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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

"O outro mundo em nós", colectânea de contos de Joaquim Manuel Pinto Serra

O outro mundo em nós”, da autoria de Joaquim Manuel Pinto Serra, é a nona obra do autor e completa a trilogia ficcional, na modalidade de conto, de que fazem parte os livros “Estas aparências que nos doem” e “Os novíssimos afectos”, com a chancela da editora Mar da Palavra. A presente obra surge dez meses após a publicação do romance “As palavras sensuais da nossa ausência” (em Fevereiro de 2007).








(…) Desde nova que a morte a atemorizava, sobretudo pelas incertezas de que ela se rodeava: o Inferno de que lhe falavam, o Céu que não entendia, o Purgatório desconhecido que não era carne nem peixe. Tudo isso a intrigara quando andara na catequese. Era agora o imaginário a pressioná-la na solidão dos seus pensamentos finais... Sozinha, casada apenas durante alguns meses, procurara na religião o significado da morte, mas ninguém a convencera do que viria depois. Por isso, não queria morrer... Mas a dúvida persistia em tudo o que ela fazia e em tudo o que ela pensava: estaria mesmo viva ou já teria morrido?
Esse limiar absurdo, tão nítido para toda a gente, mas para ela imperceptível, porventura inexistente, deixava-a tão indecisa que a passagem imaginária se transformara em pesadelo nos seus próprios pensamentos. Com aquela cara de múmia, observada ao espelho, poderia já estar morta e ter ultrapassado o patamar sem se ter apercebido; teria mudado de margem, sem sentir a travessia, entrando num outro mundo com a naturalidade própria de quem vive por viver...
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O AUTOR:
Algarvio, Joaquim Manuel Pinto Serra nasceu em Loulé, onde fez a instrução primária (na antiga Escola Conde de Ferreira) e os dois primeiros ciclos do ensino liceal (no extinto Colégio Infante D. Henrique). Concluiu os estudos secundários em Faro, no então liceu dessa cidade. Em Coimbra, licenciou-se em Medicina e especializou-se em Psiquiatria. Como médico, fez o internato geral nos Hospitais da Universidade de Coimbra e trabalhou no Centro de Saúde de Santa Clara (Coimbra).
Na qualidade de psiquiatra, foi assistente hospitalar no Hospital Psiquiátrico de Sobral Cid (Serviço de Inimputáveis Perigosos do Ministério da Justiça) e chefe de serviço no Centro Psiquiátrico de Recuperação de Arnes, de que foi director (de 1984 a 1996).Exerceu a sua especialidade em Tomar (Centro de Saúde e consultório particular), durante quinze anos. Actualmente, é aposentado da carreira hospitalar e, como profissional liberal, continua a trabalhar em psiquiatria.
É membro de várias associações artísticas e literárias e integra o Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos (SOPEAM).
Publicou cinco livros de poesia e três de ficção. A nona obra do autor – “O outro mundo em nós” – complementa a trilogia, na modalidade de conto, de que fazem parte “Estas aparências que nos doem” e “Os novíssimos afectos”.
Escreveu as obras poéticas “As mãos e o silêncio” (Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres – 1998), “Mágoas de solidão e desassossego” (1.ª Menção Honrosa do Prémio António Patrício da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos – 1998), “Cinco canções de amor para violino e orquestra” (Prémio António Patrício da SOPEAM – 2000), “De passagem para o outro lado da ternura” (Menção Honrosa do Concurso Arte na Medicina da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos – 2003) e “Pelas margens da serenidade” (Prémio António Patrício da SOPEAM, em 2004), editado em Novembro de 2005, com a chancela da Mar da Palavra. É autor das colectâneas “Estas aparências que nos doem” (1.ª Menção Honrosa do Concurso Nacional de Conto Manuel da Fonseca – 2004) e “Os novíssimos afectos” (Menção Honrosa do Prémio Literário Paul Harris – 2005), também editados pela Mar da Palavra (Dezembro de 2004 e Maio de 2006). A presente obra – “O outro mundo em nós” – completa a trilogia ficcional na modalidade de conto, dez meses após a publicação do romance “As palavras sensuais da nossa ausência” (em Fevereiro de 2007).Está representado na obra “Louvor a Cascais – Antologia em prosa e poética do passado ao presente” (2003).
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FICHA TÉCNICA:
Livro: O outro mundo em nós
Autor: Joaquim Manuel Pinto Serra
Capa: Pintura a óleo “Bailado”, de Maria Luísa Reimbau
Editora:
 Mar da Palavra - Edições, Lda.
Colecção: Cais da Ficção (N.º 5)
PVP:
 17,67 €
N.º de páginas:
 200
Formato:
 13,0 x 19,0 cm
ISBN:
 972-8910-31-0 (EAN: 978-972-8910-31-0)

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Registo de notícias e outras referências:

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

"O periquito rebelde", de Fernando Miguel Bernardes, com ilustração de Inês Massano


