do Porto.
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Contribuíram para a realização deste Relatório:
COORDENADOR
Constantino Sakellarides
INVESTIGADORES FUNDADORES DO OPSS
Ana Escoval
Cipriano Justo
Jorge Correia Jesuíno
Jorge Simões
José Luís Biscaia
Manuel Schiappa
Paulo Ferrinho
Pedro Lopes Ferreira
Suzete Gonçalves
Teodoro Briz
Vasco Reis
Vítor Ramos
SECRETARIADO TÉCNICO
Marta Cerqueira
Filipe Rocha
INVESTIGADORES COLABORADORES
Alexandre Jardim
Álvaro Carvalho
António Rodrigues
Carla Courelas
Cláudia Conceição
Fernando Gomes
Francisco Batel Marques
João Carrasco
Luís Saboga Nunes
Patrícia Barbosa
Paulo Kuteev-Moreira
Padro Afonso
Vítor Raposo

"Os novíssimos afectos", colectânea de contos de Joaquim Manuel Pinto Serra


"Os novíssimos afectos", da autoria de Joaquim Manuel Pinto Serra, obra que mereceu a Menção Honrosa do Prémio Literário Paul Harris – 2005, é o terceiro livro da colecção “Cais da ficção” da editora Mar da Palavra.
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(...) Era o início da avalanche repercutindo-se nas cedências e nas intenções dos afectos mais audazes de dois casais unidos por uma extraordinária amizade e por uma intimidade insolúvel, repleta de incertezas.
Foi com a maior naturalidade, própria dos tempos novíssimos, que os quatro aceitaram, após uma noite de copos e de algumas discotecas, o que era óbvio e preciso: estavam todos apaixonados, embora por pessoas diferentes!... A vida trocara-lhes as voltas e os projectos iniciais tinham sofrido alterações, quando eles menos esperavam... Como peças de um xadrez, deixavam-se movimentar, mudando apenas de casa os peões no tabuleiro... Ocupavam novos lugares, mas a vida continuava, até que o xeque-mate viesse, irreversível e inesperado, pôr um fim naquele jogo que estava só no começo. Para quê, então, os dramas da separação tão em voga?... O mundo era imperturbável, tudo continuaria na mesma. Apenas alguns ajustes em frases mais renovadas, metódicas, muito sinceras, sem amuos desnecessários, neste planeta admirável, visto de um modo diferente..., com muita condescendência, e onde a transitoriedade da vida impõe regras maleáveis, inúteis, quase obscenas...
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CAPA: Reprodução de pintura de Olga Pragana