“Eu tenho uma poesia muito apelativa para as crianças. Sou capaz de ser um dos escritores da literatura infanto-juvenil portugueses que têm mais contacto com crianças. Um poeta não deixa assim com muita facilidade de ser criança... A minha vivência de meninice e de adolescência foi no campo, em Gândara dos Olivais, encostado ao rio Lis, entre Leiria, Amor, Monte Real. Estes temas das aves, dos rios, da água a correr, do encontro dos rios pequenos que depois dão no rio grande e mostram que a união faz a força... Esta vivência influencia muito a minha escrita para crianças. Vou muitas vezes às escolas dos vários pontos do país para conversar de tudo isto com elas.”  
(in A Página da Educação, n.º 109, entrevista a Fernando Miguel Bernardes)
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Em espaço livre
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O AUTOR:
Fernando Miguel Bernardes nasceu em Gândara dos Olivais, Leiria. Frequentou as Universidades de Coimbra e Clássica de Lisboa. Como engenheiro geógrafo, e bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, fez uma pós-graduação em Cálculo Científico.
Docente do ensino superior, foi também técnico superior de Sistemas Informáticos, e director de departamento na Função Pública, na área da Cultura.
Co-fundador da Organização dos Trabalhadores Científicos, é sócio activo de instituições científicas e culturais como a Sociedade de Geografia de Lisboa, com incidência na secção de Física Matemática e Cartografia, ou a Associação Portuguesa de Escritores, de cuja Direcção é membro efectivo.
Integra e coordena habitualmente júris de prémios literários de âmbito nacional e internacional. Antes do 25 de Abril, assumindo na prática posições coerentes com a sua ideologia, foi várias vezes preso, julgado e condenado, tendo cumprido as sucessivas penas em cadeias políticas de Coimbra, Porto, Lisboa e Caxias. Mais tarde, foi-lhe reconhecido, pela Assembleia da República, o “mérito excepcional da contribuição dada à defesa da Liberdade e da Democracia”.
Em Maio de 2009, publica o livro de poesia “O fio das harpas”, com a chancela da editora Mar da Palavra.
A sua presente obra para a infância “O periquito rebelde”, também sob a forma de poema, com ilustração de Inês Massano,  prossegue os objectivos de transmitir intemporais valores humanos e de criar hábitos de leitura, proporcionando um olhar distinto de uma realidade cada vez mais afastada da Natureza e dos ambientes bucólicos…
Como seguimento da publicação dos seus livros para a infância e juventude, Fernando Miguel Bernardes visita escolas do ensino básico por todo o País, para (com as crianças, os pais e os professores) ler, comentar e dramatizar alguns dos seus textos, previamente explorados nas respectivas turmas.
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A ILUSTRADORA:
Maria Inês Morais Massano Cardoso, nasceu em Coimbra, a 14 de Março de 1979.
Muito cedo, revelou interesse pelo desenho e por tudo o que se relacionasse com esta arte.
Em 2002, terminou a licenciatura em Design de Comunicação, na Escola Universitária das Artes de Coimbra. Desde então, tem leccionado Educação Visual, Pintura, Desenho e Design Gráfico; e tem participado em diversas exposições e ilustrado livros para a infância.
Em 2007, sob a chancela da editora Mar da Palavra, ilustrou a obra “Aprender a Crescer – Manual de Formação Cívica” (incluindo um jogo pedagógico), com texto de Ana Isabel Garrido.
Inês Massano dedica a maior parte do seu tempo a desenhar e a criar, e confessa “fazê-lo com todo o prazer do mundo”. Assim, aceitou ilustrar a obra “O periquito rebelde”, em que alia a vertente pedagógica aos aspectos lúdicos da descoberta da cor e do desenho, na interpretação de um poema de Fernando Miguel Bernardes.
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FICHA TÉCNICA:
Autor: Fernando Miguel Bernardes
Ilustração: Inês Massano
Editora: Mar da Palavra - Edições, Lda.
Colecção: Gato Pardo (N.º 4)
PVP: 7,57 €
N.º de páginas: 16
Formato: 21,2 x 14,7 cm
ISBN: 972-8910-59-4 (EAN: 978-972-8910-59-4)

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Registo de notícias e outras referências:
http://www.avante.pt/pt/1998/?tpl=612 
http://gazetadecoimbra.pse-engineering.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=125692:"o-periquito-rebelde",-de-fernando-miguel-bernardes,-com-%3Cb%3E...%3C/b%3E&catid=1:blogs&Itemid=50

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

DIAS DE SORTE (poesia), de Diogo Lucas Linhares

Sobre os quarenta poemas que fazem este livro, convém dizer que, às vezes no poema inteiro, outras vezes apenas num verso, se procura esmiuçar a definição de uma sociedade que tem, na minha (ainda muito imatura) visão, algumas falhas. Maravilhoso seria se, ao terminar de ler cada poema de "Dias de sorte", cada leitor perguntasse a si mesmo se o seu papel na sociedade poderia ou não ser melhorado, em prol do bem comum.
Mas nem só de observação social se faz a poesia. Existe em vários poemas um lado íntimo, uma procura de conforto, conforto esse que (maravilhoso seria se) os leitores pudessem levar para o seu quotidiano. Espero, assim, como autor e como cidadão, que cada pessoa, ao ler estes poemas, tenha vontade de transformar o mundo (como quando vemos um filme motivante); e que faça de cada dia um dia de sorte.

Diogo Lucas Linhares
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O AUTOR:
Diogo Xavier Ferreira Cardoso (Diogo Lucas Linhares quando à literatura diz respeito) nasceu em Coimbra, no dia 21 de Agosto do ano de 1993. Toda a sua vida literária se resume aos textos que foi escrevendo na escola ou quando queria ter sucesso com alguma rapariga, enfrentando agora, com o livro "Dias de sorte", a sua primeira publicação. Enquanto isto, estuda História na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e por lá continuará até o País sair da crise, situação que, segundo ele, está muito próxima de acontecer…
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FICHA TÉCNICA:

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

AO SABOR DAS PEQUENAS COISAS, romance de Joaquim Manuel Pinto Serra

PRÉMIO LITERÁRIO FIALHO DE ALMEIDA 2012, pela Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos (SOPEAM)


Os ponteiros dos relógios imprimiam à reunião, nesses enfadonhos instantes, um ritmo muito mais lento, tão lento como os bocejos que, por vezes, aconteciam. No próximo ano, se fossem vivos, lá estariam, de novo, para uma hora de recordações e outra de muita saudade. E cinco minutos, no fim, para se encorajarem uns aos outros, sobretudo aos que a vida tinha oferecido um qualquer infortúnio. Depois, muitos sorrisos generosamente cedidos com acalorados abraços e votos de felicidades. Para o ano, tudo continuaria na mesma... E isso era um sinal inequívoco de que muitos marcariam, mais uma vez, as suas presenças para lembrar as aulas em que todos eram felizes. E as miúdas que engatavam, os castigos que sofriam, as malandrices inventadas em noites que se prolongavam pelas madrugadas distantes, quando a poesia sonhava e tudo ainda sorria. Até um regresso a casa pelas mãos da bebedeira. E muita, muita alegria...
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O AUTOR:
Médico psiquiatra e escritor, Joaquim Manuel Pinto Serra movimenta-se entre Coimbra (sua terra adoptiva), Lisboa (onde permanece regularmente durante os dias necessários à sua ânsia de cultura, em tertúlias de arte e de convívio) e Loulé (sua terra natal).
Este seu romance (o segundo), depois dos onze livros já publicados, desvia-se da linha tradicional e literariamente comedida a que se entregara nas anteriores obras de ficção, embora, nos seus contos, já se descobrisse a ironia que lhes está subjacente e, nos últimos, a irreverência no modo de confrontar os leitores com a realidade menos puritana da sociedade.
Nesta sua nova experiência literária, expressa-se livre de preconceitos hipócritas, ao observar o outro lado da vida e ao retratá-la bem longe, certamente, da sensibilidade e da musicalidade da sua poesia. Nunca esquecendo que ambas as realidades se complementam no desejo natural e emocionante que é a arte de viver.
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BIBLIOGRAFIA:
É autor das publicações “As mãos e o silêncio” (Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres – 1998), “Mágoas de solidão e desassossego” (1.ª Menção Honrosa do Prémio António Patrício da SOPEAM – 1998), “Cinco canções de amor para violino e orquestra” (Prémio António Patrício da SOPEAM – 2000), “De passagem para o outro lado da ternura” (Menção Honrosa do Concurso Arte na Medicina da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos – 2003) e “Pelas margens da serenidade” (Prémio António Patrício da SOPEAM – 2004), já com chancela da Mar da Palavra, em Novembro de 2005. É autor das colectâneas “Estas aparências que nos doem” (1.ª Menção Honrosa do Concurso Nacional de Conto Manuel da Fonseca – 2004), “Os novíssimos afectos” (Menção Honrosa do Prémio Literário Paul Harris – 2005), também editadas pela Mar da Palavra (Dezembro de 2004 e Maio de 2006). A obra “O outro mundo em nós”, publicada em Fevereiro de 2007, completa a trilogia ficcional na modalidade de conto, dez meses após a publicação do romance “As palavras sensuais da nossa ausência”. Em Junho de 2008, experimenta a literatura juvenil, em co-autoria com Maria Armanda Tavares Belo, com o livro “Uma professora ao canto do olho”. Com “Marginalidades e alguns poemas de amor”, a sua décima primeira obra publicada (em Abril de 2009), J. M. Pinto Serra regressou às origens da sua escrita e da marca poética, assumindo um tom coloquial, ao jeito de quem conversa com os leitores. Está representado na obra “Louvor a Cascais – Antologia em prosa e poética do passado ao presente” (2003).
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Ilustração da capa:
Pormenor do cartaz Salon des Cents, de Alfons Mucha (1896).
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NOTA DA EDITORA:
A linguagem, por vezes, crua e áspera e algumas situações aparentemente excêntricas, neste romance de Joaquim Manuel Pinto Serra, convidam à chamada de atenção na cinta do livro: LEITURA EVENTUALMENTE CHOCANTE…
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Registo de notícias e outras referências:
http://issuu.com/campeaodasprovincias/docs/jornal553_23_12_2010
http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:f0Qxq_WFLucJ:www.sequimcitywalk.com/article-ao-sabor-das-pequenas-coisas-romance-de-joaquim-manuel-pinto-serra.html+%22ao+sabor+das+pequenas+coisas%22&cd=6&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt
http://ospoetasdaapp.blogs.sapo.pt/286111.html
http://cultura.centralblogs.com.br/post.php?href=convite+do+associado+joaquim+manuel+pinto+serra&KEYWORD=27074&POST=3871458&
http://onlinebackupv.posterous.com/convite-do-associado-joaquim-manuel-pinto-ser
http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=115624
http://www.planetalgarve.net/index.php?option=com_content&view=article&id=220%3Aloule--apresentacao-do-livro-ao-sabor-das-pequenas-coisas-de-joaquim-manuel-pinto-serra&catid=22%3Anoticias&Itemid=66&lang=pt
http://mlking.cmhttp://estrolabio.blogs.sapo.pt/tag/loul%C3%A9-loule.pt/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=5317
http://nlusofonia.blogspot.com/2011/02/apresentacao-do-romance-ao-sabor-das.html
http://www.wook.pt/ficha/ao-sabor-das-pequenas-coisas/a/id/10300666
www.bibliofeira.com/livro/764697442
http://www.sequimcitywalk.com/article-ao-sabor-das-pequenas-coisas-romance-de-joaquim-manuel-pinto-serra.html
http://www.destakes.com/redir/8b8b4f8b5bccc27bde6f5e0498ff886c
http://www.carteia.pt/pagina/edicao/15/54/noticia/1367
http://pesquisabmc.cm-coimbra.pt/docbweb2/plinkres.asp?Base=ISBD&Form=COMP&StartRec=0&RecPag=5&NewSearch=1&SearchTxt=%22TI%20Ao%20sabor%20das%20pequenas%20coisas%20:%20romance%22
http://webcache.googleusercontent.com/search?hl=pt-PT&q=cache:MOIbCJhA1REJ:http://m.sapo.pt/search/?t=news&q=De+la+guerre+%22Ao+sabor+das+pequenas+coisas%22&ct=clnk
http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=45133
http://estrolabio.blogs.sapo.pt/1476991.html
http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:_DVxPDU94NoJ:triplov.com/triplo2/2011/05/26/convite-do-socio-joaquim-manuel-pinto-serra-2/+%22Ao+sabor+das+pequenas+coisas%22&cd=19&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt&source=www.google.pt
http://onlinebackupv.posterous.com/convite-do-socio-joaquim-manuel-pinto-serra
http://letraseconteudos.blogspot.pt/2012/05/medico-e-escritor-de-lamego-andre_24.html
http://estrolabio.blogs.sapo.pt/tag/loul%C3%A9

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

"Promoções, silêncios e desvirtuações na TV - A informação ao serviço da estação", de Dinis Manuel Alves

Televisão

Nas televisões portuguesas pratica-se um jornalismo de guerra sem que seja preciso arriscar repórteres no campo de batalha. A guerra é suja e trava-se entre as estações de televisão. Promovem-se os produtos da casa, com os telejornais servindo de outdoors para alavancar audiências e desmoralizar o inimigo da frequência ao lado. É publicidade travestida de notícia, com a vantagem de não contar para as quotas. O cidadão-telespectador perde, mas perde muito mais com outras práticas, muito mais condenáveis também. Há silêncios comprometedores, verdadeiros apagões noticiosos, e há desvirtuações graves merecendo lugar de destaque no pelourinho das falhas deontológicas. Dinis Manuel Alves passou à lupa centenas de telejornais das TV’s portuguesas, dando conta, neste livro, de autênticas campanhas de manipulação informativa. “A informação ao serviço da estação” talvez se devesse chamar “Como eles nos enganam”. Este é o primeiro de quatro livros integrados no projecto de investigação da tese de doutoramento defendida pelo autor na Universidade de Coimbra em Abril de 2005.

Edição: Mar da Palavra
Apoio: Gabinete para os Meios de Comunicação Social (GMCS)
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O AUTOR:
Dinis Manuel Alves nasceu no Lobito, Angola, em 1958. É doutorado em Ciências da Comunicação (2005), licenciado em Jornalismo (1999) e em Direito (1981), pela Universidade de Coimbra.
Director do Curso de 1.º Ciclo (Licenciatura) em Comunicação Social do Instituto Superior Miguel Torga. Foi jornalista da TSF, Expresso, Grande Reportagem, TVI, Tal & Qual e Jornal de Coimbra. Desempenhou ainda as funções de repórter fotográfico. Autor de várias exposições de fotografia e de sites na Web, acessíveis através de www.mediatico.com.pt Deputado à Assembleia da República (PS), apresentou em parceria com Jaime Ramos (PSD) o primeiro projecto de criação de rádios locais em Portugal (1983). Este é o quinto livro de sua autoria.
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CAPA: Ilustração de Luís Miguel Pato
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Vídeos sobre o lançamento do livro A informação ao serviço da estação:
http://www.youtube.com/watch?v=neM4bicQ0XI
http://www.youtube.com/watch?v=EDmvcKMSigI
http://www.youtube.com/watch?v=jflGm7tK6Z0
http://www.youtube.com/watch?v=lyPDCq48y7M
http://www.youtube.com/watch?v=6REiedLEuyM
http://www.youtube.com/watch?v=lcmKA_13G9E
http://www.youtube.com/watch?v=1h4E64jEsxk
http://www.youtube.com/watch?v=d7GoHQtmdnM
http://www.youtube.com/watch?v=8oiFnaAq7lM
http://www.youtube.com/watch?v=HgYPn4i9YHg
http://www.youtube.com/watch?v=wwbhe7qptJE

Registo de notícias e outras referências:
http://webcache.googleusercontent.com/search?hl=pt-PT&q=cache:zxYRvZJo9KwJ:http://www.mediatico.com.pt/sartigo/imprimir.php?x=211+%22editado+pela+Mar+da+Palavra%22&ct=clnk
http://www.fnac.pt/A-Informacao-ao-Servico-da-Estacao-Varios/a58689?PID=5&Mn=-1&Ra=-1&To=0&Nu=1&Fr=8
http://www.portal.ecclesia.pt/pub/14/noticia.asp?jornalid=14&noticiaid=76323

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

"O fio das harpas", poesia de Fernando Miguel Bernardes

Este livro é, no fundamental, o resultado de uma recolha de antigos poemas, alguns mantidos inéditos por motivos vários, não de menos peso a acção da censura imposta antes de Abril de 1974; outros, poucos, conseguiram ao tempo sair à luz do dia devido a alguma distracção dos censores ante a persistência de inteligentes e compreensivos directores de jornais, revistas literárias e outras publicações. Dois ou três aqui incluídos foram recuperados recentemente, entre vasta documentação e textos avulsos, nos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo (obrigado, JM), manuscritos dessa época “confiscados” (entre aspas, que destes actos não havia autos) em buscas e apreensões diversas. Já em 1989, saiu o livro ReColagem, que albergava, entre outros, uma pequena colecção de títulos do presente volume. A estes foram acrescidos vários então não seleccionados, ou porque não encontrados, e uns poucos mais recentes. De qualquer dos modos, as datas que ostentam os localizam no tempo.Alguns dos poemas aqui incluídos, contemporâneos do movimento musical que integrava o que ficou tradicionalmente conhecido como novas baladas, ou canto de intervenção, foram musicados, declamados e cantados (em diversos casos com gravações em discos) por artistas como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, Daniel, José Jorge Letria, José Niza, José Carlos Ary dos Santos e Samuel.
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FERNANDO MIGUEL BERNARDES
um Poeta vivo antes e depois de Abril
Na forma de intervenção pessoal de entender a literatura como a atitude de quem se serviu das palavras para denunciar e combater o poder injusto, porque desde os tempos da juventude não soube estar na vida indiferente ou alheado do que se passava em seu redor, Fernando Miguel Bernardes deseja com este livro recuperar os muitos poemas que ficaram nas gavetas ou não passaram aos olhares da Censura em tempo de outras clandestinidades e aqui aparecem datados de 1951 a 1999 e muitos são ainda cantados nas vozes de José Afonso ou de Adriano Correia de Oliveira:

No cimo da cana verde
voava a esperança e pousou…

No fio das harpas que se espalha pelos seus poemas, no que de mais dizível e visível percorre esta “arte poética” já revelada em livros como O Grilo e o seu Violão, Tudo Gira em Toda a Parte, ou ReColagem, Fernando Miguel Bernardes é uma voz que continua a afirmar-se na coerência dos valores que sempre defendeu e, sem dúvida, nos faz recuar às mais fundas raízes da nossa tradição lírica num tom poético melodioso e cantante de quem adoptou como divisa o que inscreve nestes versos:

Se poeta sou
Sei a quem o devo:
Ao povo a quem dou
Os versos que escrevo.

E assim o sentido poético de Fernando Miguel Bernardes uma vez mais se afirma em O Fio das Harpas como a voz singular e pessoal de um poeta de antes e depois de Abril ter chegado até nós ainda na memória de outros rios e lugares e na força da sua resistência e intervenção política.

Serafim Ferreira
Abril, 2009
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O AUTOR:
Fernando Miguel Bernardes nasceu em Gândara dos Olivais, Leiria. Frequentou as Universidades de Coimbra e Clássica de Lisboa.Como engenheiro geógrafo, e bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, fez uma pós-graduação em Cálculo Científico.
Docente do ensino superior, foi também técnico superior de Sistemas Informáticos, e director de departamento na Função Pública, na área da Cultura.
Co-fundador da Organização dos Trabalhadores Científicos, é sócio activo de instituições científicas e culturais como a Sociedade de Geografia de Lisboa, com incidência na secção de Física Matemática e Cartografia, ou a Associação Portuguesa de Escritores, de cuja Direcção é membro efectivo.
Integra e coordena habitualmente júris de prémios literários de âmbito nacional e internacional.Antes do 25 de Abril, assumindo na prática posições coerentes com a sua ideologia, foi várias vezes preso, julgado e condenado, tendo cumprido as sucessivas penas em cadeias políticas de Coimbra, Porto, Lisboa e Caxias. Mais tarde, foi-lhe reconhecido, pela Assembleia da República, o “mérito excepcional da contribuição dada à defesa da Liberdade e da Democracia”.
Como seguimento da publicação dos seus livros para a infância e juventude, vem visitando escolas do Ensino Básico por todo o País, para, com as crianças, os pais e os professores, ler e comentar e dramatizar alguns dos seus textos, previamente explorados nas respectivas turmas.
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APRESENTAÇÃO DA OBRA POÉTICA "O fio das harpas", pelo Prof. Doutor José d´Encarnação, no Palácio Galveias (Biblioteca Municipal Central de Lisboa), em 27 de Maio de 2009:

Resisto a passar as páginas, antes de me consciencializar do que vou ler.
O Fio das Harpas.
Harpas contém ressonância antiga, límpida, a desdobrar-se em ondas sonoras pelo espaço. Não um espaço qualquer! Harpa requer recolhimento, em pequena sala aconchegada, em casebre de pedra nua perdido na encosta num aninhar de lareira, sombra vasta de árvore a acolher rebanho em hora de acarro – pois seja: que o tilintar da guizalhada não se compadece com o vibrar das suas cordas…
Fio – com fio se faz um tecido para aquecer mágoas e confortar rudezas; com fio se cortam maldades, se talham esconjuros… Por um fio se passa, se vive, se morre, se grita – que ele também são fios as nossas cordas vocais.
O Fio das Harpas promete, pois, sossego, sim, a maviosa envolvência; mas também o gume que não hesite em cortar!
Vamos ver!
São quase 200 páginas de caminho. Deixar-nos-emos embalar!Olá!... A caminhada promete – que por ali andou o lápis azul, a confiscação compulsiva. E vozes do nosso actual – e eterno! – descontentamento. Baladas. O Zeca, o Zé Jorge, o Adriano… Estamos, pois, em boa companhia! Recorda-se a velha casa e os anciãos que a encheram. Os companheiros de viagem – idos ou ainda presentes, perdidos nunca!
E cá está a árvore! As folhas são os fios das harpas que resistem, a cantar, mesmo que com vinagre insistam em lhes regar as raízes. Que elas sabem morrer de pé! E sempre haverá flores, mesmo que o chão seja sombrio! Sempre – porque nós, porque o poeta o quer!...
«Fico contente se versos faço», se para isso ainda tenho liberdade, pois, no mar, «eu vejo clamores pela paz». No mar, nos guindastes de aço, nas chaminés fumegantes, nos bancos das escolas… Canto a terra – não pelo bem que ela tenha, mas pelo que eu para ela sonho; canto o povo:

Se poeta sou
Sei a quem o devo

– estes são, seguramente, dois dos versos mais significativos de Fernando Bernardes, que acrescenta:

Ao povo a quem dou
Os versos que escrevo

Da sua vida rude
Colhi a poesia
Tentei quanto pude
Dar-lhe melodia

Assume-se o poeta como um arauto, um elo de ligação. Não está sozinho, não, porque o que escreve é dele e das gentes com quem lida e luta, das terras em que se situa e, livre, quer criar raízes. Há, pois, este diálogo sempre! Não se perde em filosofias, em rodriguinhos de estilo, não. Pão pão queijo queijo – mas sempre de uma forma esbelta e, se possível, cantada, ritmada, prenhe de melopeia...
Que se aprenda, que se baile, que se trauteie num ápice – porque apetece, qual rio que brinca por entre as pedras, pássaro que saltita de ramo em ramo, onda que desmaia na areia mas quer deixar rasto…
E todo o Universo é convocado para a sinfonia, num conluio amoroso que não é só o da pessoa amada, porque, aqui, amada é a mulher (sim), no lirismo a que não há poeta português que, algum dia, consiga escapar, mas são as gentes, os irmãos…

Apeia-se o rei e o trono
põe o pé ao pé do meu
tu comigo somos dois
quem ficou só já perdeu.

Se estou ao pé de ti
foge-me o tempo entre os dedos…
Se longe alongam-se os dias
como em prisão, nos segredos.

Esta noite choveu muito,
de manhã fui ver o mar
Esta noite amei-te tanto
Sereno fiquei – de te amar…

E, por falar em lirismo, sentir-se-ão bastas vezes os ecos das cantigas de amigo e de amor d’outrora e de sempre, que o poeta é trovador mesmo e sonha em ir de porta em porta, de corte em corte, de arraial em arraial, a dizer de sua justiça – «quero a paz do tempo conquistado» –, a colher cravos onde outrem teimou em semear abrolhos:

Amarga-me a boca
Do travo da vida
– minha voz tão solta
Onde foi perdida?

Menino de escola
Alegre e ridente
– onde foi perdida
Minha voz contente?

Ai flores, ai flores do verde pino
Se sabedes novas do meu amigo
Ai Deus i o é?
Ai flores ai flores do verde prado
SE sabedes novas do meu amado
Ai Deus i o é?

Uma delícia este ritmo de embalar:

vi-te vi-te verde
na pedra a cismar…

vermelho vermelho sangue…

No Inverno bato o queixo
– qualquer dia, qualquer dia!...
No Inverno aperto o cinto
– qualquer dia, qualquer dia!...

Irmão camponês, acredita: qualquer dia, qualquer dia. E esse dia virá! «Que também na lama do Nilo vicejam as flores de lótus»… Que «um Homem mesmo longe mete medo».
Ecos do nosso folclore, em que até a cana verde, algo de comezinho no nosso dia-a-dia actual – quem há aí que veja uma cana verde, que oiça o sussurrar do vento pelo canavial, que saiba, até, onde há canaviais?!... – até a cana verde é ponto de referência. Nela pousou a esperança, apesar do vento, ela aguentou-se lá. Por pouco tempo, parece, porque… pelo restolho se perdeu…
E a mulher dos farrapos mexia e remexia no caixote. Tirou meio pão duro, tirou pente velho, tirou uma flor.
Mirou-a, mirou-a e… sussurrou: «Bom dia!» – porque, nós queremos e proclamamos: «Hoje não há cifrões mas uma flor!»
E relemos a história do Fio de Água – tem Alentejo fronteiras, terras largas vista grande… Alguém hoje se admira que Fio de Água por lá ande?»
E ele há também por i poemas a partir de mote, quase à moda de além-Tejo:

Papão negro ave torva
Muito bonda o desatino
Vai-te embora em má hora!
Deixa dormir o menino…
Um soninho descansado.


Pronto, já li. Já saboreei. A longos haustos. Num comboio cheio de ir e vir Cascais – Cais do Sodré – Cascais. E continuei no autocarro e assentei-me no banco do meu jardim, que, junto às brancas orquídeas, aos antúrios bem vermelhos, com o Maio ao colo, ronronando embora, tinha de acabá-lo já. Sem tardança, que apetecia ler, ler… até final.
Acabei e apetece-me agora voltar atrás, a outras páginas que anotei para releitura serena.
Que linda a história do buraquinho onde o menino depositou pedras de sal, um pirilampo, suor e esperança, antes de adormecer. De manhã, nada nascera. A avó enganara-o na esperança e ele perguntou: mas não há aí uns senhores que põem sal, pirilampos.... e não se preocupam nem com o suor nem com a esperança e… a coisa resulta?… Como é, avó?
Essa flor não nasceu, menino. Nem outras.
«Renascer uma rosa, amigo Urbano, quando não há Primavera há tanto ano!...»
E sabes porquê? Porque sob as frondosas faias se treinam cavalos, homens, cães-polícias, enquanto Pedro, na sua boa fé, vai construindo prédios… E quando soar a palavra pão, virão tiros, pegadas, baba – confusão!
Porque… «Há o que diz que sim e diz que não / conforme a meia cara com que fala» e o importante senhor «viu escadas subiu escadas / ficou ao nível das gruas / e ao nível dos cifrões / Não ao nível das pessoas», embora alicie: «Come o milho, passarinho, vem cá abaixo à minha mão»; mas… «o passarinho tem asas: antes morto que no chão!»
Vem o título do livro de um poema, breve como o são quase todos, de que me prendeu, de modo especial, a 1.ª quadra, numa invocação às «doces aves» que – com esse fio das harpas – vão tecendo o tempo… São as andorinhas da capa, em revoada no azulejo, sedentas de insectos, em algazarra, não são, Fernando? Primavera após Primavera… Este, um poema de 1980, onde, se calhar, carecia haver em cima, ao jeito de José Gomes Ferreira, uma breve frase, em itálico, a contar do motivo da inspiração e da frase, porque, de seguida, há estranhas perguntas à mãe: sobre esse mesmo tempo, sobre açucenas por regar, sobre penas que se revivem. Este tempo que voa… tem doçuras, tem flores imaculadas, tem penas de doer…
E quase nos apetece ficar no rochedo, à beira-mar, ouvindo o piar das aves, o marulhar das ondas… e as açucenas por regar…
Poeta, que queres tu? Que o tempo não voe, que as flores nunca murchem, que as penas desapareçam? Não, poeta! Estás a querer o impossível, ainda que amor de mãe tudo suplante e saiba inventar melopeias e te ofereça os perfumes que inebriam as penas!...

Disse amor e fez o gesto
Disse amor e deu a mão

Este é um daqueles momentos a eternizar, Fernando! E que bonito que é!

Disse amor e pensou homem
disse homem pensou irmão.

Nisto nos levam a palma os poetas, quando, com palavras simples, são do tamanho do mundo!
Termina-se na «construção por vir». Diria eu, a construção que se faz, que se quer fazer, que urge fazer! Para que, na realidade, haja no topo as flores e, espraiando a vista por zimbórios e terraços, de uma vez por todas, dali se veja luz, muita luz e nunca, nunca, a terrível mordaça que silencia, que impõe negras vendas nos olhos, que castiga o grito e ameaça a revolta!
Que, afinal, Amigos, é de fraternidade a mensagem, fraternidade em construção, uma construção difícil, sim, mas tremendamente consoladora:

Pedra sobre pedra
a mão
o muro abraça!

Abracemo-lo!
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FICHA TÉCNICA:
Livro: O fio das harpas
Autor: Fernando Miguel Bernardes
Capa: Arranjo fotográfico de João Nuno (com base em imagem de “Aves de Portugal”, de Raul Serra Guedes e Luís Costa)
Editora: Mar da Palavra - Edições, Lda.
PVP:16,15 €
N.º de páginas: 160
Formato: 14,8 x 21,0 cm
ISBN: 972-8910-39-6 (EAN: 978-972-8910-39-6)

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Registo de notícias e outras referências:
http://www.e-cultura.pt/AgendaCulturalDisplay.aspx?ID=22668&print=1
http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:DVxAE0Eo1x4J:www.cm-loures.pt/fonewsdetail.asp%3FiAno%3D2010%26iMes%3D03%26iSearch%3DPesquisar%26iTexto%3D%26id%3D2346%26stage%3D2+%22O+fio+das+harpas%22&cd=11&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pthttp://nasfaldasdaserra.blogspot.com/2009/05/fernando-miguel-bernardes-lanca-o-fio.html
http://www.cm-loures.pt/Agenda_mar10_DPoesia.asp
http://www.avante.pt/pt/1856/assembleiadarepublica/29548/?tpl=395
http://www.livapolo.pt/livro/detalhe/fio-das-harpas-o/76116
http://www.avante.pt/pt/2187/argumentos/137573/

"Marginalidades e alguns poemas de amor", de Joaquim Manuel Pinto Serra (com fotografia de Maria das Dores Borges de Sousa)


Com esta sua décima primeira obra publicada, Joaquim Manuel Pinto Serra regressa às origens da sua escrita e da marca poética, desta vez assumindo um tom coloquial, ao jeito de quem conversa com os leitores. E mesmo tratando-se de uma poesia intimista, a linguagem literária do escritor manifesta, de forma peculiar, um elevado valor expressivo e harmonia musical, sendo, ao mesmo tempo, de fácil compreensão e de agradável leitura. Isto deve-se, sem dúvida, à paciência, à persistência e também ao engenho com que o poeta trabalha a palavra.
Como é conhecido, na linguagem, cada substantivo, adjectivo, advérbio ou forma verbal tem dois significados: o pessoal (que é único, pois pertence à pessoa que usa a palavra) e o significado comum (sendo, por isso, partilhado com as outras pessoas).
Nesta conformidade, o poeta Joaquim Manuel Pinto Serra sabe cativar o outro – ou seja, o leitor – porque, não obstante a estilística (com as suas figuras de sintaxe, de pensamento e as suas imagens literárias), preserva as quatro qualidades fundamentais da linguagem: a clareza, a correcção, a pureza e a harmonia.
Assim, a obra “Marginalidades e alguns poemas de amor” garante uma intenção estética, mas também coloca em jogo os recursos de que o escritor se serve para expressar o que lhe vai na alma e no pensamento, além das suas reacções emotivas perante a vida e o próprio sentido da vida, naturalmente polissémica e cheia de surpresas, como quem desfolha um livro de poesia. A sociedade e a linguagem são, indiscutivelmente, os primeiros produtos da cultura, sendo esta a verdadeira extensão de cada um de nós, enquanto homens e mulheres que agem, fazem e sabem. E o escritor Joaquim Manuel Pinto Serra, que tem experimentado os mais diversos géneros literários, incluindo a escrita para um público juvenil, arroga-se como um co-responsável cultural. Daí a sua ansiedade e a sua perplexidade de cada vez que publica um livro, que é o suporte material do saber e da imortalidade, da utopia e da loucura, do disfarce e da aparência, do sonho e da ilusão, da solidão e da intranquilidade e também do segredo e da ausência – temas que dão significado às seis partes que organizam a obra “Marginalidades e alguns poemas de amor”
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PALAVRAS DE APRESENTAÇÃO:
O livro Marginalidades e alguns poemas de amor, de Joaquim Manuel Pinto Serra, é constituído por seis conjuntos de sete poemas cada um – conjuntos esses que apresentam títulos em dísticos começados com a preposição de, à maneira dos antigos autores clássicos, além de terem as segundas linhas ou versos mais longos: e.g. “do saber / e da imortalidade”, “da utopia / e da loucura”, “do sonho / e da ilusão”, “da solidão / e da intranquilidade”.
Trata-se de um livro que vive da nostalgia de um amor que é ausência e que a memória revive e desfia – memória que tanto relevo tinha entre os antigos Gregos, a ponto de considerarem ter sido da união de Mnemósine (a Memória) com Zeus, o próprio pai dos homens e dos deuses, que nasceram as Musas, ou seja, a poesia. E a sublinhar essa sensação de perda e de vazio, na colectânea, são frequentes termos como memória, solidão, ausência, espera, saudade. Repare-se neste dístico do poema da página 18: cobrem-nos de sabedoria estas paredes vaziase nelas existem fantasmas de solidão e de espantoou nestes versos-estrofe, um a concluir o poema 3 (pág. 19) e o outro como penúltima estrofe da composição 4 (pág. 20), respectivamente: “e desassossegos de longas esperas” e “um olhar ausente”. Ou pode ser “e o segredo intransponível de uma ruga” ou “um oásis a morar em nós / na dor oculta” (pág. 22). Aliás – o que não deixa de ser significativo –, solidão e ausência fazem parte do título das secções 5 “da solidão / e da intranquilidade”) e 6 (“do segredo / e da ausência”) do livro. Pode ser bom exemplo dessa ausência o poema da página 20 que alude à folha em branco em que se escreve, onde as palavras “são dicionários de espuma e de saber”. Apesar disso, nessa escrita “mudam-se emoções” e os afectos, um mundo em movimento que é mentira, “um olhar ausente / uma dor infinda”. Por sistema, os poemas começam por estrofes de dois ou mais versos (três ou até quatro) e terminam quase sempre por estrofes de um único verso, também quase sempre curto, de uma ou duas palavras apenas. Apetece chamar-lhe conclusão sincopada, como soluço de quem se sente cansado. Pode ser um bom exemplo a primeira composição do livro (pág. 17), de seis estrofes, que se inicia com três estrofes de três versos, passa por uma de dois e apresenta apenas um em cada nas duas finais.Muito raros são os poemas que terminam por verso extenso. E curioso se torna verificar que tal acontece com o último da colectânea, em que impera a memória da ausência e conclui com o verso “esperando em tons de azul o teu regresso”, verso longo que aparenta derradeiro esforço de esperança, qual náufrago que tenta última braçada. Mais uma ou duas observações sobre aspectos formais do livro – que, no entanto, podem ter relação com o ritmo interior do autor. Por exemplo, é curioso – e talvez até significativo – que os poemas, com frequência, aparecem constituídos por sete estrofes. Há mesmo uma secção, a quarta, com o título “do sonho / e da ilusão”, em que os poemas ímpares são formados por sete estrofes e os pares por seis. Trata-se de um ritmo heptástico que é próprio do autor – aliás, integrado no filão a que Trindade Coelho chamou “O Senhor Sete”. Também poderíamos apelidar de hebdomadário, porque tem muito a ver com o suceder semanal do tempo, embora Joaquim Manuel Pinto Serra me tenha confessado que não procurara deliberadamente esse número de poemas e de estrofes.
Se o livro "Marginalidades e alguns poemas de amor" se impõe por certas características formais, deixa ainda mais a sensação geral de transitoriedade, de fragilidade, de precariedade. Tudo flui e passa. E tal nos aparece em poemas, como o 2 da secção 1 (pág. 18), uma composição bem conseguida, cuja conclusão pela palavra vento, em estrofe isolada, é feliz e deixa a mensagem em suspenso, como que a pairar. Ou ainda mais no poema 3 da secção que tem por título “do disfarce / e da aparência” (pág. 35), em que “somos barcos que se movem ao sabor de um rio / onde naufragam”, em que cada um está de passagem a procurar “onde o mar acaba e a lágrima corre”, e uma lágrima que está “apenas em viagem / para uma outra margem”.
Essa fragilidade está evidente na última composição da primeira secção (pág. 23), em um conseguido poema em que as coisas ditas, boas e agradáveis, são trazidas pelo tempo, voláteis. Nele paira a sensação de fragilidade, de algo efémero, com o final feliz de descanso extasiado na eternidade “a viver a magia imaculada / de um momento”.

José Ribeiro Ferreira
Coimbra, Páscoa de 2009
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FICHA TÉCNICA:
Livro: Marginalidades e alguns poemas de amor (apresentação de José Ribeiro Ferreira)
Autor: Joaquim Manuel Pinto Serra
Fotografia (capa e interior): Maria das Dores Borges de Sousa
Editora: Mar da Palavra - Edições, Lda.
Colecção: Poemar (N.º 5)
PVP:12,72 €
N.º de páginas: 74
Formato: 13,0 x 19,0 cm
ISBN: 972-8910-38-9 (EAN: 978-972-8910-38-9)
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Registo de notícias e outras referências:
www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=99944
appoetas.blogs.sapo.pt/14032.html

Sistema de saúde português: riscos e incertezas - Relatório de Primavera 2008


O Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS) é uma parceria entre a Escola Nacional de Saúde Pública, a Faculdade de Economia de Coimbra - Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra e o Instituto Superior de Serviço Social do Porto.
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COLABORADORES DESTE RELATÓRIO DE PRIMAVERA:
António Barros Veloso
António Melo Gouveia
Cipriano Justo
Fátima Bragança
Fernando Gomes
Joana Sousa Ribeiro
João Oliveira
João Santos Cardoso
Jorge Espírito Santo
José Luís Biscaia
Luís Saboga Nunes
Manuel Oliveira
Patrícia Antunes
Patrícia Barbosa
Paulo Kuteev Moreira
Pedro Beja Afonso
Pedro Lopes Ferreira (coordenador)
Teodoro Hernandez Briz
Vítor Raposo

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

"Uma professora ao canto do olho", de Joaquim Manuel Pinto Serra e Maria Armanda Tavares Belo


“(...) Quando terminei a leitura de mais este capítulo, depois de pensar um pouco, comentei para o meu avô, perplexo: – Gostei da maneira inteligente como ela encarou a sua aposentação... – E, no fundo, a preparou, escrevendo contos para crianças. É um modo interessante de continuar com elas, sobretudo quando se gosta delas, como ela gostava... E de as continuar a compreender, como sempre as compreendeu... De viver o seu mundo... pela escrita. Terminou a sua vida activa de professora como começou, entregando-se ao seu grande amor: o ensino de jovens, especialmente os mais carenciados e difíceis. Para mim, ela deu-me, passados todos estes anos, a sua última lição: a da sensibilidade.
Uma nova lágrima apareceu ao cantinho do olho do meu avô. E a sua professora lá estava, como sempre, alongando-se pelo rosto, devagarinho, muito devagarinho...
– Vamos prosseguir, Jorge! – a sua comoção era evidente, deixando-o entristecido.
Eu tentei disfarçar quanto pude. Confesso que também estava comovido... Talvez por ver aproximar-se do fim uma vida que valera a pena: a da antiga professora do meu avô!
– Mas, avô, eu já terminei a leitura. Não estejas triste, está bem? Havemos de ir a Lisboa mais vezes, falar com a tua antiga professora, pois gostei muito dela, principalmente depois de termos lido e comentado o seu manuscrito. (...)”
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OS AUTORES:

Joaquim Manuel Pinto Serra é algarvio – natural de Loulé – e reside em Coimbra.Médico psiquiatra, foi assistente hospitalar no Hospital Psiquiátrico de Sobral Cid (Serviço de Inimputáveis Perigosos do Ministério da Justiça) e chefe de serviço no Centro Psiquiátrico de Recuperação de Arnes, de que foi director (de 1984 a 1996).
Actualmente, está aposentado da carreira hospitalar e continua a exercer a sua especialidade, como profissional liberal.
É membro de várias associações artísticas e literárias e integra o Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos. Publicou cinco livros de poesia, três de contos e um romance.

Maria Armanda Tavares Belo é algarvia – natural de Faro – e reside em Lisboa.Professora do Ensino Básico e de crianças deficientes, dedica-se, desde a sua aposentação, à literatura para a infância e à poesia.
Frequentou o Curso de Filologia Clássica da Faculdade de Letras de Lisboa, o Curso de Surdos do Instituto Jacob Rodrigues Pereira, na Casa Pia de Lisboa, e trabalhou no Centro de Apoio a Crianças Deficientes de Audição e Fala, da Junqueira. Exerceu o magistério durante oito anos, no Instituto de Meios Audiovisuais, como monitora e coordenadora do Posto Piloto da Telescola. É membro de algumas associações literárias. Publicou quatro obras de literatura para a infância, uma de poesia e uma biografia póstuma do seu tio, maestro Tavares Belo.
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